Conversa (des)afinada
ATERRO SANITÁRIO DE NOSSA POLÍTICA Por mais indulgente que seja nossa apreciação, uma conclusão tende a prevalecer. Estamos diante de um gigantesco aterro sanitário, no qual está empilhado o lixo gerado pela atividade política dos últimos anos. Se é de um tamanho como nunca antes a História tenha registrado, ou não, chega a ser irrelevante. Não vamos bater nas teclas gastas do mensalão, aloprados, e outros escândalos relegados a um imerecido esquecimento. Não será preciso. O processo de renovação do lixo é contínuo, com o empilhamento constante de novas camadas de detritos. Para aqueles que se preocupam com a ecologia, uma preocupação a mais. Não se trata de lixo reciclável. É comum, após cometer uma tolice, praticar quatro outras na tentativa de reabilitá-la, ensina Baltasar Gracián. Será que para apagar as quatro outras seriam necessárias dezesseis adicionais, perguntará o cínico. Sem discutir os méritos de nossa política externa, regido pelos nossos três chanceleres, ou tenores – se preferirem: Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Samuel Pinheiro Guimarães – recém deslocado para a ponta esquerda da SEALOPRA, os sonhos megalomaníacos levaram a posições que o anti-americanismo endêmico não basta para justificar. São propósitos tão fora do alcance da plebe vulgar que não vale a pena discutir o perdão de dívidas dos Gabões da vida, os tapinhas nas costas do senhor Ahmadinejad, ou as mesuras ao senhor Chávez e ao seu projeto bolivariano seja lá qual for o significado que se quer dar a esse conceito. Trata-se de dogmas indiscutíveis – como todos os dogmas. Ou no linguajar com o qual querem nos acostumar “eixos”.  Mesmo evitando esse debate, já que dar murro em ponta de faca não é sinônimo de sensatez, talvez valesse a pena formular, ainda que timidamente uma pergunta: Tudo bem. Estamos adquirindo a dimensão global do Brasil ano 8, já que antes do desabrochar dessa gloriosa era havia apenas desolação, mas será que para tanto devemos comprar os aviões que ninguém quis a preços estranhamente altos? Não se trata de sair bradando por aí “mais Camembert e menos Rafale”, apenas questionar esses sábios que acham suficiente afirmar que “o barato sai caro” para que em nome de uma aliança estratégica cevada por rapapés gauleses se abra mão de uma elementar praticidade. Nada disso! Ao diabo o parecer dos técnicos que entendem do assunto, temos que habituar-nos com uma percepção superior dos fatos. Anestesiados por falas triunfalistas, reagimos molemente, para depois atirarmos a toalha. Quem somos nós para discutir esse entendimento superior dos mecanismos da afirmação no contexto global? Essa discussão não leva a nada, ofuscada pelo problema maior da sucessão presidencial. Na campanha, cujo início foi antecipado, contrariamente ao PAC , cuja conclusão ficou para uma data indefinida, recebemos continuamente mensagens subliminares ou nem tanto: “ No passarán os revanchistas, entreguistas, vendilhões etc. cujo objetivo é acabar com tudo de bom que se fez até hoje – aliás tudo que se fez até hoje nessa octaetéride incompleta merece elogios superlativos – para atirar o Brasil no regime feudal, que prevalecia até o ano 1 da Redenção. O próprio Redentor e seus porta-pensamentos repetem esse mantra. Caminhamos para a transformação do processo político num autêntico programa de auditório, que deixaria o saudoso Chacrinha eufórico. Buzinadas para Serra! E a Dilma? Vai para o trono ou não vai? Vocês querem bacalhau? Querem Bolsa-issoeaquilo? Só tem aqui, no reino encantado do “Nunca antes”. Nunca antes o Brasil teve 190 milhões de habitantes. O debate que se aproxima permitirá ao eleitor escolher entre FHC e Lula. Ah, eles não estão participando da disputa? Não tem importância. Eleitor, preste atenção, Dilma fará mais que Lula e Serra será pior que FHC. Agora podem votar! Ready, set, GO! diria um entreguista. O mundo não para... É preciso vislumbrar o futuro. Tarefa difícil, já que por aqui, até o passado é imprevisível, para não mencionar o presente. Há, no entanto, a poderosa ajuda de um discípulo de Cassandra, geneticamente modificado. Cassandra era uma profetisa sobre a qual se abateu a maldição de Apolo. Poderia prever o futuro, mas ninguém iria acreditar nela. Nosso Ministro da Fazenda é uma espécie de Cassandra ao contrário. Não acerta uma previsão, porém há uma máquina que ecoa todos os seus prognósticos, para, em seguida se calar, quando constatados os equívocos. Enquanto as águas do rio da fantasia, no qual não iremos nos banhar duas vezes correm plácidas, geram-se carros alegóricos para o desfile da candidata Dilma. Já temos o PAC2. Esse sim, acelerará de verdade, e para não soçobrar na monotonia, vamos recriar a Telebrás. É um projeto bizarro, não resta dúvida e isso por uma razão bem simples. Nem nos seus tempos de glória, a Telebrás jamais instalou um telefone, não colocou sequer um orelhão, não enterrou um metro de cabo. Era uma empresa holding, de méritos indiscutíveis, mas jamais foi operacional. Qual o propósito dessa estranha idéia? Injetar dinheiro público numa atividade que o setor privado, convenientemente orientado – para isso existe a Anatel - desempenhará melhor! Mesmo entregando á Telebrás a rede de fibra óptica da falida Eletronet, como chegará aos assinantes, como percorrerá a famosa ‘last mile’ até a residência dos futuros incluídos digitalmente? Como não se cometerá a sandice de criar uma rede capilar paralela – ou talvez sim... cala-te boca – será utilizada provavelmente a rede das atuais concessionárias. Então, para quê? Para acumular prejuízos durante uns cinco anos – bancados com mais impostos – e colocar mais companheiros a serem apresentados à lei de OHM? Do alto de sua imensa popularidade NOSSOPRESIDENTE contempla as planícies desse Absurdistão!
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h50
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Conversa (des)afinada
Políticos falsos, falsos dilemas Segundo o Presidente do PT, Ricardo Berzoini, a oposição “quer se opor às legítimas manifestações de nossa pré-candidata, mas escorrega na aprovação do governo que Lula lidera e Dilma coordena, e o povo brasileiro aprova”. Esse seria o dilema tucano. Naturalmente, o Sr. Berzoini sabe o que é um dilema: o estar à frente de duas alternativas mutuamente exclusivas. Portanto, o PSDB – descontrolado, na sua opinião – está se defrontando com a alternativa de se opor ou de não se opor, tendo em vista a imensa popularidade de NOSSOPRESIDENTE. Um pouco de reflexão. Na Teoria dos Jogos existe um dilema famoso – o dilema do prisioneiro. Copiando da Wikipédia, para ganhar concisão, a situação poderia ser assim resumida: Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro.O pomo da discórdia, nesse caso, seria o PAC I, deixando de lado outras querelas menores quanto à legitimidade dos títulos de mestre ou doutor da candidata oficial. O que farão os contendores PT e PSDB? Há de se fazer uma ou outra adaptação para seguir o modelo, mas a questão tem um certo sabor. O que farão, pois, os contendores? 
