A crônica do Alexandru Solomon


 
 

Maratona Nova Iorque 2009

Da largada à chegada o desafio de sempre ir além

Tive o prazer de participar da maratona de Nova Iorque. Apesar de ser a 19a vez que cumpro essa prazerosa' tarefa', ela é sempre motivo de alegrias imprevisíveis.

Como já disse repetidas vezes, um cidadão respeitável – acho que o sou – não corre para ganhar. Seria muita pretensão. Com o passar dos anos, melhorar sua marca pessoal torna-se cada vez mais improvável. Então? Ora, é muito gratificante fazer parte da festa, sentir o apoio daquela massa de torcedores que lá estão gritando palavras amigas, transmitindo a tal energia positiva, tão necessária. Não pretendo ser original ao afirmar ser essa maratona ÚNICA. Desde o ano passado, a organização procurou resolver o problema da largada super-aglomerada. Os corredores largam em 'ondas' . Assim, a primeira largou às 9h40, a segunda, às 10h e a terceirta, às 10h20. Leitor de Alvin Tofler, larguei na Terceira Onda – com o perdão do trocadilho. De fato, a largada foi mais tranquila, embora em nenhuma edição anterior, eu tenha tido motivo de reclamação.

O principal inconveniente é passar debaixo do cronômetro que encima o arco da chegada e sair 'mal' na foto. Para os 'terceirondistas' há o acréscimo óbvio de 40 minutos... Como os corredores correm com um 'chip' – isso já é uma constante em qualquer corrida de rua que se preze – o que vale é o tempo líquido. Mas vá explicar que correu em menos de 5 horas se o relógio aponta 5h41minutos!

Para efeito estatístico, concluí a prova em 4h58min12 segundos atrás de mais de 30.000 outros, mas, ainda assim ultrapassei alguns milhares. Isso sem contar que melhorei minha marca do ano anterior em 1min45 segundos!

A nota engraçada ocorreu antes da largada.

Até este ano a imensa maioria dos corredores alojada em Manhattan pegava um ônibus em frente a Biblioteca da 5a avenida – uma operação que envolve centenas de ônibus – e assim chegavam à concentração em Statten Island, e onde percorreriam os 42km195m para chegar em Manhattan, não muito longe do ponto de partida. Peço aos engraçados dispostos a perguntar "pra que fazer tanta força se é para chegar tão perto de onde saiu", que se abstenham.

Este ano inovaram. Alguns deveriam pegar o ferry na extremidade sul de Manhattan. No meu número de peito constava "ferry". Como toda novidade, essa gerou-me um stress. Acharia um táxi – bobagem, claro – mas era uma preocupação adicional. A solução veio de maneira inusitada. Sabia que no hotel havia uma delegação enorme de espanhois que sairia em ônibus próprio. Resolvi tentar a 'suerte'. Cheguei junto à pessoa que gritava mais alto, empunhando uma lista e perguntei se, pagando 'por supuesto', não poderiam me levar.

Se houver lugar, com certeza, disse-me.

Eis que chega um bus. Encheu em menos tempo que levei para teclar este fato.

Que azar!

Espere, disse-me a fada autoritária, ". Hay un otro"

Chegou o "otro' e, aparentemente, encheu.

Hay una vaga!

"El", gritou a doce tirana. E assim embarquei, em meio a um mar de agasalhos vermelhos – a cor da Fúria e também desses corredores.

 

"Pour la petite histoire", como dizem os patrícios de Gaulle, – ou à guisa de nota de rodapé – Ingrid me contou que uns 5 minutos após termos 'zarpado', chegou um 'agasalho vermelho' dentro do qual , um retardatário constatou seu azar. Não tenho dúvida de que ele tenha se virado para alcançar a largada.

 

Alexandru Solomon, escritor.



Categoria: Crônicas
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h18
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Dúvidas e mais dúvidas.

 

   Um dos livros de Lênin ostentava o título "O que fazer?". A pergunta persiste em contexto diverso.

As eleições estão distantes, se é que os poucos meses que nos separam da campanha eleitoral – dentro dos conformes que a desprezada Lei eleitoral reza – possam caracterizar distância. Sobe a temperatura. Breve, as boas maneiras terão seu espaço reduzido, dando lugar ao fluxo de metáforas que parecem dever pavimentar o caminho do sucesso. E dá-lhe futebol, culinária, economia doméstica. Para não deixar a contagem em constrangedores 400 x 0, a oposição enveredará pelo terreno para o qual foi atraída. Procuram-se especialistas em metáforas! Nefelibatas, abstenham-se!

No campo das idéias a oposição nos brinda com uma total falta rumo, dizem. Mas será que há algo que possa fazer? Uma coisa há de ser entendida. Qualquer dos dois candidatos mais prováveias, uma vez eleito, terá de assumir uma herança, seja ela 'maldita' ou maldita sem aspas, com o cuidado de não atuarem como herdeiros incompetentes. Na campanha, qual poderá ser, no campo das propostas, o diferencial da oposição? NENHUM. Poderá alterar os rumos do pré-sal, mas evitará o debate prévio i.é durante a campanha. Colocar como plataforma política a honestidade somente se for num programa humorístico. Como enfrentar o partido que não rouba nem deixa roubar? Competir na negação da paternidade do mensalão – cuja existência está colocada em dúvida pelos cínicos? Nunca antes neste país houve tamanha transparência será a resposta. Nunca houve mensalão, aloprados, Waldomiro e o que apareceu – coisinha boba – só apareceu por causa da transparência, causando o maior espanto ao grande líder que de nada sabia e quando soube, constatou tratar-se dos péssimos hábitos que vinham desde o descobrimento do Brasil.

