Por um lado, importa o cheque, ou por outro lado, o bolso de onde sai?
Por outro lado
Quem teve a oportunidade de assistir ao musical "Um violinista no telhado" reconhecerá a atualidade das dúvidas de Tevye, o leiteiro, expressas nas suas conversas com Deus, sempre marcadas pela abordagem dialética: Por um lado, isso, por outro lado, aquilo...
Por um lado, é mantida a taxa SELIC. Razões há para manter, assim como há para cortar. Quem vê fantasma de inflação e não vislumbra crise chegando age assim. Por outro lado, ao liberar fatias de compulsório, envereda-se pelo caminho oposto, como ensina qualquer almanaque de Economia. Deve haver motivos. ELES sabem o que fazem, ou afirmam saber. Os oráculos oficiais falam em crescimento de 4% para 2009. Por outro lado, cartomantes menos graduados só enxergam 2,4%. Em dezembro 2009, teremos uma idéia mais clara.
O PAC parece ser a solução, por outro lado, os investimentos não acontecem. A mãe do PAC fala em acelerar o PAC, - acelerar a aceleração. Teremos o PAAC: plano para acelerar a aceleração do crescimento. Por outro lado, tantas siglas tendem a confundir os otários.

Não se consegue um superávit nominal, por outro lado, cria-se um Fundo Soberano, que, se num primeiro momento, por um lado, impede a diminuição da dívida, por outro lado, será anticíclico, vai ser uma espécie de dique contra a marolinha. Por um lado, importa o cheque, ou por outro lado, o bolso de onde sai?
Por um lado, aumenta a liquidez, por outro lado, ela "empoça", já que não é fácil obrigar alguém a endividar-se com nuvens negras à vista. Assumir uma dívida hoje para comprar algo que custará menos amanhã? Para os enforcados, juros nas alturas, por outro lado, para a Petrobrás, juros camaradas. Instituições financeiras que têm direito a muletas oficiais fingem baixar os juros, a TJLP já vale menos que a soma da inflação mais o risco Brasil - que a definem -, por outro lado, o Tesouro capitaliza o BNDES. O Tesouro gera dinheiro?
Por um lado, a equipe econômica lamenta o fato de não haver expansão de crédito, por outro lado, a mesma equipe sugere maior provisão para devedores duvidosos - faltando ainda consultar a Receita Federal. Mas por que haveria mais inadimplentes se tudo vai bem?
A orquestra desafina, ou é mera impressão?
Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, é autor de ´Almanaque Anacrônico', ´Versos Anacrônicos', ´Apetite Famélico', ´Mãos Outonais', ´Sessão da Tarde', ´Desespero Provisório' , ´Não basta sonhar' e o recente livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas'. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 14h46
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