A crônica do Alexandru Solomon

Política


Dúvidas e mais dúvidas.

 

   Um dos livros de Lênin ostentava o título "O que fazer?". A pergunta persiste em contexto diverso.

As eleições estão distantes, se é que os poucos meses que nos separam da campanha eleitoral – dentro dos conformes que a desprezada Lei eleitoral reza – possam caracterizar distância. Sobe a temperatura. Breve, as boas maneiras terão seu espaço reduzido, dando lugar ao fluxo de metáforas que parecem dever pavimentar o caminho do sucesso. E dá-lhe futebol, culinária, economia doméstica. Para não deixar a contagem em constrangedores 400 x 0, a oposição enveredará pelo terreno para o qual foi atraída. Procuram-se especialistas em metáforas! Nefelibatas, abstenham-se!

No campo das idéias a oposição nos brinda com uma total falta rumo, dizem. Mas será que há algo que possa fazer? Uma coisa há de ser entendida. Qualquer dos dois candidatos mais prováveias, uma vez eleito, terá de assumir uma herança, seja ela 'maldita' ou maldita sem aspas, com o cuidado de não atuarem como herdeiros incompetentes. Na campanha, qual poderá ser, no campo das propostas, o diferencial da oposição? NENHUM. Poderá alterar os rumos do pré-sal, mas evitará o debate prévio i.é durante a campanha. Colocar como plataforma política a honestidade somente se for num programa humorístico. Como enfrentar o partido que não rouba nem deixa roubar? Competir na negação da paternidade do mensalão – cuja existência está colocada em dúvida pelos cínicos? Nunca antes neste país houve tamanha transparência será a resposta. Nunca houve mensalão, aloprados, Waldomiro e o que apareceu – coisinha boba – só apareceu por causa da transparência, causando o maior espanto ao grande líder que de nada sabia e quando soube, constatou tratar-se dos péssimos hábitos que vinham desde o descobrimento do Brasil.

Rebater as acusações privatistas, a “privataria”, quando 90 por cento dos eleitores não sabem do que se trata (apesar do refrão que oposição e situação entoarão com igual caradurismo: O povo não é bobo! – Talvez não seja, mas está mal informado e pouco interessado em informar-se melhor) demandarão uma dose de imaginação ligeiramente superior que a do candidato Alckmin (e de seu staff, em 2006). A defesa que consistiu em envergar a camiseta da Petrobrás – atenção não foi PetrobráX, terminação muito em voga, ultimamente – foi de um ridículo atroz. Em compensação, o eleitorado já vem sendo metralhado com a imagem dos privatistas, os comedores de criancinhas da hora.

O resultado dos programas assistenciais e a Olimpíada de 2016 são cabos eleitorais de peso. Trata-se indubitavelmente (?) de filhotes do Cara, como se à sucessora, digna genitora da sigla PAC, deverão ser atribuídas automaticamente as virtudes do padrinho.

Cá entre nós: qualquer candidato só poderá dizer na campanha que deseja o melhor para o País. Ou não? Ficaremos no campo árido do “como”, não do “quê”. Imaginem a beleza do debate acerca da manutenção ou não do superávit primário/ nominal, ou da independência ou não do BC, futuro Mercosul etc. Viva a TV a cabo!

Aos queridos Aécio e Serra – uma vez concluída a pugna fratricida, por ambos negada solenemente, sobrará a tarefa de tranquilizar a clientela, afirmando, jurando, prometendo etc. que nada do que é bom será tocado. Pronto! Será que a turma do “andar de baixo”, em doce manada, escolherá a mudança – nos detalhes – quando hoje algo como 80% dos eleitores acha Lula a encarnação da perfeição? Ou apavorados com os clichês preparados: neoliberalismo, consenso de WASHINGTON, repúdio ao estado mínimo que – mais uma vez são conceitos cujo significado escapa a uma parcela acachapante do nosso eleitorado – optarão por mais do mesmo, mas com qualidade supostamente melhor. Quão melhor será o ‘tudo bem’ de hoje?

Será que mais uma vez – como é chato repetir – será preciso discutir a qualidade dos gastos, debate arbitrado por analfabetos funcionais? Para maior conforto da situação, o debate será levado para um terreno pantanoso: Comparar a era FHC com a era Lula. Adiantará argumentar que a evolução do Brasil se deveu a uma conjuntura favorável, que permitiu ao Brasil enfrentar a atual crise em situação mais confortável do que nos anos ‘negros’ de FHC? Por acaso informar o distinto público eleitor que os contendores não são nem Lula nem o príncipe do sociólogos terá o efeito de uma luminosa revelação ?

Falar em aparelhamento do Estado e demonstrar sua realidade nociva será um ponto – que fará bocejar . Como bosquejar o retrato do que poderia ter acontecido sem essa enxurrada de companheiros em postos para os quais tinham como pré-requisito a filiação ao PT ou a docilidade ao Cara? Virá o inefável presidente do IPEA, explicando que na verdade nosso Estado não é paquidérmico, como maldosamente afirmam os “neoliberais”. Dirá que o Estado é raquítico, portanto carente de vitamina D. D de Dilma, of course, patuléia ignara!

Faltou à oposição, nesses anos uma postura digna de suas ambições. Seguramente “deixar sangrar Lula”, no ápice da crise do “inexistente” mensalão não passou de fracassada esperteza.

Lamento não poder enxergar quais as ideias luminosas que poderão cativar analfabetos funcionais, mas essa dúvida é posição de zelite, logo, de uma minoria e, com o perdão do truismo, eleição majoritária ganha-se com a maioria – frase com a qual o conselheiro Acácio haverá de concordar, se consultado.

 

Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h05
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 
 

Artigo

A um mês do Dia dos namorados.

 

    É no dia 12 de junho que um pacto prazenteiro recebe sua consagração. Corações apaixonados de todas as idades, batem mais forte, no mesmo ritmo. Na política ocorre fenômeno semelhante. Dizia Oscar Wilde: ‘Os jovens gostariam de ser fiéis e não o são. Os velhos gostariam de ser infiéis e não o conseguem’. Quanto aos políticos, não fazem questão de ser ou não fiéis e ao serem fiéis apenas quando for conveniente, estão muito bem sucedidos, independentemente da idade.

Deixemos os namorados de lado, por um momento – o dia deles deveria se estender por décadas e não apenas por 24 horas, não é? – ainda está distante. A fidelidade não possui prazo de validade.

E na política? O que seria para um político ser fiel? Militar sempre na mesma legenda – aquela que lhe garanta maior exposição na mídia? Aliar-se a outros indivíduos, mesmo que os tenha tratado de infame, escroque, ladrão, incompetente e ter recebido o troco na mesma moeda? (o pior de tudo é que, presumivelmente, a razão está com ambas as partes, antes de serem contagiados pelo tal vírus da conveniente amizade). Segurar a mão do vizinho de palanque e, juntos levantarem os braços, após ter verificado que ambos tem aproximadamente a mesma estatura física e moral? No caso de diferenças físicas, de altura, há algumas fotos simplesmente hilárias.

