A crônica do Alexandru Solomon

Poesia


    Aguns talvez se lembrem do meu livro DESESPERO PROVISÓRIO, premiado na Sicília, com um primeiro lugar na sua categoria. Acabo de saber que ele acaba de ganhar um honroso segundo lugar - acho que não é motivo de desespero, nem mesmo provisório, num concurso na Suíça.

Mas não é sobre isso que desejo falar, uma vez que já falei.

Fico pasmo com a caça aos neologismos. Tudo bem que Sale em vez de Liquidação não seja uma maravilha, mas "est modus in rebus' - há limite para tudo. Eis uma poesia daquele volume, com a necessária atualização.

 

 

...E a caravana passa

 

Ao citar a flor do Lácio, dizem ser inculta e bela,

Brilha em qualquer desfile, sobre qualquer passarela,

Temo ouvir o que diria um fanático purista,

Mas possuo um argumento, e torçamos que resista.

 

Mesmo ao comungar do credo, me ocorre um reparo.

Essa tal ortodoxia muitas vezes custa caro.

Se limpar vocabulário, há de se tornar mania.

O rigor desse excesso leva à xenofobia.

 

Rejeitando, por princípio, uma citação latina,

Sob pretexto de que ofende os ouvidos, a retina,

Se alguém disser “sic transit”, será logo excomungado?

E um “Alea jacta est”, senhores, representa um pecado?

 

“Quousque tandem Catilina” será prova de mau gosto?

Um “Quo vadis”, “Vade retro” serão fonte de desgosto?

Sem haver “Habeas corpus”, que farão os advogados?

Por um “Dura lex” à-toa, ficarão desempregados?

 

O problema se complica, não vivemos isolados.

Os afoitos decretaram fomos já colonizados.

A tal ponto que, de modo totalmente extravagante,

Quem usar neologismos leva estigma de pedante.

 

Ou será que doravante nunca gritaremos Gol!

E diremos ludopédio, abolindo futebol?

Algo acabar em pizza é um termo consagrado.

Até álgebra, senhores, deverá ser evitado?

 

Um ou outro novo termo poderá ser extirpado.

Deletar, até concordo, pode ser eliminado.

Mas o tal “bug do milênio” teve seu lugar ao sol.

E não houve alternativa, só programas em COBOL.

 

Esqueceram, “data venia”, que um “bit” é abreviatura,

Traduzir por “pedacinho” tudo em nome da cultura,

Que supõe que só tem aves que gorjeiam por aqui,

Deixa-nos só as palmeiras, quanto ao resto “C”est fini”

 

PARA ATUALIZAR...

 

Todas essas bizarrices, procurar em ovo pelo

Encontraram um ilustre defensor: Aldo Rebelo

Surge novo integrante da magnífica legião

Um governador de peso : O Roberto Requião

 


*Alexandru Solomon também é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, (´Desespero Provisório`) , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h58
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Os psis tem razão?

 

Papo com o analista


De que serve o juízo, consagrada letra morta?

A exemplo do cachimbo, sempre deixa a boca torta.

E por sermos desconfiados e julgarmo-nos melhores

Fracassamos tristemente em negócios e amores.


Essa frase me foi dita, pelo meu psicanalista.

Quase colocou em xeque o meu lado otimista.

Rejeitei esse enfoque descabido, extravagante.

Prosseguindo a tertúlia, assim disse o pedante:


Ignorar surradas regras para novas aventuras

Quase sempre será causa de vazias conjeturas.

Ao pensarmos que o raio não repete seu destino

Incidimos num engano, pior mesmo, desatino.


Retruquei, em tom polido, que havia um engano.

Considero o intelecto absoluto, suserano.

Chame-o de Superego, se assim o preferir.

É apenas um detalhe. Nisso, não vou insistir.


Se acharmos que o oposto é o evento mais provável

O cochilo é parecido, igualmente lamentável.

Apostar tudo na dita? Botar fé no pára-raios?

Repetir o mesmo mantra, impotentes papagaios?


Assumir que preguiçoso, o acaso tirou férias?

E, portanto, que inertes ante a fonte de misérias,

Inconscientes, repetimos velhos erros outra vez?

Agradar ao analista e abdicar da sensatez?


Se for essa a verdade tudo o mais se simplifica.

Se o tal do inconsciente nos domina, como fica

Por exemplo, a experiência, o domínio da razão?