Rebater as acusações privatistas, a “privataria”, quando 90 por cento dos eleitores não sabem do que se trata (apesar do refrão que oposição e situação entoarão com igual caradurismo: O povo não é bobo! – Talvez não seja, mas está mal informado e pouco interessado em informar-se melhor) demandarão uma dose de imaginação ligeiramente superior que a do candidato Alckmin (e de seu staff, em 2006). A defesa que consistiu em envergar a camiseta da Petrobrás – atenção não foi PetrobráX, terminação muito em voga, ultimamente – foi de um ridículo atroz. Em compensação, o eleitorado já vem sendo metralhado com a imagem dos privatistas, os comedores de criancinhas da hora.

O resultado dos programas assistenciais e a Olimpíada de 2016 são cabos eleitorais de peso. Trata-se indubitavelmente (?) de filhotes do Cara, como se à sucessora, digna genitora da sigla PAC, deverão ser atribuídas automaticamente as virtudes do padrinho.

Cá entre nós: qualquer candidato só poderá dizer na campanha que deseja o melhor para o País. Ou não? Ficaremos no campo árido do “como”, não do “quê”. Imaginem a beleza do debate acerca da manutenção ou não do superávit primário/ nominal, ou da independência ou não do BC, futuro Mercosul etc. Viva a TV a cabo!

Aos queridos Aécio e Serra – uma vez concluída a pugna fratricida, por ambos negada solenemente, sobrará a tarefa de tranquilizar a clientela, afirmando, jurando, prometendo etc. que nada do que é bom será tocado. Pronto! Será que a turma do “andar de baixo”, em doce manada, escolherá a mudança – nos detalhes – quando hoje algo como 80% dos eleitores acha Lula a encarnação da perfeição? Ou apavorados com os clichês preparados: neoliberalismo, consenso de WASHINGTON, repúdio ao estado mínimo que – mais uma vez são conceitos cujo significado escapa a uma parcela acachapante do nosso eleitorado – optarão por mais do mesmo, mas com qualidade supostamente melhor. Quão melhor será o ‘tudo bem’ de hoje?

Será que mais uma vez – como é chato repetir – será preciso discutir a qualidade dos gastos, debate arbitrado por analfabetos funcionais? Para maior conforto da situação, o debate será levado para um terreno pantanoso: Comparar a era FHC com a era Lula. Adiantará argumentar que a evolução do Brasil se deveu a uma conjuntura favorável, que permitiu ao Brasil enfrentar a atual crise em situação mais confortável do que nos anos ‘negros’ de FHC? Por acaso informar o distinto público eleitor que os contendores não são nem Lula nem o príncipe do sociólogos terá o efeito de uma luminosa revelação ?

Falar em aparelhamento do Estado e demonstrar sua realidade nociva será um ponto – que fará bocejar . Como bosquejar o retrato do que poderia ter acontecido sem essa enxurrada de companheiros em postos para os quais tinham como pré-requisito a filiação ao PT ou a docilidade ao Cara? Virá o inefável presidente do IPEA, explicando que na verdade nosso Estado não é paquidérmico, como maldosamente afirmam os “neoliberais”. Dirá que o Estado é raquítico, portanto carente de vitamina D. D de Dilma, of course, patuléia ignara!

Faltou à oposição, nesses anos uma postura digna de suas ambições. Seguramente “deixar sangrar Lula”, no ápice da crise do “inexistente” mensalão não passou de fracassada esperteza.

Lamento não poder enxergar quais as ideias luminosas que poderão cativar analfabetos funcionais, mas essa dúvida é posição de zelite, logo, de uma minoria e, com o perdão do truismo, eleição majoritária ganha-se com a maioria – frase com a qual o conselheiro Acácio haverá de concordar, se consultado.

 

Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h05
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A caminho do Rio...

 Olimpíada 2016.

Conta Pausânias que coube a Heracles a glória de ter instituído os Jogos, dando-lhes o nome Olímpicos.Ele decidiu que teriam de se desenrolar a cada cinco anos, já que ele tinha quatro irmãos. Fazendo uma conta rápida, chega-se ao número cinco. Posteriormente quis o destino que eles se desenrolassem a cada quatro anos.

E eis que a honra de sediar a Olimpíada de 2016 coube ao Brasil.

Patriotadas e ‘Nunca antes na história deste país’ à parte, há motivos de sobra para festejarmos a escolha do COI., mesmo o Sr. Jacques Rogge tendo afirmado que o papel do NOSSOPRESIDENTE não foi o fator determinante na escolha.