Por que não? Não está escrito em lugar algum que essa prática é proibida, logo, a partir de um entendimento recente, não estando proibida, é permitida. O amor – na política também, é eterno enquanto dura. Antes de o Vinícius falar em infinito, quem ficou apenas no eterno foi Henri Régnier. (Não estou acusando de plágio).

Portanto, vamos saudar esses ajuntamentos, que tanto podem ser partidos, quanto coligações, alianças, base governista, ou algum substantivo coletivo que possa nos ocorrer. Afinal, não há motivo para criticar esses seres que estão “juntando trapos” de moralidade. Pode ser apenas para um turno, ou seguindo a rotina de antigos campeonatos para o returno também.

Implacáveis adversários políticos de ontem se abraçam carinhosamente nesse jogo de amnésicos. Abraços e tapinhas nas costas são uma atividade em tempo integral, pelo menos durante os poucos dias de labuta. O incapaz de gerenciar um carinho de pipocas abraça afetuosamente o merecedor de prisão e a coisa não para por aqui, ou por aí.

Vale até jeton, passagem aérea, auxílio-paletó, generosa aposentadoria e outras fórmulas criativas para possibilitar uma sólida base material àqueles que imaginam ter recebido carta branca nas urnas.

Estranhamente, mesmo se forem seguindo caminhos diametralmente opostos, ’eles’ afirmam lutar pelo bem do País. Não deixa de ser ridícula essa afirmação. Lutam como? Como boxeadores, como ninjas ou será que apenas participam de um vale-tudo… por dinheiro?

Políticos e partidos compõem a alegre e heterogênea, muitas vezes, mistura. A acompanhá-los, fazendo o maior barulho, na tentativa de se fazerem notados, como um exército de poodles amestrados – com as devidas desculpas aos poodles, que nada têm a ver com isso – os nanicos à procura frenética de alguma sobra de festim dessa tão decantada ação entre amigos. Sua pressa tem razão de ser. Em política, o namoro deu lugar ao ‘ficar’. Uma pequena demora e correm o risco de bajular inadvertidamente um adversário de última hora.

Antes de fazer referência ao Dia dos namorados, é preciso aludir a um evento mais próximo: O dia das Mães. Nada de xingar as genitoras de Suas Excelências. Uma pergunta simples: excelem em quê? Em não deixar passar um dia sem brindar-nos com alguma nova prova de que somos todos imperfeitos?

De acordo, mas precisavam exagerar?


Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano (www.siciliano.com.br).

  asolo@alexandru.com.br

 

 



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Era uma vez....

 

Dizem que determinada pequena empresa – PE – resolveu participar de importante concorrência para um grande obra, GO. Com o auxílio de um lobista experimentado, LE – já quase certa do sucesso da empreitada – fez o depósito de um milhão de dólares, requisitados para a habilitação, importância essa que seria devolvida no caso – improvável, de acordo com LE – de não ser declarada vencedora do embate licitatório. A grande empresa – Gr. Emp – nunca roera a corda antes. Disso LE podia se gabar.

O diretor financeiro da estatal Gr.Emp – ia me esquecendo de que se tratava de uma estatal, e na verdade, ser ou não estatal seria irrelevante não houvesse hoje em dia tanta aversão ao neoliberalismo – depositou a importância na conta que mantinha num banco. Estatal, decerto. De posse desse dinheiro, o tesoureiro do banco, transparente como poucos tesoureiros de banco, submeteu ao comitê a sugestão de pagar com esse recurso inesperado a dívida super atrasada ou hiper vencida – como queiram – que o banco tinha com a empresa de manutenção de computadores e de razão social complicada. Com dinheiro na mão, seria tranqüila a dispensa da multa contratual. O cash possui esse efeito em tempos bicudos.

 

 

Felizes com o depósito, tão desejado quanto inesperado, os diretores da MANULOCAMICROCOMP – beleza de razão social – hesitaram entre pagar um prêmio aos funcionários ou adquirir novas e potentes máquinas, para poder prestar serviços de melhor qualidade aos seus clientes. Prevaleceu a segunda opção. “O segredo é investir em momentos de crise”, bramiu o CEO da MANU etc. e tal. Para melhorar o moral dos empregados contou pela milésima vez a balela do ideograma chinês que identifica crise com oportunidade. Todos aplaudiram, se bem que ouvidos mais atentos teriam identificado palavras de baixíssimo calão.

Pelo seu notório saber e por não ter a MANU etc. e tal a rigidez de uma estatal, a escolha do fornecedor de servidores levou o tempo necessário a uma votação por acordo de lideranças em certos países emergentes ou nem tanto.

Eis que o milhão de dólares foi parar nas mãos, digo no caixa – viva mais uma vez a transparência – de uma empresa cujo objeto social era justamente fabricar servidores de alto desempenho. “Dinheiro bem-vindo” – exclamou o patrão da empresa de notório saber e dívida de exatamente um milhão com um exportador chinês, que mandava máquinas já montadas com etiquetas “Made in Brazil” em separado. Malditas etiquetas, maldita grafia, mas são ossos do ofício do mercado cinza.

Eis que o milhão de dólares – a repetição do ‘eis que’ foi proposital – atravessa eletronicamente os mares e pousa numa filial de banco chinês, e daí nas mãos do exportador, que de imediato, emprega esse já famoso milhão para resgatar uma debênture de sua emissão – que de acordo com a Moody´s possuía rating ZZZ (em processo de reavaliação para ZZa-, afinal, a recuperação dos mercados financeiros é um fato).

Por uma feliz coincidência, o detentor desse título semi podre era justamente a Gr. Emp, cujo tesoureiro, vítima de alguma antiga ilusão de óptica, ou de uma dose excessiva de coragem, quando da arrojada compra, não hesitou um instante em dar um “fechado” na proposta que, sem mais nem menos, acabava com uma longa série de noites mal dormidas, por causa de um excesso de otimismo e falta de cuidado na aplicação, num passado já nem tão recente assim.

Surge um pequeno problema, totalmente inesperado. Um pouco de paciência.

Sabedor do drama da tesouraria da Gr. Emp, – detentora do tal ativo tóxico – o astuto LE imaginara uma forma de resgate do tal papel podre a partir de uma sofisticada operação envolvendo algum superfaturamento da PE – candidata à grande obra – GO. O valor correspondente ao tal “plus a mais” seria cobrado da PE por uma empresa de fachada, EF – com sede numa gaveta de escrivaninha em *** onde o ISS é bem baixinho – a título de prestação de assessoria para eventos culturais. Depois, de acordo com os grampos habilmente vazados na imprensa, EF compraria serviços de EF1, cliente de EF2 , fechando-se parte do circuito em EFn. EFn compraria serviços de uma “empresa quase séria”, EQS1, cliente de EQS2, sendo que, em função da seriedade crescente nessa cadeia – oops – EQSn poderia já ser considerada uma “empresa séria”, ES. Esquecendo-se, por uma fração de eternidade, da condição de ES – voltando a ser quase séria –, ES adquiriria a famosa debênture podre, pondo fim à já mencionada série de pesadelos do aflito tesoureiro. Como demonstram as leis da Física, nesse trajeto, haveria perdas, destinadas a remunerar os integrantes da tal cadeia – oops, de novo. Possivelmente, alguns tostões imperfeitamente contabilizados financiariam alguma campanha eleitoral. Impossível afirmar. As informações grampogeradas foram mais uma vez incompletas. De qualquer maneira, uma onda de calma indignação se ergueu pouco antes de o esquecimento ou as férias não remuneradas de Mnemósine devolverem a tranquilidade à sociedade.