Confiam no “cúmplice” – falar em cúmplice em se tratando dos mais importantes partidos, pode ser um exagero, mas é bom lembrar que, queiram ou não, ambos sairam da mesma costela (esquerda) do corpo político –, e permanecem negando o crime ou seja, admitem que não conseguem se ater à verdade nos seus pronunciamentos, mesmo correndo o risco de serem colocados numa situação ainda pior, ou confessam que seus discursos contém exageros, e esperam ser “libertados”, apesar de que, se “os outros” fizerem o mesmo – confessando sua incompetência –, ambos ficarão numa situação pior do que se permanecessem calados? A discussão é interessante, mas para nossa situação já dissemos o suficiente. Apesar da troca de insultos, na qual sobraram afagos como: “mentirosa” e “babaca”, não estamos falando de suspeitos, embora haja no curriculo de ambos os partidos (PT e PSDB) uma quantidade apreciável de atos diante dos quais os puristas poderiam, até deveriam, ficar escandalizados – não só os puristas, aliás. Como na política – num determinado nível – ensina NOSSOPRESIDENTE, há chutes no peito, concordado com o quase-sogro de Oscar Wilde, o marquês de Queensberry, autor das regras do boxe moderno, que proibia golpes abaixo da linha da cintura, a troca de impropérios pode acontecer – sempre que os demonizados “outros” partirem para a ignorância. É possível usar sarcasmos baratos: antes de acelerar o crescimento, é preciso ele existir, mas não é o caso de partir para esse tipo de finas ironias... Com ventos favoráveis, enchendo as velas do governo e com o bom-senso de não partir para rupturas extravagentes, houve e haverá crescimento. Não se discute, portanto, o “o quê”, e sim, o “como”. Qualquer que seja o candidato que as urnas ungiem, não é de se esperar mudanças drásticas. Isso é válido aqui e alhures. Nenhum partido com pretensão de seriedade, pois é nisso que estamos falando, colocará como objetivo aumento da desgraça social, o abandono de politicas sociais ou a ruína do sistema de saúde. Resta saber o famoso “como”. Colecionar projetos pré-existentes e juntá-los a propostas meritórias dará sempre um bom plano. Seja ele PAC, PEC, PIC, POC, PUC. O importante é realizá-lo. Se O PSDB negar as realizações em bloco e o PT admitir a incompetência, a corrupção, o aparelhamento etc., voltando ao caso acima, a candidata Dilma perde. Se o PSDB admitir tudo que a propaganda oficial divulga, Serra, ou o candidato da oposição – já que até agora, não sabemos ao certo qual é – é varrido do tabuleiro, para tomar emprestado uma fórmula empregada pelos protagonistas de um esporte menos violento – aparentemente – o xadrez. Ocorre que, salvo informações até agora ocultas, o PAC não é a coleção de sucessos que se alardeia nem tampouco um filho retardado da mãe do PAC. Algo já foi feito, apesar de haver, inaugurações de obras virtuais ou atrasos atribuídos a causas outras que a própria incompetência. É tão humano pensar assim, atribuindo as causas do malogro a “forças ocultas”, ou não? No entanto, nenhum dos contendores quer admitir isso, sujeitando-se a pena mínima do caso teórico exposto acima. A pena mínima seria expor ambos os candidatos à apreciação de eleitores aos quais não terão sido contadas mentiras. De parte a parte, contudo, preferem a posição hostil, o que viria, em tese, deixá-las sujeitas a uma penalidade intermediária, infelizmente improvável no caso real, ou seja, a eliminação de ambos da rodada 2010. Isso lembra a lógica da corrida armamentista, na qual os adversários, por desconfiança mútua aumentam seus arsenais, ao invés de promover o desarmamento, chegando ao absurdo já conhecido. Então, Candide, isso é política?
Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e ´O Desmonte de Vênus` (Ed. Totalidade. Nas livrarias Cultura, Siciliano e ´Pega Sonho``: Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107)| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 09h54
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João-bobo Todos conhecem o João-bobo – aquele brinquedo que por mais que seja empurrado, retorna à posição vertical. Voltando a nossas plagas, é impossível não observar a semelhança entre o João-bobo e as sucessivas manobras, para citar as mais recentes: O Confecom, o PNDH3 e o Encontro da cultura, que trazem embutido, debaixo de um palavrório confuso, o desejo de amordaçar a imprensa. Sob o rótulo de "controle social" ou "instrumento transversal das políticas públicas e de interação democrática", fórmulas que em si nada dizem, está o perigo de vermos conquistas democráticas e constitucionais virarem pó. Rejeitadas, retornam sempre sob diferentes roupagens. Não faz sentido um simples dar de ombros. Não estamos à frente de um bricabraque ideológico, embora o excipiente desse veneno pareça inofensivo, e sim, de uma tentativa de burlar a vigilância da sociedade, uma espécie de "vai que um dia dá certo". O desejo de "orientar, fiscalizar e controlar" a mídia já foi explicitado. A ameaça aí está. Essas repetidas tentativas, às vésperas das eleições devem ser neutralizadas. A embalagem não consegue camuflar as intenções que pretende ocultar. Entende-se a pressa em fazer passar essa aberração ainda nesse governo, já que o amanhã pode não ser tão favorável. Para voltar ao PNDH3, é bom lembrar que o seu conteúdo foi apresentado para a assinatura presidencial, após passar por um displicente – na melhor das hipóteses – crivo da Casa Civil, órgão chefiado pela candidata oficial. 
Por outro lado, na campanha eleitoral – já em pleno andamento, apesar das inevitáveis negativas e da inércia dos órgãos aos quais caberia impedi-la – procura-se criar a sensação de que qualquer outra solução que não seja a escolha da ministra Dilma Rousseff, levará 'esse país' a um desastre marcado pela perda de conquistas às quais se associa perversamente a indefectível – e consagrada, apesar de geralmente falsa – fórmula: "Nunca antes na nossa história". Obviamente o “nunca antes” é aplicável em diversas situações, por exemplo: Nunca antes na história deste País contamos com mais de 190 milhões de habitantes. Catástrofes inenarráveis estariam a nossa espera: um mar de privatizações engolfando as estatais (e seus quadros dirigentes, de competência variável e orientação política bem definida), o término dos programas assistenciais e... cúmulo da desgraça, o fim do PAC. Tudo isso daria lugar a uma administração pautada pelos mandamentos do tenebroso Consenso de Washington – não importa se poucos sabem o que é o tal Consenso. Um bando de vândalos, perto dos quais os cavaleiros do Apocalipse não passam de inocentes coroinhas, tudo espezinharia. Acena-se com um retrocesso inevitável, a menos que – Heureca ! – elejamos a escolhida do Nossopresidente. Michelangelo, se vivo, esculpiria, sem sombra de dúvida, uma nova Pietá. Já imaginaram, a mãe do PAC segurando no colo o filho retardado – porque precoce, com certeza, ele não é – cuja existência, segundo ela, corre sério perigo, caso o pleito presidencial aponte como vencedor "um-que-não-seja-dos-nossos". Espalhar uma imagem distorcida das conseqüências nefastas dos atos de algum preposto de Satanás, ungido pelas urnas parece ser a tônica das mensagens a martelarem as mentes dos eleitores. Falsificar é uma arma que muitas vezes deu certo. Desmistificar é preciso. Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e ´O Desmonte de Vênus` (Ed. Totalidade. Nas livrarias Cultura, Siciliano e ´Pega Sonho``: Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107)| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 09h44
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Conversa (des)afinada Graus de liberdade Existem assuntos polêmicos diferentes do PNDH 3 ou a compra dos aviões de caça. A entrevista do Sr. Sérgio Guerra, na Veja, foi pior que um anúncio pela metade, como indulgentemente a coluna de Celso Ming o rotulou. Disse o presidente do PSDB que "Se a oposição ganhar as eleições, haverá mudanças na política econômica. Vai mais além: "Iremos mexer na taxa de juros, no cãmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia (ufa! – esse ufa! me pertence)) mas terão pesos diferentes". Apesar de não ter concluído o curso de engenharia, o Sr. Serra conhece o conceito de graus de liberdade e de variáveis dependentes. Não é possivel mexer nas três isoladamente – câmbio, juros, inflação. Mexendo em duas, está definida a terceira, a menos de malabarismos contábeis/políticos, falsificações grosseiras etc., sendo que, dificilmente o valor da terceira obedecerá aos magos de plantão. 
