Aguns talvez se lembrem do meu livro DESESPERO PROVISÓRIO, premiado na Sicília, com um primeiro lugar na sua categoria. Acabo de saber que ele acaba de ganhar um honroso segundo lugar - acho que não é motivo de desespero, nem mesmo provisório, num concurso na Suíça.
Mas não é sobre isso que desejo falar, uma vez que já falei.
Fico pasmo com a caça aos neologismos. Tudo bem que Sale em vez de Liquidação não seja uma maravilha, mas "est modus in rebus' - há limite para tudo. Eis uma poesia daquele volume, com a necessária atualização.

...E a caravana passa
Ao citar a flor do Lácio, dizem ser inculta e bela,
Brilha em qualquer desfile, sobre qualquer passarela,
Temo ouvir o que diria um fanático purista,
Mas possuo um argumento, e torçamos que resista.
Mesmo ao comungar do credo, me ocorre um reparo.
Essa tal ortodoxia muitas vezes custa caro.
Se limpar vocabulário, há de se tornar mania.
O rigor desse excesso leva à xenofobia.
Rejeitando, por princípio, uma citação latina,
Sob pretexto de que ofende os ouvidos, a retina,
Se alguém disser “sic transit”, será logo excomungado?
E um “Alea jacta est”, senhores, representa um pecado?
“Quousque tandem Catilina” será prova de mau gosto?
Um “Quo vadis”, “Vade retro” serão fonte de desgosto?
Sem haver “Habeas corpus”, que farão os advogados?
Por um “Dura lex” à-toa, ficarão desempregados?
O problema se complica, não vivemos isolados.
Os afoitos decretaram fomos já colonizados.
A tal ponto que, de modo totalmente extravagante,
Quem usar neologismos leva estigma de pedante.
Ou será que doravante nunca gritaremos Gol!
E diremos ludopédio, abolindo futebol?
Algo acabar em pizza é um termo consagrado.
Até álgebra, senhores, deverá ser evitado?
Um ou outro novo termo poderá ser extirpado.
Deletar, até concordo, pode ser eliminado.
Mas o tal “bug do milênio” teve seu lugar ao sol.
E não houve alternativa, só programas em COBOL.
Esqueceram, “data venia”, que um “bit” é abreviatura,
Traduzir por “pedacinho” tudo em nome da cultura,
Que supõe que só tem aves que gorjeiam por aqui,
Deixa-nos só as palmeiras, quanto ao resto “C”est fini”
PARA ATUALIZAR...
Todas essas bizarrices, procurar em ovo pelo
Encontraram um ilustre defensor: Aldo Rebelo
Surge novo integrante da magnífica legião
Um governador de peso : O Roberto Requião
*Alexandru Solomon também é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, (´Desespero Provisório`) , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br

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