Qual o pequeno problema, então?

Calma.

Com o “desequilíbrio interno” resolvido, ao anunciar os resultados da concorrência, Gr.Emp surpreendeu LE. Esse pediu desculpas a PE – infeliz segunda colocada, com direito a uma medalha de prata e a um certificado de participação – que recuperou, um tanto desapontada, o valor da garantia, sem nada pagar a um tristonho LE.

Ou seja, o famoso milhão voltou são e salvo, deixando atrás de si uma onda de júbilo, causada pela sua passagem, e à exceção do LE e da cadeia – oops, pela terceira vez – das empresas de seriedade duvidosa, os demais ficaram felizes para sempre. E quanto aos grampos? Bem. Quem disse que são infalíveis?

Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano. | E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 12h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 
 

Artigo

Botox?

   E o COPOM manteve a Selic em 13,75%, após uma reunião na qual seus membros, após analisarem a possibilidade de um corte, optaram unanimemente pelo status quo. Já que divergir de nada adianta, sigamos a receita da ex-prefeita de São Paulo.

Num artigo publicado no jornal Valor, a professora Eliana Cardoso, que prima pela agradável mescla do rigor científico com divertidas incursões em outros domínios, conclui:

"Por enquanto vale a aplicação de botox na Selic, mesmo sabendo que paralisá-la temporariamente não será suficiente para curar a recessão originada no coração do mundo."

Os "filósofos" do PT já decretaram ter sido a crise atual causada pelo neoliberalismo de FHC - para não cometer injustiças, é importante dizer que, de acordo com esses teóricos, a "herança maldita" foi culpada apenas pela "marolinha". Foi atribuído, dessa maneira, à octaetéride fernandista um acréscimo de 6 anos, admitindo-se, todavia, não ter sido ela responsável pela degringolada mundial, essa de responsabilidade exclusiva do demonizado neoliberalismo. A postura nada tem de surpreendente, uma vez que o lema "eu acertei, eles erraram, mas eu de nada sabia" parece fazer parte integrante do modo petista de governar.

No campo das metáforas, parece que, muito mais que um botox, a Selic precisaria de um lifting - lifting para baixo tem cheiro de oximoro, mas parece mais energético. Vá lá, um peeling, talvez.

Enquanto forem usando uma série histórica de mais de 3 meses no modelo- seja lá qual for - será impossível aos integrantes do COPOM captar a nova realidade. Um modelo, prospectivo que tenha um mínimo de utilidade deveria valer-se de parâmetros relevantes. Dessa forma, deveria haver uma severa ponderação para baixo do desempenho da economia até setembro de 2008. Considerar o crescimento do terceiro trimestre de 2008 como ameaça ao cumprimento da meta inflacionária parece encerrar um excesso de prudência, aliada a uma dose de nefelibatismo pânico.

Não vale a pena discutir a meta de 4,5%, seu surgimento e sua validade. Dizem os cínicos que, um dia, Sua Majestade Econômica atirou um dardo numa parede cheia de números aleatórios. Os cortesãos saíram em desabalada correria e, em torno da flechinha real, traçaram um círculo, logo apelidado de banda. Assim nasceu a obsessão. Longe de criticá-la, é melhor curvar-se a ela. Uma vez determinada a meta, é fundamental o esforço em atingi-la, devendo ser banido o discurso de "um pouco de inflação a mais não faz mal".

De qualquer maneira, os leitores de entrelinhas já identificaram, no comunicado do COPOM, a manutenção do advérbio ambíguo "tempestivamente' mas comemoram o surgimento do alvissareiro advérbio "ainda", interpretado pelos arúspices de plantão como indicação de uma iminente alteração de rumos. O BC introduziu o viés de baixa implícito! Alvíssaras.

 

Há quem sustente que essa unanimidade do COPOM foi apenas a reação dos que quiseram demonstrar que, enquanto estiverem independentes, assim agirão em que pese a logorréia oficial. May be!

 

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, é autor de ´Almanaque Anacrônico', ´Versos Anacrônicos', ´Apetite Famélico', ´Mãos Outonais', ´Sessão da Tarde', ´Desespero Provisório' , ´Não basta sonhar' e o recente livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas'. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h17
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

Adivinhar é o nome do jogo

 

    É sempre muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro, sentenciava Mark Twain. Dito de outra maneira, é sempre difícil fazer prognósticos sem saber o que irá acontecer daqui para a frente, complementaria o sábio conselheiro Acácio.

Em maio deste ano, com a crise do subprime já com boa quilometragem, os magos da bola de cristal falavam num índice Bovespa de 80-90.000 pontos para o final do ano. Pode ser que não tenham se enganado, mas apostar hoje no erro deles não parece ser um ato de ousadia intelectual.

Outros arúspices falavam na cotação do petróleo entre 150 e 200 dólares o barril já no final deste ano. Pode se tratar de uma verdade mas tudo indica que seja uma verdade com a data errada. Não se trata de ridicularizar as previsões, basta reconhecer que a realidade é infinitamente mais complexa do que os modelos elaborados pelos 'achólogos', na tentativa de descrever o comportamento de determinadas variáveis.

Muito se falou também sobre o dólar. Derrubado pela ação de “maldosos especuladores” ele iria cair até 1,55 ou 1,50 e só não passaria disso por milagre. De repente, todo o mundo, incluindo os “maldosos especuladores”, deu-se conta que o mundo está em crise, que a solidez do Brasil talvez não seja tão ‘sólida’ e que o fluxo internacional de divisas de torrente irresistível estaria se tornando um inocente riacho, prestes a inverter sua tendência – querem os mais afoitos. O crescimento chinês ficaria limitado a um dígito e o apetite do mundo por commodities estaria passando pelos rigores de uma dieta severa. Pronto. Eis que o dólar se encaminha para níveis mais altos, num ritmo ditado pelo frenesi das posições desfeitas às pressas. Qualquer afirmativa quanto à trajetória futura do dólar não merece mais do que um olhar distraído. Nem por isso os palpites irão rarear. O Copom isso, o Copom aquilo.

Para complementar o quadro de insegurança, Nossopresidente traz sua preciosa contribuição. Com as mãos sujas do óleo do campo de Jubarte, após tecer elogios à gloriosa Petrobrás, acena com modificações que ninguém – nem ele, possivelmente – sabe quais serão. A Petrobrás deveria, doravante, raciocinar não como empresa e sim como agência de fomento. Se comprar mais caro no mercado local, isso não terá importância, dado o salto para a frente da indústria. Já ouvimos coisas assim quando da gloriosa Lei de Informática.