Para as metas de inflação, é possível dizer que um engraçadinho atirou, um dia, uma flecha e os serviçais correram e desenharam círculos concêntricos em volta. Assim teria nascido a meta de 4,5%, mais ou menos 2%. Por que 4,55 e não 4,3 ou 4,7, ninguém encontrará outra explicação a não ser a paixão pelos números 'mais redondos'. Em todo o caso, isso não autoriza dizer que 'um pouco de inflação mal algum fará'. O diabo é que após fugir da meta, será mais complicada trazer de volta a ovelha desgarrada. Diz um provérbio – cuja origem desconheço – que um louco atira uma pedra numa lagoa e dez sábios não conseguem retirá-la (com todo o respeito que as lagoas merecem). Para a taxa de juros, da qual Serra é um crítico quase tão feroz quanto nosso vice, é possível discutir por qual motivo os cortes da Selic são múltiplos de 0,25%, copiando os USA. Em países como China, se não me engano, as variações são menos 'redondas', mas o principal é diagnosticar a necessidade de elevar/abaixar a taxa de juros. De qualquer modo, merece reflexão o fato de nossa Selic ser campeã, vice ou apenas integrante do pódio mundial. Seja como for, os cortes/aumentos geram efeitos cuja ocorrência não é imediata. Um amigo (que não me autorizou citá-lo, chamêmo-lo da A.N) compara – para fugir do futebol – com o tratamento com cortizona: aumentar, até que pode ser rápido, diminuir as dosagens é mais complicado. Como todas as metáforas sua aderência pode ser discutida, não o alerta! Ocorre que essas mexidas acarretam mudanças em coisas bizarras, tais como nível de emprego, fluxo de morda estrangeira, câmbio... Por falar em câmbio, há críticos ferozes, que ao notar a perda de competitividade e a delocalização, reclamam. A resposta banal de que o custo Brasil está envolvido, como variável explicativa, não os convenceu. Daí, digressões mil e ilações desairosas a respeito dos 'especuladores' etc., e tal. E assim, vai o senador Guerra lançando algo mais que um balão de ensaio, já que – se a memória não me trair –, mesmo no governo FHC, José Serra fazia oposição ao seu governo. O medo pânico que se instala é o de estarmos diante de um possível vencedor do pleito presidencial, propenso a brincar de aprendiz de feiticeiro em frente aos botões de comando dessa nossa geringonça econômica. Pode ser que dê certo, why not? Se não der, o repertório populista está cheio de candidatos a vilão: o neoliberalismo, a especulação, os bancos... Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e ´O Desmonte de Vênus`. (Ed. Totalidade).| Por e-mail: asolo@alexandru.com.br
Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h53
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Conversa (des)afinada
Reflexões natalinas Com os recentes desdobramentos do caso mordaça, é preciso parar para pensar. 
"Documentos aos quais este jornal teve acesso' – é uma fórmula batida. Cá entre nós, sabemos que os repórteres não são James Bond, Mata Hari, Kim Philby ou equivalentes, não viajam em fundo duplo de malas, não se esgueiram por debaixo de portas fechadas, não penetram clandestinamente nas dependências 'sacro-santas' da Polícia Federal. Se tiveram acesso, é porque alguém entregou. Uma vez nas mãos dos jornalistas, eles têm o dever de informar a sociedade. Podemos discutir se cabe adjetivar, mas relatar é mandatório. A chaga está um pouco mais arriba, contrariamente ao buraco que fica mais embaixo. O drama fica a montante, não a jusante. Os detentores de documentos, fitas gravadas, DVDs etc., não têm o direito de 'vazar' – e pior ainda, praticar vazamento seletivo (até editado, por que não, quando se trata de destruir alguém). O editorial de domingo do Estadão fala nisso. Imagens falam por si, mas imagens selecionadas também o fazem e de maneira menos objetiva do que seria desejável. Dito isso, ao Supremo, Extremo, Hiperbárico Tribunal Federal não cabe tolher a informação, muito menos se apegar a filigranas esdrúxulas do tipo que foi usado nesse caso: "O juiz não fez alusão à lei de Imprensa, logo não acolhemos a reclamação". Faltou um instante de reflexão: se o eminente juiz, após emitir a douta sentença achou por bem despachar o abacaxi para o Maranhão, quanto vale a sentença prolatada? Faltou o selo violeta e a firma reconhecida do porteiro? Faltou o despachante! Quando, nos anos 60 o jornal Le Monde se referiu ao Brasil como sendo país de despachantes, o Estadão soltou – com razão- chamas pelas ventas. Agora, está provando do doce veneno. Finalmente, acho – um juízo precipitado, talvez – que o ESTADÂO está adorando posar de mártir. Não custava nada colocar manchetes do tipo: Ultimas notícias da operação “Boi obeso”. E dá-lhe receita de suflê de abóbora! Ao invés de enfrentar o absurdo, limitou-se a deplorar um estado de coisas... deplorável! Colecionar opiniões ilustres, criticando a mordaça é muito pouco. *********************************************************** Fico de certa forma recompensado, apesar de não haver nisso nenhuma alegria, ao encontrar a confirmação de posições que assumi no passado. Essa é uma delas: as “indiscrições” levam a becos sem saída! Outras duas foram: IPO e Oba-Oba, quando em 2007, falei sobre a tal bolha que não sai mais do noticiário, retrucaram com a famosa frase: agora tudo é diferente. Pelo jeito... O carry-trade lusitano (com todo o respeito, naturalmente, para os nossos colonizadores). Sabendo que o carry-trade é a operação que consiste em tomar emprestado num país com juros baixos (exemplo típico Japão) para aplicar em países que praticam juros altos, (com razoável segurança para o aplicador, perguntem se arriscariam na Argentina! – exemplo Brasil), o carry-trade lusitano consiste em tomar emprestado onde os juros estão altos e aplicar onde estão baixos – e não é que nosso BC faz isso? Esses 250 bi dólares – alguns já derretidos considerando o momento da compra a 2,00 - 2,30 – rendendo a remuneração das T bills ianques e pagando nossa adorável Selic devem dar um belo prejuízo anual. Li AGORA que isso seria da ordem de grandeza de uma Bolsa Família. Who cares? Melhor ainda. Depois de juntar essa montanha de dólares, os nossos hábeis financistas estão fazendo o possível para sabotar o dólar, via operações de comércio exterior sem passar pelas verdinhas. Tiro no pé, ou estou errado? Obra dos três tenores da nossa diplomacia? Seria exagero falar numa herança maldita que esse governo está deixando no plano fiscal? Se o BNDES não precisar para se agüentar de um generoso Botox oficial, estarei errado. Tomara. A mais recente capitalização será de R$ 80 bi, mais de cinco vezes o valor do nosso Fundo Soberano. Este ano , nosso superávit primário, depois de todos os artifícios cosmético-contábeis será algo como 1% do PIB. E daí? Somos contra-cíclicos e ponto final. Para terminar esse desrecalque, não posso deixar de aludir à Mitologia. Todos sabem que Cassandra teve o dom de prever o futuro, com a maldição de não ter credibilidade. Nós temos uma Cassandra ao contrário, pois nosso emérito, preclaro e superlativo Ministro da Fazenda conseguiu errar, e não é de hoje, TODAS as previsões relativas ao PIB. Como não se trata de um débil mental, resta concluir que todas as lorotas ufanistas que produz têm por objetivo a tentativa de criar profecias auto-realizáveis. Agora, diante do mais fácil, ele esqueceu de palpitar. O quarto tri de 2008 foi um desastre, logo crescer em relação àquilo parece razoável, mas misteriosamente o comissário do Povo se cala. Possivelmente, tenha feito as contas e concluído que dificilmente a variação do PIB de 2009 será positiva. Será que a marolinha estragou seu palpitômetro waterproof? Voltando à Mitologia, nessa coletânea de assuntos que se entrechocam, não é possível deixar de mencionar o todo-poderoso Zeus. Nas suas diversas aventuras, a divindade máxima assumia diversas feições: cisne, touro, ou a aparência de Anfitrião, no episódio ao qual devemos o nascimento de Herácles. Em nossa mitologia brasiliense, Zeus assumiu diversas Caras – sem trocadilho, sendo a mais recente a de filho do Brasil, como insistem em nos fazer crer através de custosa produção cinematográfica. Sinal que o Olimpo não lhe bastou. Culto da personalidade? Seguramente não! Ualll, um bom Natal, com o trio - sorte, saúde sucesso para todos nós.