Nada valem colocados frente a qualquer emoção?


Peço vênia, estrebucho: algo aqui está errado.

Repetir o mesmo engano, só se fosse o aloprado

Do qual tanto fala Lula, nosso guia luminoso.

(Por momentos, perco o rumo. Torno-me atrabilioso)


Como se a experiência fosse simples desperdício

Incapaz de impedir-nos a reincidir no vício.

E pagar para podermos debitar o inconsciente

Que domina nossos atos, obnubila-nos a mente?


Quem quiser picar dinheiro, que o faça, não impeço

Colocar eternas aspas? Nisso não sou réu confesso.

Por sinal qual é a graça de não ter reviravolta?

Doutor Freud, não fique bravo, quero o meu cheque de volta!


Alexandru Solomon, empresário, escritor tem seu mais recente livro´Não basta sonhar` (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br) e Laselva (www.laselva.com.br).



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h02
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Livro Lançamento

Livro Lançamento

 Não basta sonhar

autor: Alexandru Solomon

Editora totalidade


Data 9- out-2007

a partir das 19 horas


Local- Livraria Laselva - Villa Daslu

Rua Chedid Jaffet,131


Estacionamento Gratuito

 

 

 


Sobre o livro


Tudo começa com o sonho do garoto Alfredo, que, de início, não mereceu muito crédito. Os protagonistas partem para resgatar um hipotético tesouro que teria pertencido à família de marranos Mendes- ricos cristão-novos perseguidos pela Inquisição na virada do século XV. História, realidade e ficção se mesclam, sendo que a verdade histórica foi respeitada rigorosamente, a menos de um pormenor. Como a ação se desenrola na atualidade, não faltam os ingredientes da modernidade, adultério, caixa dois, chantagem, contrabando e outros acepipes tão próprios do mundo contemporãneo. Os personagem passam por Paris e Bucareste até que, finalmente... finalmente, o livro recebeu prêmio especial para Romance estrangeiro no concurso de 2007 da Accademia Il Convivio, na Sicilia.



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 14h07
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Versos

Guia da mulher fútil


Para que atormentar-se? É melhor falar às claras./ É sabido que o mundo resumido está em Caras.

Basta ler de cabo a rabo o que consta da revista/ E abandonar pra sempre o enfoque pessimista.


Nada há mais importante do que estar sempre malhada/ Desse jeito, a idade será sempre derrotada.

Para bem viver a vida ao diabo a seriedade./ Vale só a boa forma, derrotar a gravidade.


Pitanguy e outros magos são os deuses do momento,/ Uma lipo, uma drenagem, lá vem o emagrecimento

Doutor Atkins nos quilinhos foi baixando o sarrafo/ O milagre é visível; incomoda só o bafo.


Ao sorrir, eventualmente, aparece uma ruga/ O remédio necessário é champanhe e Beluga.

Importante, sobretudo, não ceder ao assomo/ E por isso é necessário contratar um bom mordomo.


Para escargots, querida, use sempre a engenhoca/ Se escapulir um deles, não se livra da fofoca.

Mesmo se estiver trajada com o mais belo Chanel./ Sobrará maledicência, malharão seu coquetel.


Note bem, não se esqueça a idade é aziaga/ Atualizada sempre, não mais vista Balenciaga!

Por você ser jóia rara, que ridículo seria/ Esconder seu solitário e usar bijuteria.


Ah, Natura, Boticário isso vale pra a plebe./ Dê à sua empregada; porque ela não percebe,

E daí que a Natura já se vende em Paris?/ Falta ainda um bocado pra chegar a Ysatis.


Bronzeado é saúde. Dá um brilho peculiar/ Pra fugir do melanoma, use protetor solar.

Clinicas de alto nível minimizam seu tormento./ Para as praias, substituto. Centro de bronzeamento!


Pode ser que de repente se encante com Botox/ Só que o Botox nivela, como a máquina Xerox.

Um detonador de rugas, em verdade, ele é./ Facilitará as compras Rue Faubourg Saint Honoré


Mesmo lá, não se entusiasme. Claro, é melhor que Sack´s./ Se o dinheiro ficar curto, mande pro Brasil um fax

Solicite um reforço, não é um deslustro não./ O constrangedor seria comprar em liquidação.


Enfrentar tantos problemas é um peso desmedido/ E por isso desde sempre inventaram o marido.