Incomodado pelo fato de 60% dos dividendos da Petrobrás serem pagos a acionistas em Nova Iorque – sabe-se lá de onde tirou esse dado – Nossopresidente acalenta sonhos noruegueses. Vale a pena lembrar que as ações da Petrobrás negociadas na forma de ADR resultaram de chamadas de capital, no passado, e em decorrência de inúmeras trocas de mãos foram parar lá fora. Detalhe: as tais chamadas de capital possibilitaram a realização de investimentos, ou não? A presumida fortuna, cujo valor oscila ao sabor dos comícios, também deve seu descobrimento aos aportes de capital de terceiros. Dar um chapéu, preservando as regras do jogo, parece uma tarefa cuja consecução é de difícil prognóstico.

Nossa inflação merece um acompanhamento rigoroso e as pesquisas Focus é um precioso indicador de coisa alguma. Serve quando muito para um treinamento na conta de somar palpites e dividir o valor obtido pelo número de palpiteiros. Chamem a isso o método de Delphi se preferirem.

Enquanto isso, afugentados pela perspectiva de uma crise mundial, os “malditos gringos” batem em retirada, os fluxos monetários desestabilizam o Real, e por algum tempo, deixaremos de ser uma ilha de tranqüilidade no mar proceloso dos mercados de capitais globalizados. Trichet disse, Bernanke afirma, o FMI questiona e entre apelos a calma e raivosos “bem que avisei”, algumas embarcações fazem água. Há quem vaticine uma crise nos padrões de 1929; para outros trata-se de ajustes técnicos. Ambas as explicações de pouco adiantam aos que descobrem sua condição de ex-ricos. A busca por projeções confiáveis continua. Catastrofistas e otimistas concordam num ponto: O mundo (ainda) não acabou.

Em suma, prognósticos infalíveis tem de ser procurados em outro guichê; resta-nos acreditar nas previsões, arcando com o custo da credulidade. Até lá, uma ou outra bola de cristal passará por manutenção corretiva. A verdade, como sempre mudará de dono, até alinhar-se com a realidade, após diversos undershoots e overshoots.


Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e o livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 17h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

Fundo só-berrando


“Plus ça change, plus c´est la meme chose”, afirmava o jornalista Jean-Batiste Alphonse Karr. Por mais que as coisas mudem, no fundo, permanecem iguais. Não há motivo para que suas palavras encontrem seu desmentido sob esses tristes trópicos.

Já não se diz mais: “Nescau tem gosto de festa e se prepara sem bater”, nada de chapéus Ramenzoni, ou “Venha correndo, Mappin, é a liquidação”, no entanto, são lembranças do milênio que já se foi. Com um pouco de amnésia delas nos livraremos. Naqueles tempos idos, um fato estranho ocorria nos mercados financeiros. Não eram mercados sofisticados como o de hoje. Por exemplo, “Hedge” era assunto de tese de doutoramento, e mesmo assim, doutores como Scholes e Merton fraturaram a mandíbula com o tal LTCM. Não custa dedicar uma lembrança emocionada àquela época mesmo que seja apenas para contentar o senhor Jean-Batiste. Com precisão matemática, ou de relojoeiro, se preferem, todas as quintas-feiras, naqueles tempos, surgia um boato. Com o risco de ser cansativo, relembro que “boato” vem do latim “boatus” que significa mugido. Um rumor tomava corpo e em pouco tempo substituía a verdade ou a falta de notícias interessantes. “Fulano vai cair”, (fulano sendo, no mínimo um ministro), “A Petro achou petróleo”, “A Petro não achou petróleo”, “Fulano — o mesmo — está mais firme do que nunca”, “ Os vendidos em opção de Vale vão levar um ‘corner’ “ e por aí vai.

Ao ouvir o mugido, cuja velocidade, medida em crédulos por segundo, atingia proporções inimagináveis, as vaquinhas de presépio — por deformação profissional— entravam na onda, e fortunas trocavam de mãos. Falava-se em “Boato das quintas” ou seja , sacanagem anunciada. Todos sabiam tratar-se de notícias forjadas, no entanto, antevendo a ocorrência de um efeito manada, os integrantes do jogo raciocinavam mais ou menos assim: “Sei que não é verdade, mas ‘os outros’ vão entrar nessa onda, então é melhor antecipar-me”. A questão era apenas saber se já não se estava entrando tarde na tal onda, fato que só poderia ser verificado a posteriori. Para não perder a festa, a massa de manobra dos verdadeiramente espertos — envoltos até hoje no manto do anonimato, afinal, central de boatos não possui razão social nem endereço — fazia exatamente do que dela se esperava para gáudio dos lobos, sempre dispostos a tosquiar — tosquiem mas não matem era a ordem do dia — os trouxas de plantão.

Data da mesma época, rotular essas manifestações de “ruído”, termo tomado emprestado da teoria da Comunicação, segundo a qual: ruído é qualquer distúrbio ou perturbação que provoca perda de informação na veiculação de alguma mensagem.

Com o advento de uma era nunca antes vivida — nada há de espantoso nisso, já que ninguém chegou a viver hoje o dia de amanhã — a central de boatos deixou de existir, dando lugar à administração por balões de ensaio. Por exemplo, nossa TV digital, objeto de pensamentos em voz alta do Sr. Ministro da pasta, nossa BBC a caminho da perfeição etc.

Tratava-se de surtos pontuais, mas agora temos um fenômeno diferente.

Temos pela frente o chamado “ruído branco”. Antes que me acusem de escorregar no politicamente incorreto, direi que — se bem me lembro— se trata de um sinal aleatório com densidade espectral constante, ou seja, em qualquer faixa do espectro o sinal possui a mesma potência. Dito de outra forma, algo mais imprecisa, o ruído branco possui todas as freqüências.

Traduzindo, o ‘boato das quintas’, agora, ocorre todos os dias, dentro da estratégia de soltar uma nuvem de balões de ensaio. Um bom exemplo é o tal “fundo soberano’.

O Sr. Ministro da Fazenda consegue emitir com espantosa velocidade propostas que , ao fim e ao cabo, ficarão registrado no folclore dos mercados. Ora se fala em U$ 10 bi, ora são 15, agora, parece que serão 20. Logo a seguir, ouvimos que esse dinheiro sairá das reservas, para que na entrevista seguinte, em companhia do presidente do BC fique o dito pelo murmurado. Será uma captação isolada. Nada a ver com as reservas. Outro dinheiro. Com esse ato, estancaremos a queda da moeda americana que desagrada até a Gisele Bündchen, guru eventual das finanças internacionais. Dirão os tais “idiotas da objetividade” que o BC comprou até este ano umas dez vezes esse montante e não conseguiu evitar a queda do dólar, mas a eles respondemos, altivos: essa iniciativa será a panacéia. É hora de lembrar a piada que diz que por mais baixo que caia o dólar, vale a pena inclinarno-nos e tentar apanhá-lo.

Com essa grana, capitalizaremos o BNDES — que é grandinho o suficiente para captar sozinho, pagando até mais barato. Não, “pêra lá”, esse fundo dinamizará o PAC – esse mesmo PAC que por enquanto, até atingir sua velocidade de cruzeiro, não passa de uma lata amarrada no rabo de um cachorro. Um ruído dos diabos e... e a série de afirmações e desmentidos não cessa. Se isso incomoda os agentes financeiros, afeta nossa credibilidade, alimenta a especulação, pouco importa. Falar pelos cotovelos é preciso. Navegar? Enquanto houver uma onda a favor, navegaremos como ” nunca antes esse país” navegou. E se a borrasca se abater, a culpada será a de sempre: a herança maldita.