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 11h59
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Maratona Nova Iorque 2009
Da largada à chegada o desafio de sempre ir além 
Tive o prazer de participar da maratona de Nova Iorque. Apesar de ser a 19a vez que cumpro essa prazerosa' tarefa', ela é sempre motivo de alegrias imprevisíveis. Como já disse repetidas vezes, um cidadão respeitável – acho que o sou – não corre para ganhar. Seria muita pretensão. Com o passar dos anos, melhorar sua marca pessoal torna-se cada vez mais improvável. Então? Ora, é muito gratificante fazer parte da festa, sentir o apoio daquela massa de torcedores que lá estão gritando palavras amigas, transmitindo a tal energia positiva, tão necessária. Não pretendo ser original ao afirmar ser essa maratona ÚNICA. Desde o ano passado, a organização procurou resolver o problema da largada super-aglomerada. Os corredores largam em 'ondas' . Assim, a primeira largou às 9h40, a segunda, às 10h e a terceirta, às 10h20. Leitor de Alvin Tofler, larguei na Terceira Onda – com o perdão do trocadilho. De fato, a largada foi mais tranquila, embora em nenhuma edição anterior, eu tenha tido motivo de reclamação. O principal inconveniente é passar debaixo do cronômetro que encima o arco da chegada e sair 'mal' na foto. Para os 'terceirondistas' há o acréscimo óbvio de 40 minutos... Como os corredores correm com um 'chip' – isso já é uma constante em qualquer corrida de rua que se preze – o que vale é o tempo líquido. Mas vá explicar que correu em menos de 5 horas se o relógio aponta 5h41minutos! Para efeito estatístico, concluí a prova em 4h58min12 segundos atrás de mais de 30.000 outros, mas, ainda assim ultrapassei alguns milhares. Isso sem contar que melhorei minha marca do ano anterior em 1min45 segundos! A nota engraçada ocorreu antes da largada. Até este ano a imensa maioria dos corredores alojada em Manhattan pegava um ônibus em frente a Biblioteca da 5a avenida – uma operação que envolve centenas de ônibus – e assim chegavam à concentração em Statten Island, e onde percorreriam os 42km195m para chegar em Manhattan, não muito longe do ponto de partida. Peço aos engraçados dispostos a perguntar "pra que fazer tanta força se é para chegar tão perto de onde saiu", que se abstenham. Este ano inovaram. Alguns deveriam pegar o ferry na extremidade sul de Manhattan. No meu número de peito constava "ferry". Como toda novidade, essa gerou-me um stress. Acharia um táxi – bobagem, claro – mas era uma preocupação adicional. A solução veio de maneira inusitada. Sabia que no hotel havia uma delegação enorme de espanhois que sairia em ônibus próprio. Resolvi tentar a 'suerte'. Cheguei junto à pessoa que gritava mais alto, empunhando uma lista e perguntei se, pagando 'por supuesto', não poderiam me levar. Se houver lugar, com certeza, disse-me. Eis que chega um bus. Encheu em menos tempo que levei para teclar este fato. Que azar! Espere, disse-me a fada autoritária, ". Hay un otro" Chegou o "otro' e, aparentemente, encheu. Hay una vaga! "El", gritou a doce tirana. E assim embarquei, em meio a um mar de agasalhos vermelhos – a cor da Fúria e também desses corredores. "Pour la petite histoire", como dizem os patrícios de Gaulle, – ou à guisa de nota de rodapé – Ingrid me contou que uns 5 minutos após termos 'zarpado', chegou um 'agasalho vermelho' dentro do qual , um retardatário constatou seu azar. Não tenho dúvida de que ele tenha se virado para alcançar a largada. Alexandru Solomon, escritor.
Categoria: Crônicas
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h18
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Dúvidas e mais dúvidas. Um dos livros de Lênin ostentava o título "O que fazer?". A pergunta persiste em contexto diverso.
As eleições estão distantes, se é que os poucos meses que nos separam da campanha eleitoral – dentro dos conformes que a desprezada Lei eleitoral reza – possam caracterizar distância. Sobe a temperatura. Breve, as boas maneiras terão seu espaço reduzido, dando lugar ao fluxo de metáforas que parecem dever pavimentar o caminho do sucesso. E dá-lhe futebol, culinária, economia doméstica. Para não deixar a contagem em constrangedores 400 x 0, a oposição enveredará pelo terreno para o qual foi atraída. Procuram-se especialistas em metáforas! Nefelibatas, abstenham-se! No campo das idéias a oposição nos brinda com uma total falta rumo, dizem. Mas será que há algo que possa fazer? Uma coisa há de ser entendida. Qualquer dos dois candidatos mais prováveias, uma vez eleito, terá de assumir uma herança, seja ela 'maldita' ou maldita sem aspas, com o cuidado de não atuarem como herdeiros incompetentes. Na campanha, qual poderá ser, no campo das propostas, o diferencial da oposição? NENHUM. Poderá alterar os rumos do pré-sal, mas evitará o debate prévio i.é durante a campanha. Colocar como plataforma política a honestidade somente se for num programa humorístico. Como enfrentar o partido que não rouba nem deixa roubar? Competir na negação da paternidade do mensalão – cuja existência está colocada em dúvida pelos cínicos? Nunca antes neste país houve tamanha transparência será a resposta. Nunca houve mensalão, aloprados, Waldomiro e o que apareceu – coisinha boba – só apareceu por causa da transparência, causando o maior espanto ao grande líder que de nada sabia e quando soube, constatou tratar-se dos péssimos hábitos que vinham desde o descobrimento do Brasil. Rebater as acusações privatistas, a “privataria”, quando 90 por cento dos eleitores não sabem do que se trata (apesar do refrão que oposição e situação entoarão com igual caradurismo: O povo não é bobo! – Talvez não seja, mas está mal informado e pouco interessado em informar-se melhor) demandarão uma dose de imaginação ligeiramente superior que a do candidato Alckmin (e de seu staff, em 2006). A defesa que consistiu em envergar a camiseta da Petrobrás – atenção não foi PetrobráX, terminação muito em voga, ultimamente – foi de um ridículo atroz. Em compensação, o eleitorado já vem sendo metralhado com a imagem dos privatistas, os comedores de criancinhas da hora. O resultado dos programas assistenciais e a Olimpíada de 2016 são cabos eleitorais de peso. Trata-se indubitavelmente (?) de filhotes do Cara, como se à sucessora, digna genitora da sigla PAC, deverão ser atribuídas automaticamente as virtudes do padrinho. Cá entre nós: qualquer candidato só poderá dizer na campanha que deseja o melhor para o País. Ou não? Ficaremos no campo árido do “como”, não do “quê”. Imaginem a beleza do debate acerca da manutenção ou não do superávit primário/ nominal, ou da independência ou não do BC, futuro Mercosul etc. Viva a TV a cabo! Aos queridos Aécio e Serra – uma vez concluída a pugna fratricida, por ambos negada solenemente, sobrará a tarefa de tranquilizar a clientela, afirmando, jurando, prometendo etc. que nada do que é bom será tocado. Pronto! Será que a turma do “andar de baixo”, em doce manada, escolherá a mudança – nos detalhes – quando hoje algo como 80% dos eleitores acha Lula a encarnação da perfeição? Ou apavorados com os clichês preparados: neoliberalismo, consenso de WASHINGTON, repúdio ao estado mínimo que – mais uma vez são conceitos cujo significado escapa a uma parcela acachapante do nosso eleitorado – optarão por mais do mesmo, mas com qualidade supostamente melhor. Quão melhor será o ‘tudo bem’ de hoje? Será que mais uma vez – como é chato repetir – será preciso discutir a qualidade dos gastos, debate arbitrado por analfabetos funcionais? Para maior conforto da situação, o debate será levado para um terreno pantanoso: Comparar a era FHC com a era Lula. Adiantará argumentar que a evolução do Brasil se deveu a uma conjuntura favorável, que permitiu ao Brasil enfrentar a atual crise em situação mais confortável do que nos anos ‘negros’ de FHC? Por acaso informar o distinto público eleitor que os contendores não são nem Lula nem o príncipe do sociólogos terá o efeito de uma luminosa revelação ? Falar em aparelhamento do Estado e demonstrar sua realidade nociva será um ponto – que fará bocejar . Como bosquejar o retrato do que poderia ter acontecido sem essa enxurrada de companheiros em postos para os quais tinham como pré-requisito a filiação ao PT ou a docilidade ao Cara? Virá o inefável presidente do IPEA, explicando que na verdade nosso Estado não é paquidérmico, como maldosamente afirmam os “neoliberais”. Dirá que o Estado é raquítico, portanto carente de vitamina D. D de Dilma, of course, patuléia ignara! Faltou à oposição, nesses anos uma postura digna de suas ambições. Seguramente “deixar sangrar Lula”, no ápice da crise do “inexistente” mensalão não passou de fracassada esperteza. Lamento não poder enxergar quais as ideias luminosas que poderão cativar analfabetos funcionais, mas essa dúvida é posição de zelite, logo, de uma minoria e, com o perdão do truismo, eleição majoritária ganha-se com a maioria – frase com a qual o conselheiro Acácio haverá de concordar, se consultado. Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h05
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A caminho do Rio...
