Maratona Nova Iorque 2009
Da largada à chegada o desafio de sempre ir além

Tive o prazer de participar da maratona de Nova Iorque. Apesar de ser a 19a vez que cumpro essa prazerosa' tarefa', ela é sempre motivo de alegrias imprevisíveis.
Como já disse repetidas vezes, um cidadão respeitável – acho que o sou – não corre para ganhar. Seria muita pretensão. Com o passar dos anos, melhorar sua marca pessoal torna-se cada vez mais improvável. Então? Ora, é muito gratificante fazer parte da festa, sentir o apoio daquela massa de torcedores que lá estão gritando palavras amigas, transmitindo a tal energia positiva, tão necessária. Não pretendo ser original ao afirmar ser essa maratona ÚNICA. Desde o ano passado, a organização procurou resolver o problema da largada super-aglomerada. Os corredores largam em 'ondas' . Assim, a primeira largou às 9h40, a segunda, às 10h e a terceirta, às 10h20. Leitor de Alvin Tofler, larguei na Terceira Onda – com o perdão do trocadilho. De fato, a largada foi mais tranquila, embora em nenhuma edição anterior, eu tenha tido motivo de reclamação.
O principal inconveniente é passar debaixo do cronômetro que encima o arco da chegada e sair 'mal' na foto. Para os 'terceirondistas' há o acréscimo óbvio de 40 minutos... Como os corredores correm com um 'chip' – isso já é uma constante em qualquer corrida de rua que se preze – o que vale é o tempo líquido. Mas vá explicar que correu em menos de 5 horas se o relógio aponta 5h41minutos!
Para efeito estatístico, concluí a prova em 4h58min12 segundos atrás de mais de 30.000 outros, mas, ainda assim ultrapassei alguns milhares. Isso sem contar que melhorei minha marca do ano anterior em 1min45 segundos!
A nota engraçada ocorreu antes da largada.
Até este ano a imensa maioria dos corredores alojada em Manhattan pegava um ônibus em frente a Biblioteca da 5a avenida – uma operação que envolve centenas de ônibus – e assim chegavam à concentração em Statten Island, e onde percorreriam os 42km195m para chegar em Manhattan, não muito longe do ponto de partida. Peço aos engraçados dispostos a perguntar "pra que fazer tanta força se é para chegar tão perto de onde saiu", que se abstenham.
Este ano inovaram. Alguns deveriam pegar o ferry na extremidade sul de Manhattan. No meu número de peito constava "ferry". Como toda novidade, essa gerou-me um stress. Acharia um táxi – bobagem, claro – mas era uma preocupação adicional. A solução veio de maneira inusitada. Sabia que no hotel havia uma delegação enorme de espanhois que sairia em ônibus próprio. Resolvi tentar a 'suerte'. Cheguei junto à pessoa que gritava mais alto, empunhando uma lista e perguntei se, pagando 'por supuesto', não poderiam me levar.
Se houver lugar, com certeza, disse-me.
Eis que chega um bus. Encheu em menos tempo que levei para teclar este fato.
Que azar!
Espere, disse-me a fada autoritária, ". Hay un otro"
Chegou o "otro' e, aparentemente, encheu.
Hay una vaga!
"El", gritou a doce tirana. E assim embarquei, em meio a um mar de agasalhos vermelhos – a cor da Fúria e também desses corredores.
"Pour la petite histoire", como dizem os patrícios de Gaulle, – ou à guisa de nota de rodapé – Ingrid me contou que uns 5 minutos após termos 'zarpado', chegou um 'agasalho vermelho' dentro do qual , um retardatário constatou seu azar. Não tenho dúvida de que ele tenha se virado para alcançar a largada.
Alexandru Solomon, escritor.



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