Vamos falar um pouco desse fundo, ainda não totalmente definido. Alguns países exportadores encontraram a solução para aplicar excedentes. Por exemplo, a Noruega criou um fundo, com fins específicos , para aproveitar a bonança resultante de exportações reais do petróleo arrancado das entranhas do Mar do Norte. Por enquanto nosso petróleo – lembrem-se; o petróleo é nosso- das jazidas gigantes, a exemplo do ‘gigante adormecido’, dorme o sonho dos justos a milhares de metros de profundidade, sem que haja uma clara definição nem da quantidade, nem da tecnologia que, algum dia o tornará comercializável. Como a leiteira da fábula de La Fontaine, já fazemos planos, melhor ainda: na falta desses recursos, vamos usar excedentes da arrecadação dos nossos sofridos impostos. Ter superávit nominal antes? Tivemos no primeiro trimestre de 2008. Isso basta, de acordo com o nosso sisudo Ministro da Fazenda.

Que seja. E como vamos aplicar, já que a idéia é comprar- e aí pouco importa se o operador será o Tesouro ou o BC? Os fundos soberanos que vemos por aí, aplicam de maneira mais agressiva, já que tomar dinheiro à taxa Selic e aplicar em títulos do tesouro americano – em tese, e só em tese desprovidos de risco (cala-te boca) – parece um carry trade de bom gosto discutível. Esses recursos seriam aplicados na compra de outros ativos. Imaginemos que seja em participações em ações do Citybank, a exemplo de que outros andaram fazendo. Comprar Citybank na bacia das almas parece bom negócio, mas, e se for necessário transformar essa aplicação em dólares para tapar os buracos nas nossas contas internacionais – ou alguém acha que o furo que é semanalmente revisado para cima é piada? Pode ser que essas ações estejam a caminho de um novo fundo do poço. Algum mal intencionado poderia até arriscar a pergunta: e se o tal fundo fosse aplicar nas reluzentes – um dia- ações da Bear Sterns? Falar que risco e retorno caminham em sentido contrário não chega a ser propriamente uma novidade. Talvez se trate de um anacronismo, quem sabe.

Falam também em financiar empresas brasileiras em busca da sonhada internacionalização. Brilhante, mas isso pode ser feito de outras maneiras. Em suma, até melhor explanado, temos aí um factóide. À garrulice de alguns seria preferível uma boa dose de reflexão. Se a arrecadação de impostos apresentar o excedente apontado pelos entendidos, com o risco de parecermos quadrados, seria uma idéia melhorar o perfil de nossa dívida. Quem sabe assim a Moody´s e a Fitch, ainda não persuadidas de que somos um país sério, seguirão o exemplo da Standard & Poors.


Alexandru Solomon é escritor, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas. Tem seu recente romance´Não basta sonhar` (Ed. Totalidade) disponível nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) e Laselva (www.laselva.com.br).

:: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 11h16
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Alta na Bolsa de Valores

Grau de investimento


   “Com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante”, filosofava Machado de Assis. O ensinamento, embora extraído de um texto no qual prevalece a ironia, mantém sua validade.

Depois de inúmeros suspiros, chegou esse bendito “grau de investimento”, outorgado pela S&P. É algo a ser festejado, sem dúvida, embora fosse oportuno não deixar que os pés abandonem o saudável contato com chão. Essa apreciação positiva de nossa economia, que irá proporcionar-nos uma série de vantagens, veio, por enquanto apenas de uma das três grandes. Mas como uma haveria de ser a primeira, que seja essa.

Abriu-se a possibilidade de vários fundos, para os quais o ‘grau de investimento’ é condição necessária para poder aplicar em determinado país, trazerem para cá seus preciosos caraminguás. Isso, em plena tempestade que sacode a maior economia do mundo.

A Bolsa de Valores festejou o acontecido, retratando, como sempre, a antecipação que os investidores fazem das benesses futuras. Ocorre que ninguém pode afirmar, no momento, qual será o impacto sobre os resultados futuros das empresas. Por enquanto, tudo se passa como se a luz verde de uma largada de GP de Fórmula 1 tenha sido acesa. Altas, baixas, realizações de lucros não constituem novidades. O índice Bovespa flertou com a barreira dos 70.000 pontos, objetivo que muitos julgavam atingível somente no final do ano. Estaria alcançado um patamar estável? Como prever?

 

 

Mais uma vez, jogamos o jogo de tentar antecipar resultados, o que é perfeitamente lícito, mesmo se o conjunto designado por “estrangeiros” não esteja composto por um bando de tontos, prestes a colocar a mão, perdão, a grana, em qualquer cumbuca. Pelo porte de nossa economia, há mais oportunidades do que em outras de melhor pontuação. No referencial da S&P não somos ainda uma Polônia – não vai aqui nenhuma falta de respeito – mas as notas não se pautam pelo tamanho das economias e sim pelo critério da confiabilidade.

Não ganhamos ainda uma “faixa preta” – no linguajar do judô, isso mais se assemelha a uma faixa verde. Há uma série de tarefas a serem cumpridas daqui para frente, e não se trata de atender aos caprichos de burocratas e, sim, procurar evoluir dentro de um roteiro pautado pelo bom-senso. Nesse ponto, o suíno de gênero feminino torce o segmento terminal de sua coluna.

As sugestões vindas da agência S&P não representam uma ingerência nos assuntos internos do Brasil. São apenas recomendações para podermos galgar mais degraus nessa escadinha virtuosa. A consolidação dos fundamentos macroeconômicos, até agora ao abrigo de fantasias que vicejam no Ministério da Fazenda e outros IPEAs foi prova do pragmatismo do Executivo.

Ninguém pode negar a existência de gargalos que tolhem o progresso de nossa economia e seria tedioso falar nos já exaustivamente repertoriados. Tedioso, porém, não de todo desnecessário.

Passada a justificada euforia, resta a tarefa de prosseguir num caminho que tem se mostrado acertado, evitar o canto das sereias “desenvolvimentistas” bem como os exageros contidos na litania contrária. Há evidências de que não estamos no meio de uma travessia isenta de riscos. Algumas contas de nossa economia estão marcadas pelo piscar de luzes de alerta. Prevalece no meio oficial a tendência de priorizar a analise de valores de determinados indicadores “no ponto”, sem levar em consideração as tendências, ou as derivadas, como diriam outros. Nossa balança comercial aponta um saldo positivo de algo como um terço do valor do mesmo período de 2007. No entanto, nenhuma projeção do saldo anual aponta para um saldo comercial inferior a 20 bilhões de dólares. Apesar disso, as contas externas, apesar de sua aparência saudável, acusam uma inegável deterioração, a inflação do feijãozinho, de acordo com o ministro Mantega, está presente; a arrecadação bate recordes, mas sufoca as empresas, os gastos do setor público não dão mostras de diminuir, a “burrocracia” cobra seu pedágio. Sobram lições de casa.