Olimpíada 2016. 
Conta Pausânias que coube a Heracles a glória de ter instituído os Jogos, dando-lhes o nome Olímpicos.Ele decidiu que teriam de se desenrolar a cada cinco anos, já que ele tinha quatro irmãos. Fazendo uma conta rápida, chega-se ao número cinco. Posteriormente quis o destino que eles se desenrolassem a cada quatro anos. E eis que a honra de sediar a Olimpíada de 2016 coube ao Brasil. Patriotadas e ‘Nunca antes na história deste país’ à parte, há motivos de sobra para festejarmos a escolha do COI., mesmo o Sr. Jacques Rogge tendo afirmado que o papel do NOSSOPRESIDENTE não foi o fator determinante na escolha. Será uma festa para a qual devemos nos preparar, para que imagens imperecíveis sejam evocadas por gerações. Todos se lembram das lágrimas do ursinho Misha – na olimpíada de Moscou de 1980, ou do discurso dublado da chinesinha anônima em Pequim 2008, ou da imagem de Emil Zatopek em Helsinque 1952. Teremos de fazer bonito, encontrar alguma coisa que marque o evento como “Nunca antes na história dos Jogos Olímpicos”. O conselheiro Acácio, numa tirada facilmente previsível, diria que para se ter um evento notável é preciso investir. Investir? Ah, bom, nisso não temos problemas. Fala-se em 20-30 bilhões, só não decidimos ainda se serão Reaia, dólares ou coroas dinamarquesas. Dinheiro há de sobra e já veio a ordem do NOSSOPRESIDENTE: “Pouco importa o quanto gastaremos, o importante é quanto ganharemos com isso”. Será que ganharemos? Em outros locais onde, é bem verdade, não canta o sabiá, contabilizaram-se perdas, mas isso é de menos. Sejamos otimistas. Segundo Tristan Bernard otimistas e pessimistas sentem igual medo da realidade. Com um pequeno esforço, tentemos ser realistas. O investimento é de vulto. Há quem fale em PAC das Olimpíadas, como se essa sigla mágica fosse a chave de tudo. Muitos investimentos permanecerão e, de fato, trarão benefícios, alguns até de difícil quantificação: edificar uma Vila Olímpica, construir uma linha de metrô, aprimorar o trânsito com aquele conjunto de nome complicado etc. A importância de alguns desses investimentos é tal que motivam a pergunta trivial: ”Será que se não houvesse a Olimpíada não deveríamos encará-los!?”. Grupos de trabalho já foram constituídos ou estão em estado adiantado de gestação. É sabido que criar uma comissão resolve todos os problemas, desde a colocação de uma lâmpada à imortalidade da alma. Tudo será fiscalizado com redobrado vigor, como se até hoje nunca houvesse fiscalização de obra alguma. É verdade que ostentamos alguma alergia ao TCU e falamos em “flexibilizar”. Era o que nos faltava: sem flexibilização, nada feito. A rede hoteleira do RIO terá de ser ampliada - a isso chamamos dimensionar pelo pico. Hoje temos uma ocupação insatisfatória; passados os JO teremos uma capacidade ociosa maior ainda, mas que importa? E nada de piadinhas, por favor. O símbolo continuará sendo o conjunto dos cinco anéis entrelaçados. Podemos apostar que depois dos Jogos não serão quatro. A bandidagem será controlada: o pessoal da pesada oferecerá coroas de flores, no melhor estilo havaiano, aos visitantes. Não vamos maliciar com essas coroas. Enfim, com um orçamento flexibilizado – os Jogos Panamericanos foram uma amostra edificante – chegaremos à estrutura desejada. Claro, haverá atropelos, assim como houve em Atenas e Pequim, mas com cartazes avisando: “ Cuidado, tinta fresca” tudo se resolverá a contento, para gáudio das lavanderias. Mais um estímulo ao PIB. Um certo acesso de ufanismo já nos faz antever catadupas de medalhas. Como? Sempre fomos uma potência média e dificilmente sairemos desse nível, mantida a atual mentalidade. Quando a China decidiu fazer bonito em 2008 houve um esforço impressionante. A partir dos resultados conseguidos em Atenas já se previa que os atletas - e as atletas – arrasariam, quatro anos mais tarde. Com efeito, conseguiram já em 2004 uma safra importante de medalhas. Sem querer ser pessimista, será que em Londres, tirando algumas estrelas, já teremos preparado a geração vencedora de 2016? Um Joaquim Cruz não surge por geração espontânea. Discursos não geram campeões. Os grupos de trabalho abrirão o caminho... Como? Com ‘paitrocinio’ de César Cielo, com uma Jade Barbosa que nem salário recebe? Será que reunir presidentes de federações, bater na mesa e exigir resultados bastará? O que de mais notável conseguimos no atletismo foi uma coleção de resultados positivos... de doping, levando ao desespero o dedicado empresário Jorge Queiroz de Morais do Grupo Rede. É claro que apostar no surgimento de novos talentos é importante. Mas apostar somente não bastará. Para isso temos a megassena. É importante estimular a juventude para que possamos , depois de grandes esforços – e os sete anos que nos restam poderão ser ou não suficientes, dependendo do empenho dos dirigentes, conseguirmos alcançar o ‘status’ de potência olímpica. Com certeza, se pensarmos como Bernard Shaw que dizia que o único esporte que praticou foi a caminhada, acompanhando o enterro dos seus amigos esportistas não chegaremos lá. Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 12h39
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Aguns talvez se lembrem do meu livro DESESPERO PROVISÓRIO, premiado na Sicília, com um primeiro lugar na sua categoria. Acabo de saber que ele acaba de ganhar um honroso segundo lugar - acho que não é motivo de desespero, nem mesmo provisório, num concurso na Suíça.
Mas não é sobre isso que desejo falar, uma vez que já falei. Fico pasmo com a caça aos neologismos. Tudo bem que Sale em vez de Liquidação não seja uma maravilha, mas "est modus in rebus' - há limite para tudo. Eis uma poesia daquele volume, com a necessária atualização. 