Que resolverá seu drama, emitindo logo um cheque./ Percebeu que na escolha não há vaga pra moleque?


Fuja sempre da pobreza; e descarte o namorico./ Nada a ver um proletário. Viva o marido rico.

Pode ser que, mesmo pobre, ache graça num amante./ Dê-lhe então, banho de loja no “Mendigo elegante”


Muitas vezes seus problemas dificultam-lhe o dia/ Mas é tola a inquietude, parta já pra terapia.

Viva sempre o momento Carpe diem, não hesite/ Com o Psi dando luz verde, você vira dinamite.


E esqueça-se de Luma, e do caso do bombeiro/ Foi só pra chamar manchete, esse idílio no chuveiro.

Seja sempre objetiva, escolhendo novo amor./ Mas se um bíceps a fascina, pegue um estivador.


Digo-lhe: seja prudente. Se não sabe, eu explico./ Aí mora o perigo, que se chama mexerico.

Espalhado por amigas ou por qualquer um que seja./ E já sabe o motivo. Farão isso por inveja.


Não se apegue em demasia, o perigo é total,/ Curta, mas sem exagero, caia logo na real.

Fraquejar, perder controle, não se usa hoje em dia./ Para esquecer o gajo, corra pra academia.


Um leg press, ou um haltere, ou aquela plataforma/ Passe uma boa hora, para garantir a forma.

Quero ver se, em seguida, bem suada, com calor./ Não irá mandar às favas esse tal estivador.


Finalmente, já curada, após esse acidente,/ Sobra um certo vazio, a lhe atormentar a mente.

Tente então uma leitura, Schopenhauer, Jorge Amado/ E, se entrevistada, diga que adora o Machado.


Ao dizê-lo, não se esqueça, fale em tom de brincadeira/ Ajeitando seu cabelo, valorize a pulseira.

Para íntimos, amigos, mesmo para conhecidos./ Diga que às vezes sonha ser a Flor de dois maridos.



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h32
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Versinhos

Explicações

Hoje em dia o holismo é a grande abordagem - / Por exemplo, ver floresta não apenas um arbusto-

Fez os nossos pensadores alterarem a mensagem / Que espalham, pelo mundo, válida a qualquer custo.


Por acaso, um belo dia, foi me dado o privilégio / De tomar conhecimento que não houve retrocesso

Duvidar da teoria - que enorme sacrilégio- / Inexistem, pois, motivos para me quedar possesso.


É sabido que a média sempre esconde dissabores. / Se, no forno, a cabeça colocar - Ah que calor!

Mas mantendo na banquisa, os preciosos posteriores / "Queixa-zero", a conseqüência? Paradoxo enganador!


Com metódica paciência, explicou-me a sereia, / Em holística abordagem, para entender melhor:

Generalizando, a média, sempre na global aldeia. / Progrediu, carrega o santo, no seu proverbial andor.


Meu quinhão experimenta um decréscimo patente. / E não haverá consolo se beneficiei alguém.

Compensou a minha perda, mas o fez perfidamente. / Compartilho a benquerença, só não me contou com quem!


Sobrevive um busílis, é o cerne do problema. / Cá está meu egoísmo, protestando com ardor.

O holismo que se dane, abomino o sistema, / Que socializou meu drama, e privou-me de amor.


Sei, diminuiu seu risco de se expor em demasia. / Entendi, mas não aceito nunca hei de aceitar.

Ver a chama palpitando em patente agonia, / E ouvir que não há outro e que devo me acalmar.


Contabilizou ternura e, medindo, me afirma / Que agora o somatório progrediu, está maior

No entanto, perguntada, cala-se e não confirma / Que sobrou para terceiros, nega o complicador.


Qual a dúvida? - pergunta - com sorriso inocente / O que era cem um dia, hoje vale conto e dez

O progresso foi notável me parece evidente. / Mas, o meu noventa e nove, hoje em dia, vale dez.

Se falar em socialismo, fornecer o necessário, / O seu capital de afeto mal atende a divisão.

Veja bem, não sou marxista e tampouco proletário. / Quem um dia tudo teve, não aceita partição.


Alexandru Solomon, autor de Almanaque Anacrônico´, ´Apetite Famélico´, ´Mãos Outonais´, ´Sessão da Tarde´ e ´Desespero Provisório´.
Confira na livraria PEGA-SONHO - Rua Martinico Prado, 372 SP – F:(11) 36682107.



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h37
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