Transformar a mãe do PAC num “cachorro de lata ao rabo”, onde o tal PAC faz às vezes de lata pode gerar ruídos saudáveis,de palanque em palanque, mas não pode nos levar à beatitude do dever cumprido. O jogo continua.


Alexandru Solomon é escritor, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas. Tem seu recente romance´Não basta sonhar` (Ed. Totalidade) disponível nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) e Laselva (www.laselva.com.br).

 do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 17h17
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

O logro das grandes fortunas”


    "Alguém poderá dizer que isso não é sério, mas essa imbecilidade já foi aprovada um dia pelo Senado e, convenientemente foi esquecida na Câmara. E se, desta vez, passar?"

 

Imagine o caso de um indivíduo assalariado, honesto – não adianta sorrir, esses espécimes ainda existem! – pois bem, o tal indivíduo, bem remunerado, conseguiu seu apê de razoável padrão e uma poupança/aplicações no mercado de ações- que nos últimos anos premiou investidores normais com ganhos de até 1000% .

Pronto, o camarada bateu na marca do milhão fatídico que separa os pobres dos magnatas.

Nosso amigo foi mordido pelo IR anualmente – já que ele não sonegou, nem há méritos especiais nisso, já que a mordida era na fonte.

Vem aí – inspirado por FHC – o sempre combativo PT e arma a gritaria em torno desse tributo.

Bem é uma "tritributação".

Inicialmente, tributou-se o fluxo, via IR – nem falo de outras mordidas como, por exemplo, a do INSS, incapaz hoje de honrar seus compromissos.

Em seguida, vem a tributação sobre o estoque, via IPTU, IPVA supostamente para manter a cidade limpa e os carros não poluentes...

Não contente com isso, o legislador parte para mais uma rodada e propõe tributar novamente o estoque, já que a alíquota incidirá sobre grana e patrimônio imobilizado – talvez até sobre o jazigo adquirido por pais receosos de misturar o alívio da partida ao corre-corre da compra, a galope, do local de eterno descanso. Como diz Woody Allen, somente diferente do sono por não ser mais necessário levantar para fazer pipi.

Os advogados devem estar festejando isso, pois os que realmente dispõem de recursos criarão sociedades de gaveta, com capital de 1.000 dólares, que assumirão a fortuna – já que a 'venda' para a sociedade de quem o moderno Creso é controlador poderá ser feita a qualquer preço, e, pronto, não há mais o que morder. Ou então, um cidadão enfurecido resolve deixar essa terra, apesar de o gorjeio das aves daqui ser de incomparável qualidade e o verde das planícies superar o das mais perfeitas esmeraldas – a Canção do Exílio é anterior ao atual desmatamento... Veja os tenistas e corredores de F1 que moram em Mônaco, ou o Johnny Halliday, que virou belga, etc., etc

Pronto. O que a viúva leva com isso, além de depenar os desavisados?

Respostas para meu endereço eletrônico.

Alguém poderá dizer que isso não é sério, mas essa imbecilidade já foi aprovada um dia pelo Senado e, convenientemente, foi esquecida na Câmara.

E se, desta vez, passar?

Dirão que é uma aplicação do princípio Robin Hood, mas isso aqui não é a floresta de Sherwood. Ou é?


*Alexandru Solomon é escritor, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas. Tem seu recente romance´Não basta sonhar` (Ed. Totalidade) disponível nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) e Laselva (www.laselva.com.br).

  asolo@alexandru.com.br




Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

Balelas contemporâneas

 

 

Vivemos rodeados por uma série de versões estapafúrdias da verdade. Muitas vezes temos a impressão de sermos considerados perfeitos idiotas, se é que há algo perfeito neste planeta. O noticiário dos últimos dias ilustra à farta essa constatação.

Alguns exemplos.

 

 

Devastação da Amazônia. Sem querer colocar em dúvida o diagnóstico presidencial, que afirma não se tratar de câncer e sim de coceira, ou, no máximo de um tumorzinho, causa espanto o fato de um órgão do porte de um INPE, sinônimo de excelência, patinar da forma que os jornais estamparam.

Ora a sigla um encontra um resultado, ora a sigla dois – orientada especificamente para medir a devastação - fornece um dado diferente. Para variar, entre os "não sabíamos" e "houve erro" a notícia é digerida com dificuldade. Hoje, um internauta paciente dispõe de softwares que possibilitam visualizar áreas específicas com a precisão dos levantamentos aerofotogramétricos de outras épocas. Ninguém percebeu o que estava ocorrendo? Um fato é certo: a devastação existe. Determinar se é crescente ou não, não é um desafio intransponível, sendo que ambas as hipóteses devem ser rejeitadas. Devastar menos no ano X do que no ano X-1 não consola ninguém.

O caso dos cartões corporativos. Só não vê quem não quer. A infeliz ministra Matilde Ribeiro não é a única culpada. De fato, por não ter seu ministério uma estrutura adequada nos vários Estados, ela teve de incorrer em despesas que no caso de outros ministros não precisariam desse expediente. Resta saber se as viagens de Sua Excelência eram realmente necessárias, para não perguntarmos com candura se o próprio ministério possui alguma utilidade.

Eticamente, fazer compras em free shop com esse cartão é uma aberração. Ela foi mal orientada, perdeu o cargo e agora, vamos esquecer? Como? Na linha das balelas surge a justificativa para uma despesa de R$ 500 de outro ministro, nem importa mencioná-lo, que teria oferecido uma ágape a 30 visitantes chineses. Apesar da reputação de sobriedade dos comensais, a única hipótese viável é que racharam a conta, ou não eram 30 os convidados, ou foram ao Mc Donald´s.

O caso VALE+XSTRATA. A possível compra da XSTRATA encontrou uma forte oposição de segmentos nacionalistas, sob a alegação de que a nova empresa poderia sair do País e que a União perderia sua força. São os mesmos que vituperaram e até plebiscito promoveram, em momentos diferentes para se opor à privatização. O que se vê? Apesar de privatizada, a Vale não fugiu daqui deixando um buraco no subsolo eum bando de viúvas perguntando onde está Wally. Na montagem da compra seriam usadas ações preferenciais, o que não alteraria o controle, e, finalmente, por dispor de uma Golden Share, a União poderá sempre vetar a transformação da empresa numa rede de barbearias. Isso sem contar com o poder de "persuasão" da União sobre a PREVI e o BNDESpar, acionista de peso com assento no Conselho de Administração – quem duvida disso, pode levantar a mão. Falar bobagens faz parte do jogo democrático. Falar inverdades só se justifica em caso de desconhecimento – é a forma que encontro para pedir desculpas, caso tenha cometido algum escandaloso engano.

A lista não pára por aqui. E o nosso sistema de TV digital, cuja escolha deveria ter como contrapartida uma fábrica de semicondutores? E nossa TV Pública que não decola e que seria uma BBC? E as juras de que não haveria criação/aumento de impostos depois da extinção da CP(?)MF? E o lepitopi de 100 U$D? E a normalização do caos nos aeroportos com prazos jamais respeitados? E...