...E a caravana passa Ao citar a flor do Lácio, dizem ser inculta e bela, Brilha em qualquer desfile, sobre qualquer passarela, Temo ouvir o que diria um fanático purista, Mas possuo um argumento, e torçamos que resista. Mesmo ao comungar do credo, me ocorre um reparo. Essa tal ortodoxia muitas vezes custa caro. Se limpar vocabulário, há de se tornar mania. O rigor desse excesso leva à xenofobia. Rejeitando, por princípio, uma citação latina, Sob pretexto de que ofende os ouvidos, a retina, Se alguém disser “sic transit”, será logo excomungado? E um “Alea jacta est”, senhores, representa um pecado? “Quousque tandem Catilina” será prova de mau gosto? Um “Quo vadis”, “Vade retro” serão fonte de desgosto? Sem haver “Habeas corpus”, que farão os advogados? Por um “Dura lex” à-toa, ficarão desempregados? O problema se complica, não vivemos isolados. Os afoitos decretaram fomos já colonizados. A tal ponto que, de modo totalmente extravagante, Quem usar neologismos leva estigma de pedante. Ou será que doravante nunca gritaremos Gol! E diremos ludopédio, abolindo futebol? Algo acabar em pizza é um termo consagrado. Até álgebra, senhores, deverá ser evitado? Um ou outro novo termo poderá ser extirpado. Deletar, até concordo, pode ser eliminado. Mas o tal “bug do milênio” teve seu lugar ao sol. E não houve alternativa, só programas em COBOL. Esqueceram, “data venia”, que um “bit” é abreviatura, Traduzir por “pedacinho” tudo em nome da cultura, Que supõe que só tem aves que gorjeiam por aqui, Deixa-nos só as palmeiras, quanto ao resto “C”est fini” PARA ATUALIZAR... Todas essas bizarrices, procurar em ovo pelo Encontraram um ilustre defensor: Aldo Rebelo Surge novo integrante da magnífica legião Um governador de peso : O Roberto Requião
*Alexandru Solomon também é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, (´Desespero Provisório`) , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Categoria: Poesia
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h58
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Cultura
Ilusões perdidas Para os meus fieis leitores, um esclarecimento. Tentei, ou venho tentando – para quem tolera o uso abusivo do gerúndio – com que o Estadão, através do caderno Cultura fizesse uma resenha de algum dos meus livros. Tarefa ingrata, considerando as centenas de livros publicados mensalmente. Seria como pedir por um milagre estatístico. Estatística existe, porém os milagres são raros. Finalmente, estabeleci contato com os responsáveis do Cultura, e me foi dito que o caminho indicado seria a remessa, através da minha editora, da obra candidata à imortalização. Quod fecit. O que se seguiria – imaginava eu – seria uma análise crítica da obra, e caso fosse considerada merecedora de uma resenha, seria essa publicada nesse nobre espaço, aspiração de qualquer autor. Após alguns anos de labuta reconhecida através de premiações no Algarve, Sicilia, Basileia e diversos certames locais, imaginei, cúmulo da pretensão, encontrar no jornal do qual sou assinante há 40 anos – mero detalhe – uma acolhida crítica aos meus textos. Decorrido algum tempo, sem resposta, solicitei novidades através de e mail. Novidades havia e da pior espécie para as minhas pretensões...” com espaço reduzido no caderno Cultura para resenhas e também tínhamos seção fixa relacionada ao Ano de Euclides, evento multimídia do jornal, dedicado a homenagear a passagem do centésimo aniversário de morte do autor de Os Sertões. Com isso, mesmo críticas prioritárias – na avaliação de nossos especialistas – estavam ficando para trás. Vamos continuar cobrindo, até o fim do ano, com destaque, eventos relacionados a Euclides, mas, para além disso, o volume de próximos lançamentos (estamos às vésperas de mais uma Bienal do Livro) exige, de fato, uma seleção ainda maior. Tudo isso, sem falar que o Cultura, conforme o senhor acompanha, cobre outras áreas além de livros”. Seguia a assinatura do responsável. 
Imprensado entre comitês de redação das grandes editoras – repletos de talento e acne juvenil – e as grandes livrarias, cujo comportamento ombreia-se, no trato com seus “fornecedores”, a gigantes éticos como o Carrefour, supus, algo precipitadamente, que encontraria um espaço, por menor que fosse, alguns inestimáveis centímetros quadrados no caderno Cultura. Não seria a revanche do gênio ignorado e sim, uma menção que, desnecessário insistir, seria uma mão na roda. Mão esquerda ou direita, quem iria se importar? Nessas horas, os críticos são ambidestros. O normal seria, digo isso olhando com veneração meu umbigo, uma vez dada a mostra de gentileza de acolher meu último livro, que se desse alguma sequência ao processo, ou, se fosse o caso que se cortasse pela raiz minha arrogante pretensão. Para que se dispor a receber um livro que não seria lido? A história foi escrita de maneira diversa. A opção escolhida foi evitar um não definitivo, algo como: “Não vê que estamos ocupados?” ou, numa concessão à polidez “ Desolados, informamos haver irreconciliável conflito entre nossas intenções e nossos compromissos, não podendo receber seu livro” e que se encerrasse o diálogo. Perfeitamente razoável. Não se impõe coisa alguma a um jornal. Não numa democracia. Ainda estamos numa. É sempre desagradável dizer não. Melhor optar por evasivas do tipo "é meio dificil'. Quem leu, nos anos sessenta, um livrinho “Brasil para principiantes” – fulminado em editorial do Estadão – há de se lembrar desse pormenor. Não foi uma enorme surpresa receber após minha justificável insistência, uma resposta afirmando estar a redação assoberbada de tarefas - inclusive ter sido, aparentemente, colhida de surpresa pelo advento do centenário de Euclydes da Cunha – fato que obviamente, constitui um evento totalmente imprevisível. Assim sendo, fui informado que há mais coisas a se fazer do que debruçar-se sobre o mais recente - espero que não o último – trabalho deste petulante autor. Dissessem isso de início, nada poderia contestar. A pergunta: “Por qual motivo solicitaram o envio do livro?” permanece no ar. Estava disposto a acolher com bravura uma sentença inapelável do tipo: “ Apesar de insanos esforços, nada encontramos na leitura desse O desmonte de Vênus – nome do livro – que merecesse algo mais que um sorriso piedoso, que dizer uma resenha! Era um risco ao qual meu ego se expôs voluntariamente. 
Aceitar o livro, para em seguida informar que a Bienal se aproxima encerra um certo toque sádico - involuntário, vá lá que seja. Passei o final de semana relendo um livrinho interessante “Comment devenir um brillant écrivain alors que rien (mais rien) ne vous y prédispose! Ou seja: Como tornar-se um escritor brilhante quando nada(mas nada mesmo) o predispõe a tal. Escrito em tom de troça – por um autor que se esconde sob o pseudônimo de Aloysius Chabussot – ele respondeu a dúvidas atrozes e, de certa forma as solucionou. Não é o caso de exclamar como um Zola dos trópicos: J´accuse. Limito-me a um simples Je proteste contra uma promessa vazia. Alexandru Solomon Moral da história: Só alguém em quem se deposita alguma esperança é capaz de proporcionar uma desilusão.
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 17h43
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Momento Cultural
Testemunho do autor. Foi uma noite - refiro-me à do lançamento de “O desmonte de Vênus” difícil de esquecer. Digo isso, pois a lembrança daquele frio boreal dá para arrepiar até almas menos sensíveis que a deste escritor. Tudo funcionou com a precisão de um relógio suíço - nada a ver com as imitações com as quais os camelôs assediam inocentes transeuntes na paulicéia e outras metrópoles. Para os distraídos, reitero tratar-se do lançamento do “O desmonte de Vênus”- dizem os especialistas em marketing que o risco de saturar o leitor existe, mas vale a pena arriscar. Arrisquemos, pois, para fixar a imagem do produto. Devo fazer uma confissão. Em eventos como esse, a preocupação do herói do dia - da noite, vá lá - fica dividida entre a atenção, o carinho e as demonstrações (genuínas) de agradecimento aos abnegados que se dispuseram a comparecer e a contabilização mental das "baixas" - aqueles “infames traidores”, cuja ausência adquire proporções de imperdoável felonia. Caramba, fulano não veio! A frase, na qual basta colocar o nome do "traidor" - traidor é um eufemismo, já que os epítetos destinados aos ... - bem , não vamos exalar veneno, são, quase sempre impublicáveis - martela a mente e dá lugar às eternas dúvidas. "Não vieram porque não puderam ou porque o que escrevi não presta? Poxa, e como ficaram sabendo se não leram?" Esse conflito entre autoflagelação e autocomplacência esgota as energias do distribuidor de dedicatórias. Junte-se a isso o fato da minha obsessão em evitar fórmulas do gênero: "Ao caro (pode ser distinto, dileto, dedicado etc.) amigo, com um abraço (abraço é essencial e politicamente correto) do autor." para entender o cansaço após o agradável reencontro com figuras amigas. 
Àqueles que me prestigiaram, meus agradecimentos e aos demais o convite: "Leiam esse “Desmonte” antes que se torne best - seller. Aí já não sentirão a alegria de ter descoberto um talento consagrado pelo fino gosto daqueles que se anteciparam à critica habitualmente tão cega (míope, para ser menos agressivo). Ficarão apenas com o prazer da emoção estética sem a satisfação própria do pioneiro desbravador da selva literária". *** Vejam bem. A intenção, ao enviar o tal testemunho do autor - terá sido lido até o fim? - não era cutucar amigos. (embora assim possa parecer). Fico angustiado com a postura dos livreiros. Por exemplo, lancei esse "O desmonte de Vênus" na Saraiva do Shopping Higienópolis. O evento foi "uma reussite totale", marcado pela venda de algo como uma centena de livros. Depois de uma semana, resolvi dar uma passada na livraria - o criminoso voltando ao lugar do crime - e perguntei qual era o paradeiro da “obra”, já que não estava exposta. (nem ao menos numa estante que fosse requerer esforços de contorcionista para localizá-la). Resposta despreocupada do vendedor e do gerente, cuja presença foi solicitada :”Está no estoque”. Ou seja, num cubículo infame, na sobreloja, longe dos olhares ávidos dos eventuais leitores. Não só isso, tem mais. “Estamos recontando para... devolver à editora, e, doravante, quem quiser poderá acessar nosso sítio (ou site, se preferirem). Pergunta que não quer calar: De que jeito algum visitante daquele supermercado - esse altar da cultura não passa disso, a rigor, inclusive com práticas dos Carrefours da vida, quanto a exigências em nome de uma "parceria" que funciona num sentido só - poderá ter, ao menos, a possibilidade de tomar conhecimento de que existe AS e sua (*dele AS) imperecível obra. Se me der na telha, poderia recomprar a edição inteira; e daí? para recolocá-la em livreiros que me escondem? Sabotagem? Incompetência? A lei do menor esforço na sua forma mais repulsiva? Algumas palavras de alguém que se desse ao trabalho de fazer uma resenha, com o risco – aceito - de ser demolido pelo crítico atenuariam o drama? Mencionei a Saraiva, mas trata-se de uma postura geralmente adotada pelas melhores casas do ramo, com variações insignificantes. O destino do “Triângulo” não foi diferente. Então para que fazer um lançamento dentro de uma livraria? Para que o livreiro fique com a parte do leão? Poderia ser em qualquer espaço. Dirão que o evento poderia atrair curiosos - não há falta deles em livrarias e com mais razão em Shoppings. Pasmem. Nos últimos três lançamentos: ”O desmonte...”, “O triângulo...” e “Não basta sonhar”, nenhum ’distraído’ – e não faltaram cartazes - teve a ousadia de comprar. Tempos bicudos! Explicação fraquinha desse desagradável fenômeno, não? Desde sempre, disse que meu desejo é tornar-me conhecido como escritor. Não serão os amigos abnegados que conseguirão realizar essa proeza. Talvez deva ter mais amigos. Meio tarde para isso. (esse papo do Roberto Carlos “Eu quero ter um milhão de amigos” não convence). Sinceramente, fico constrangido ao “empurrar” trabalhos de cujos méritos chego a duvidar à medida que o tempo passa. Resta-me perguntar, como o fez o goleiro Ghezzi do Milan, quando da surra aplicada pelo Santos, num inesquecível espetáculo - que misturou o ludopédio com o pólo aquático -, em pleno Maracanã: “Che succede?” Em tempo! Àqueles que queiram dar uma “espiada” nesse “Desmonte”, entrem no site da editora (www.totalidade.com.br). Eis o convite a boa leitura - com a modéstia da palavra, claro!
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h37
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Momento Cultural
´´O Desmonte de Vênus``, de Alexandru Solomon 
Neste seu novo trabalho, o autor Alexandru Solomon mostra as qualidades que o caracterizam como um dos escritores mais expressivos da nova geração de ficcionistas brasileiros e que lhe garantiram vários prêmios, inclusive internacionais: o completo domínio desta difícil arte narrativa, que é o conto e a desenvoltura na linguagem, o humor irônico e ácido, usado como instrumento para penetrar fundo na condição humana. Um marco, portanto, numa carreira literária a esta altura consolidada e vitoriosa". , de acordo com o imortal Moacyr Scliar.
Como sempre, as ilustrações de Jo Teodorescu dão um toque sensível aos textos. E, já que se trata de um livro pré-póstumo, vale a pena prestigiar o autor ainda em vida. Sobre o autor Alexandru Solomon nasceu em Bucareste, em 1943, o que o torna um simpático sessentão. No Brasil desde os 17 anos, fez seus estudos no Clégio Rio Branco, graduou-se pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica – e obteve o mestrado em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas. Ao lado de uma sólida carreira empresarial com trânsito internacional, ou talvez por causa disso, o Alexandru passou a se dedicar a uma nova paixão: a literatura. Publicou oito livros: Almanaque anacrônico (2000), Versos anacrônicos (2001), Apetite famélico (2001), Mãos outonais (2003), Sessão da tarde (2004), Desespero provisório (2005), Não basta sonhar (2007) e Um triângulo de bermudas (2008). Teve vários livros e contos premiados no Brasil e Exterior. Aos poucos, está se tornando ´´o empresário que virou escritor``, mesmo que para tanto tenha escolhido deixar de ser empresário. Como todo maratonista, do alto das mais de 50 maratonas já completadas, acredita no triunfo da persistência. Resta convercer livreiros e leitores, não necessáriamente nessa ordem. Serviço Editora Totalidade O Desmonte de Vênus (contos e crônicas) ISBN 978-85-85293-67-3 Rua Eng. Alcides Barbosa, 29 | Jd. América Fone: (11) 3064-3688 | 3064-0598 www.totalidade.com.br Confira também nas livrarias: Saraiva (www.saraiva.com.br), Cultura (www.cultura.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 11h57
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Agenda Cultural

Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h14
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Opinião
Pesadelo privatista e a CPI da Petrobrás. De acordo com o autor Jean Sevilla no seu livro "Terrorismo intelectual', existe uma técnica, que, por ser universal, vem sendo usada abusivamente por essas bandas também. Concentram-se virtudes negativas, abomináveis, execráveis etc. e elas são associadas a um rótulo, que logo a seguir passa a ser usado como estigma, descolado da sua origem. Privatista é um deles. O candidato Alckmin que o diga, ao rejeitar, vestindo uma camiseta da Petrobrás a ‘pecha infamante’ de querer privatizar a Petrobrás.