E para evitar que a locução adverbial "Nuncaantesnestepaís" seja apenas privilégio nosso, vale notar mais um absurdo galáctico. Alguém em sã consciência pode acreditar que o talentoso Jerome Kerviel agiu sozinho, manipulando algo como 50 bi - já nem importa mais saber se de dólares ou de euros - sem que os superiores tenham notado? Não foi uma operação que tenha levado um dia. O novo Leeson- aquele que quebrou o banco Barings - mexeu com um Itaú de grana e não houve quem fizesse uma verificaçãozinha. O garoto brincava, não era hora de perturbar.

Fatos como esses enriquecem o Febeapla (festival de besteiras que assola o planeta) como síria o saudoso Stanislaw Ponte Preta e mantém, ou deveriam manter em estado de alerta nossas mentes.

 


Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` e o recente romance´Não basta sonhar` (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) e Laselva (www.laselva.com.br).



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 11h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

Nostradamus e a Bolsa de Valores

 

Há aproximadamente um ano, escrevi um artigo intitulado: IPO e oba-oba, no qual procurei alertar quanto à existência dos perigos que rondam os novatos, embalados pela perspectiva ilusória de ganhos fáceis. Na oportunidade afirmava que ser prudente não significa ficar fora da festa, apenas ouvir com alguma desconfiança o eterno bordão: Agora as coisas são diferentes.

Claro que são. Estamos em 2008. As tragédias do passado não irão repetir-se da mesma forma. No entanto, os mecanismos que regem a mente humana continuam os mesmos. À guisa de conclusão afirmei: "Como sempre, os apelos à memória valem quanto pesam - nenhuma alusão à ação ou ao sabonete Phebo (cujo bordão mercadológico era esse) -, ou seja, nada. Mas são homenagens divertidas a Mnemósine - deusa da memória - praticadas por aqueles que fazem da vida um bom passa-tempo."

No momento, a economia mundial experimenta uma chacoalhada notável. Tudo começou com a famosa crise do sub-prime - hipotecas de alto risco, devido à falta de exigências de garantias.

Alguns deram de ombros. Problema da Countrywide Financial - a instituição que balançou primeiro. Era apenas um resfriado, não havia motivo para pânico. Mesmo assim, os índices das Bolsas experimentaram um soluço. Bem feito para os especuladores!" E nós com isso?" era a frase mais freqüentemente ouvida. Aos poucos, alastrou-se a percepção de que não era tão simples assim. Devido a mecanismos "perversos", as dívidas impagáveis tinham sido empacotadas em novas embalagens cujo "rating" AAA as espalhou nas carteiras dos grandes bancos. Não apenas nos Estados Unidos. A tremedeira generalizou-se. Vieram prejuízos monumentais de instituições financeiras - desnecessário enumerá-los-, e, aos poucos, houve quem percebesse que o resfriado adquirira dimensão de pneumonia.

Por aqui, ainda se falava: "E nós com isso?", brandindo nosso escudo de mais de 180 bilhões de dólares de reservas. "Nossa economia é forte, resiliente, dinâmica, em pleno crescimento sustentado". De que maneira a merecida lição infligida aos especuladores ianques poderia afetar-nos? Afinal, mesmo se a palavra maldita "recessão" se aplicasse à economia ianque, qual o nosso problema já que para lá escoamos menos que um quarto de nossas exportações?

 

 

Um pouco de reflexão mostrou que uma possível recessão - os profetas falam com a certeza de modernas pitonisas numa probabilidade de 50% para que a recessão ocorra - norte-americana implicaria numa redução das exportações dos demais países TAMBÉM para a economia cambaleante da terra do Tio Sam. E esses exportadores, cruel ironia também importam do Brasil. O moderador de apetite atuaria sobre eles...

Sem falar em desastre à vista, é possível que a pancada seja mais forte do que se previra. Os insaciáveis chineses passariam a importar menos minério de ferro, ou endureceriam nas negociações etc. Algum desemprego no mundo terá reflexo na nossa taxa de crescimento, apesar das mensagens tranqüilizadoras das autoridades - que diga-se de passagem, têm o dever de procurar acalmar o nervosismo. " O crescimento do nosso mercado interno é nossa melhor garantia". Um cético diria que nosso mercado interno baseia-se no crescimento do poder aquisitivo, entre outros, daqueles que labutam em indústrias exportadoras. Mas isso é detalhe. Quem preferir acreditar que "Nunca antes neste País" houve semelhante bonança, que o faça.

A nossa Bolsa de Valores, como todo bom termômetro assimilou as notícias. Se há ou não exagero na reação, saberemos um dia. No momento, em época de ventania, nem sempre é razoável navegar a todo pano. Por conta da globalização, há uma total interpenetração entre as Bolsas mundiais. Várias ações brasileiras são negociadas pelo mundo afora em volumes superiores aos que se verificam por aqui. O mecanismo de formação dos preços leva em conta o aperto no sapato de seres que, nem sabem direito onde fica o Brasil.

O senhor Joe, recém desempregado em Houston-Texas, que ainda não pagou sua casa, descobre que o valor de sua dívida é superior ao valor do imóvel financiado. Se tiver alguma reserva em ações, irá vender seu fundo agressivo- o sobrinho que entende de Bolsa aconselhou-o a comprar e agora nem atende o telefone.

Bancos americanos, por exemplo o Citybank, procuram se livrar de ativos brasileiros para enfrentar a tormenta. Para dar um tom de maior dramaticidade, alguns ícones como o Citi, ou Merrilll Lynch, convidaram seus executivos máximos a sair de cena. Os substitutos, provavelmente, jogaram todo o "lixo" no balanço deste último quartil, para poder mostrar serviço nos próximos. Só que a má notícia do desempenho calamitoso correu o mundo e provocou novas baixas. Os "estrangeiros" procuram a porta de saída, que não dá vazão a todos os apavorados, que ao ouvir o grito "fogo" abandonam o circo sem procurar saber se o incêndio ocorreu e se pode ou não ser controlado.

A senhora Mary, residente em Oklahoma, aposentada, descobre que, ao fazer as contas de tantas ações vezes tantos dólares, ficou bem mais pobre, adia a compra da nova TV e deixa de comprar o novo computador do netinho. Ele que brinque com o dos pais.

Diz a lenda, afinal, recordar é viver, que num coquetel organizado pela Bolsa do Rio - lá por volta de 1971 - apareceu um garçom, anunciando "Encontrou-se a chave de um veículo Volkswagen, o proprietário poderá retirá-la na recepção". A mesma fonte sustenta que a resposta veio em coro:

"Aqui ninguém tem esse tipo de calhambeque".

Por que digo que a história se repete? Simples. Vamos pegar dois reluzentes IPOs. O da Bovespa Holding e o da BM&F. No lançamento de ações da Bovespa a R$ 23, no primeiro dia os flippers - aqueles que aproveitam o lançamento para vender ações que mal acabam de pagar embolsaram uns 50%. Hoje a ação está flertando com os níveis do lançamento. Aos que pagaram os 50% a mais, resta o consolo de que a longo prazo, não estarão mortos, conforme ironizava Lord Keynes, mas terão lucros. Resta saber quando e se poderão agüentar até lá. Aos que se acotovelaram para comprar ações em lançamento da BM&F - o entusiasmo foi tamanho que as ovelhas receberam apenas 91 ações a 17R$ - resta a triste constatação que as ações valem menos do que na data do lançamento, algo por volta dos 15R$. Isso para não falar naqueles que compraram no primeiro dia e pagaram 25R$.