Rótulos blasfematórios não faltam e já são usados de forma mecânica para desqualificar opositores. Privatistas, neoliberais, elites, vendilhões etc. Poucos se lembram de onde partiu o jato de veneno, restou o insulto, revigorado pelo uso contínuo. Em função disso, desenvolveram-se movimentos demagógicos para movimentar massas de manobra prestes a escandir: Fora FMI, A Petrobrás é nossa – coroando essa hipocrisia com rituais cheios de apelo emocional, como, por exemplo, “abraçar a sede da Petrobrás”. E por que não postos de gasolina? Dentro do repertório de mistificações usadas sobressai-se chamar de “impatriótica” a CPI da Petrobrás, como apontado por José Neumanne (Estado A2 27/5). Um pouco de reflexão acerca do slogan “A Petrobrás é nossa” mal algum faria. Nossa? De quem? Trata-se de uma empresa por ações que pertence, pois, aos acionistas, sendo o maior dele o Estado. Suponhamos que, cúmulo dos horrores, o Governo venderia parte das ações – como já o fez – mas exageraria na dose , a ponto de ceder o controle a algum grupo econômico, ou a uma massa enorme de acionistas individuais. Qual a grave ameaça que pairaria sobre o indefeso povo, em nome do qual tantos enchem a boca? Pensemos no pré-sal. Segundo o bem informado diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, 50 bilhões de barris compõem nosso ‘mar de petróleo’.(essa simples declaração sem embasamento justificaria sua demissão) Um senador rápido de contas (A. Mercadante ao debater com o sen. Guerra na globonews) já afirmou que a 60 dólares o barril, isso significa 3 trilhões de dólares. Essa fortuna não está á disposição de quem gritar: Eu quero minha parte – quero meus 15 mil dólares! Será preciso extrair, pelo menos. Nesse ponto, entra o único argumento válido dos adversários da privatização. O ‘timing’ de uma empresa subordinada ao governo pode não ser o mesmo de uma empresa privada. Se é interessante explorar tendo em mente um horizonte de 20, 50 ou 200 anos é, de fato, uma questão sensível. Seria preciso imaginar qual a evolução das cotações desse bem finito, o possível surgimento de substitutos, hoje ainda no estágio de desejos, a utilização dessa riqueza em benefício de causas nobres etc. O 'busilis' é saber se dentro de x anos( e qual será o X?), o petróleo terá a mesma importância de hoje. Não me refiro apenas à utilização na matriz energética, pois é apenas uma questão de tempo substituir o combustível. Mais complicado seria encontrar alternativas para a indústria de plásticos- qual o futuro da petroquímica?-. 
Visto sob esse prisma, o problema da administração do uso de um recurso escasso parece decisivo.mas um momento de reflexão nos leva à dúvida:Quem diz que uma estatal, com os vícios, a ela inerentes, acumulados ao longo de TODOS os regimes (agravados com o atual uso irresponsável da Empresa como muleta de uma política"nefelibática'-como diria o outro), saberá fazer melhor? Não nos esqueçamos de que o Governo (qualquer um) será, em tese, suficientemente inteligente para, mesmo em caso de privatização, manter/impor um controle das operações para evitar uma exaustão prematura. Privatizada ou não, a Petrobrás, Petrobráx (há quem mal consegue conter a fúria ante esse nome sacrílego) ou Entreguista S/A, seja qual for o nome não arrancará, sem custo, das entranhas da Terra esse petróleo e depositará o produto da venda numa conta aberta em nome do “Povo brasileiro e/ou”. Imaginar fantasmas hostis, como as “malditas multinacionais” conspirando contra nós não enriquece a discussão. Afinal a “Maldita multinacional Petrobrás” não irá prospectar petróleo no Mar Negro? Já não o faz em tantos outros lugares? Haverá um sistema de concessão, partilha ou alguma forma criativa, mas qualquer que seja, haverá um valor enorme composto de receita mais o festival de impostos que irá parar numa rubrica orçamentária. Daí à conta “Povo brasileiro e/ou”, infelizmente, haverá uma distância abissal. O que seria profundamente lamentável é que diretorias como a “que fura e acha petróleo’ continuem objeto de acordos políticos e que os resultados da atividade de exploração, ao invés de irem para a conta “Povo brasileiro e/ou’ financiem projetos suspeitos, eventos promovidos por ONG´s bizarras e outras variações sobre esse tema – por demais indigesto. E isso, dificilmente aconteceria no caso de prevalecer essa tão detestável privatização que a todos - situação e oposição - parece horripilar. O assunto merece ser debatido seriamente sem perder de vista que uma fortuna como essa não aparece a qualquer momento. Debate sem gritaria, por favor!
Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Laselva. asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h22
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Ao mexer na tributação dos fundos, mesmo que o PPS apoie a medida, o problema fica apenas adiado.
Os Gênios da Lâmpada e as cadernetas de Poupança
Novamente, o discurso político ofusca realidades aritméticas, na novela das cadernetas de poupança. Resumindo o drama que se aproxima: Breve, com a continua e bem-vinda redução da taxa SELiC, a caderneta de poupança poderá se tornar a melhor aplicação de renda fixa. E daí? Nada demais, apenas será preciso considerar a possível migração das demais aplicações de renda fixa rumo ao Eldorado redescoberto. Para sair da enrascada, assustados com a grita causada pela possível mexida nas cadernetas – não faltou quem dissesse ser essa medida pior que o confisco do presidente Collor – os gênios entraram em ação e surgiu a sugestão de se diminuir a tributação das aplicações concorrentes: os fundos de renda fixa. Ao mexer na tributação dos fundos, mesmo que o PPS apoie a medida, o problema fica apenas adiado. Empurra-se com a barriga, para, em seguida, com a queda desejada da taxa SELIC, deparar-se com a volta do imbroglio. Ou, então, admitimos que o objetivo é encontrar um remendo – especialidade da casa – não uma solução. É fácil verificar que ao estabelecer o teto de 15% de IR, com alíquotas decrescentes em função do tempo, caso a Selic caia mais, ficando na casa de 8-9%, mesmo com a taxa de administração tão falada caindo a ZERO, A ENXURRADA PARA AS CADERNETAS NÃO SERÁ DETIDA. Faz sentido adotar tratamentos fiscais iguais para aplicações financeiras que competem entre si. Mas aí entra em cena esse ser superior – o político. E eis que surge uma idéia brilhante. Pedir ao Leão que ajude, mordendo nas remunerações das cadernetas. Para não deixar a fera solta, os sábios sugerem um tratamento diferenciado. Atacar as contas maiores. Tudo combinado, surge uma dificuldade. Tributar grandes aplicações na caderneta – faltando definir o que é "grande" –, dará margem à mesma gritaria – demagógica ou bem-intencionada, dependendo da coloração partidária . "Mexeram no bolso do povo" – perorarão nossos ilustres representantes, mesmo em se tratando apenas de uma meia-verdade. Todos são 'povo' nessa hora – quando vistos do alto do palanque! Possivelmente, os políticos sejam avessos à aritmética elementar, preferindo os discursos. No entanto, é preciso alertá-los para o fato de a tributação mais amena dos fundos, ao criar um desequilíbrio na estrutura tributária, abrirá uma caixa de Pandora. Com efeito, qual será a moral do fisco – admitindo que haja tal preocupação – em tributar aplicações de longo prazo em renda variável? Uma aplicação em Bolsa mantida por 3 anos – por exemplo – pagará mais IR que uma aplicação de renda fixa? Tentem explicar isso, proclamando, ao mesmo tempo, a necessidade de aumento dos investimentos. Um imóvel, vendido após 5 anos, pagará IR sobre um lucro real, muitas vezes nulo descontada a inflação. Nesse caso nada de mexer nas alíquotas Tributar ganhos nominais é cômodo e ajuda na formação do superávit primário, no nosso ambiente, subitamente isento de inflação – para efeitos de mordidas leoninas. Finalmente, a remuneração das cadernetas – 6%+TR – fará sentido num contexto de inflação de, por exemplo 4,5% a.a – o famoso centro da meta? Perguntem aos franceses o que acham da remuneração do seu Livret A, inferior a 2% a.a! De abordagens simplistas, tomadas de afogadilho, o inferno está cheio.
Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano. asolo@alexandru.com.br
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h57
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