Passando em revista o desempenho dos IPOs do ano passado, mais da metade apresenta desempenho aflitivo. Para definição de 'Aflitivo", é melhor não quantificar, e seguir a definição do Houaiss; "que provoca aflição; afligente, doloroso."

Chegou o fim do mundo?

Obviamente não. As economias mundiais passarão por um aperto, cuja extensão seria prematuro avaliar e, depois de mais sacolejos, estará aberto o caminho para um novo ciclo de expansão. Virão novos alertas quanto à "Exuberância irracional", "Tudo que sobe, um dia há de cair" e outras profecias sem risco do mesmo tipo.

O jogo terminou provisoriamente para aqueles que decidirem vender com prejuízo no meio de juras: Tereza, nunca mais! Quem souber surfar nessa onda, tem chance de recuperar. Ou não? Eis a dúvida. Certamente que aqueles que venderem com prejuízo, com prejuízo ficarão, e amaldiçoarão os noticiários a respeito da solidez dos fundamentos.

Para finalizar, preciso justificar o título do artigo.

Desde sempre, prever o futuro foi uma tentação à qual ninguém escapou. Não serei eu a exceção.

No passado, Croisos indagou ao oráculo de Delfos se deveria atacar o império persa, sob o comando do rei Ciros. Movido por uma resposta ambígua, os lídios atacaram os persas e foram derrotados, tendo a sua capital Sardes saqueada e ocupada pelos soldados de Ciros, fechando assim o ciclo de vinganças dos deuses contra o rei lídio. Este termina seus dias admitindo que suas desgraças foram fruto de castigo divino por sua soberba. O próprio oráculo é inocentado por Heródoto de qualquer responsabilidade quanto à derrota lídia. A pitonisa havia dito que, caso Croisos atacasse Ciros, um grande império cairia, não especificando qual. O rei lídio sentiu-se enganado pela resposta dada pelo oráculo, mas o historiador Heródoto discorda das críticas e reafirma a veracidade das mensagens oraculares. É como se dissermos hoje: Comprar ações da EmpresaX (não vou dar dicas) será o início de uma grande fortuna. Resta saber se para o vendedor ou para o comprador.

E Nostradamus?

Ora, existe algo mais ambíguo do que as profecias dele? Com alguma flexibilidade na interpretação, poderemos encontrar uma quadra na qual esteja previsto o resfriado do filho do padeiro da esquina. Então, para ter êxito nessa situação confusa, não é de todo absurdo voltar ao livro , e lá encontrar o caminho para a fortuna, que como todos sabem, sorri aos audaciosos e aos "bargain hunters". Que esse sorriso é mais misterioso do que o da Mona Lisa é outra história.



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 13h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Comentário

Impacto de Correção 

Sobre esse assunto O Estado (31/5 B7) noticia que segundo advogados os bancos teriam de pagar 1,9 trilhão aos poupadores.Não é a primeira vez que esse número aparece Sem entrar no mérito de quem deva suportar o ônus dessa correção que estaria preocupando o ministro Mantega, o número apresentado é um absurdo total, já que é da ordem de grandeza do PIB brasileiro.

 



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 12h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Artigo

Azelite



Eis aí um flagelo moderno, combatido com denodo pelo nosso guia luminoso. Azelite é um quadro clínico, estudado nos laboratórios presidenciais.

Sabe-se que é causado por um vírus chamado 'instrução', mas pode ser o resultado de uma condição financeira OOS (out of shit), violentamente repudiada pelos tribunos do show-mico de nossa política.

Nosso guia luminoso, a seguir designado pela sigla NGL, possui uma biografia resumida em dois trabalhos antológicos. O primeiro inclui os feitos, proezas, realizações, façanhas e outros gargarejos - tudo contido em 3 páginas, sendo uma de rosto e a outra reservada a anotações. No segundo, os biógrafos anexaram o histórico escolar e as leituras de NGL. Curiosamente, ambos os trabalhos têm o mesmo número de páginas. Está no prelo uma edição atualizada das gafes de NGL. São 100 páginas de puro prazer masoquista.

 

 


A respeito da Azelite ( do latim vulgar - as elites), o ódio que inspira, bem como o freqüente atropelo desse inimigo do povo, que é o plural, faz com que NGL designe seus portadores apenas por "eles".

"Eles" devem ser combatidos. "Eles" estão com raiva. "Eles", enfim são a encarnação do mal.

Nesse combate, NGL mostrou todo o charme e o veneno requerido a um GL de verdade. A condição primordial é a amnésia, seguida de perto da ablepsia seletiva. NGL não sabe, não se lembra e não vê aquilo que possa turvar-lhe a sesta - básica naturalmente. Quando puxado pela manga, sempre que a referida manga entra na sopa, como toda mosca desatenta, de imediato emite a SCP - senha da conservação no poder: Não sei, não vi, não me lembro, punam-se os culpados.

A última parte da SCP resultou repetidos strikes nas fileiras dos seguidores do NGL. Os pinos derrubados - foram conservados carinhosamente, para uso futuro, quando o reinado da deusa Amnésia estiver garantido entre os guiados luminosamente.

Alguns poderiam achar excessivamente drástica a atitude de NGL em diagnosticar, em seres decentes, manifestações de Azelite. Como em breve rezarão os manuais escolares, preparados pelos companheiros de NGL, quem se opuser de alguma forma ao NGL, então já promovido a NQGL - nosso querido guia luminoso - será declarado portador de Azelite e, conseqüentemente, exposto à ira popular.

Nunca antes, no reino do Absurdistão, houve uma penca de maravilhas comparável àquela com a qual NGL brindou o universo em geral e o Absurdistão, em particular.

NGL teria feito bem mais não fosse a epidemia de Azelite a causar problemas. Com a erradicação no estilo Castro (do francês casse trop) ainda em estudo, resta a NGL o belo monólogo televisivo com o qual encanta os não portadores de Azelite e, por que negar, alguns portadores de Azelite, causada pelo vibrião oportunista.

Voltado para o futuro, NGL sabe que os strikes (no boliche e nas fábricas) continuarão, mesmo se nos próximos orçamentos incluir entre receitas extraordinárias ganhos na mega, descobertas de minas de ouro etc. Restará então a NGL exercer o poder desacompanhado.

Qual é mesmo o nome dessa forma de governo?


http://blogdoalexandrusolomon.blog.terra.com.br

http://www.uniblog.com.br/alexandru_solomon

 



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Categorias
Todas as mensagens Crônicas Política Poesia



Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Uniblog do Alexandru Solomon
 Blog do Alexandru Solomon Terra
 Mundo Mulher
 Guia Assis - On Line
 Moda&Beleza
 Charges Diogo Salles
 Revista Fator Brasil
 Editora Totalidade
 Jornal da Paulista