Será uma festa para a qual devemos nos preparar, para que imagens imperecíveis sejam evocadas por gerações. Todos se lembram das lágrimas do ursinho Misha – na olimpíada de Moscou de 1980, ou do discurso dublado da chinesinha anônima em Pequim 2008, ou da imagem de Emil Zatopek em Helsinque 1952. Teremos de fazer bonito, encontrar alguma coisa que marque o evento como “Nunca antes na história dos Jogos Olímpicos”.

O conselheiro Acácio, numa tirada facilmente previsível, diria que para se ter um evento notável é preciso investir.

Investir? Ah, bom, nisso não temos problemas. Fala-se em 20-30 bilhões, só não decidimos ainda se serão Reaia, dólares ou coroas dinamarquesas. Dinheiro há de sobra e já veio a ordem do NOSSOPRESIDENTE: “Pouco importa o quanto gastaremos, o importante é quanto ganharemos com isso”.

Será que ganharemos? Em outros locais onde, é bem verdade, não canta o sabiá, contabilizaram-se perdas, mas isso é de menos.

Sejamos otimistas.

Segundo Tristan Bernard otimistas e pessimistas sentem igual medo da realidade. Com um pequeno esforço, tentemos ser realistas.

O investimento é de vulto. Há quem fale em PAC das Olimpíadas, como se essa sigla mágica fosse a chave de tudo. Muitos investimentos permanecerão e, de fato, trarão benefícios, alguns até de difícil quantificação: edificar uma Vila Olímpica, construir uma linha de metrô, aprimorar o trânsito com aquele conjunto de nome complicado etc. A importância de alguns desses investimentos é tal que motivam a pergunta trivial: ”Será que se não houvesse a Olimpíada não deveríamos encará-los!?”.

Grupos de trabalho já foram constituídos ou estão em estado adiantado de gestação. É sabido que criar uma comissão resolve todos os problemas, desde a colocação de uma lâmpada à imortalidade da alma. Tudo será fiscalizado com redobrado vigor, como se até hoje nunca houvesse fiscalização de obra alguma. É verdade que ostentamos alguma alergia ao TCU e falamos em “flexibilizar”. Era o que nos faltava: sem flexibilização, nada feito.

A rede hoteleira do RIO terá de ser ampliada - a isso chamamos dimensionar pelo pico. Hoje temos uma ocupação insatisfatória; passados os JO teremos uma capacidade ociosa maior ainda, mas que importa? E nada de piadinhas, por favor. O símbolo continuará sendo o conjunto dos cinco anéis entrelaçados. Podemos apostar que depois dos Jogos não serão quatro. A bandidagem será controlada: o pessoal da pesada oferecerá coroas de flores, no melhor estilo havaiano, aos visitantes. Não vamos maliciar com essas coroas.

 

Enfim, com um orçamento flexibilizado – os Jogos Panamericanos foram uma amostra edificante – chegaremos à estrutura desejada. Claro, haverá atropelos, assim como houve em Atenas e Pequim, mas com cartazes avisando: “ Cuidado, tinta fresca” tudo se resolverá a contento, para gáudio das lavanderias. Mais um estímulo ao PIB.

Um certo acesso de ufanismo já nos faz antever catadupas de medalhas.

Como?

Sempre fomos uma potência média e dificilmente sairemos desse nível, mantida a atual mentalidade. Quando a China decidiu fazer bonito em 2008 houve um esforço impressionante. A partir dos resultados conseguidos em Atenas já se previa que os atletas - e as atletas – arrasariam, quatro anos mais tarde. Com efeito, conseguiram já em 2004 uma safra importante de medalhas. Sem querer ser pessimista, será que em Londres, tirando algumas estrelas, já teremos preparado a geração vencedora de 2016? Um Joaquim Cruz não surge por geração espontânea. Discursos não geram campeões. Os grupos de trabalho abrirão o caminho...

Como?

Com ‘paitrocinio’ de César Cielo, com uma Jade Barbosa que nem salário recebe? Será que reunir presidentes de federações, bater na mesa e exigir resultados bastará? O que de mais notável conseguimos no atletismo foi uma coleção de resultados positivos... de doping, levando ao desespero o dedicado empresário Jorge Queiroz de Morais do Grupo Rede.

É claro que apostar no surgimento de novos talentos é importante. Mas apostar somente não bastará. Para isso temos a megassena.

É importante estimular a juventude para que possamos , depois de grandes esforços – e os sete anos que nos restam poderão ser ou não suficientes, dependendo do empenho dos dirigentes, conseguirmos alcançar o ‘status’ de potência olímpica.

Com certeza, se pensarmos como Bernard Shaw que dizia que o único esporte que praticou foi a caminhada, acompanhando o enterro dos seus amigos esportistas não chegaremos lá.

 

Alexandru Solomon é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br

 



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 12h39
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    Aguns talvez se lembrem do meu livro DESESPERO PROVISÓRIO, premiado na Sicília, com um primeiro lugar na sua categoria. Acabo de saber que ele acaba de ganhar um honroso segundo lugar - acho que não é motivo de desespero, nem mesmo provisório, num concurso na Suíça.

Mas não é sobre isso que desejo falar, uma vez que já falei.

Fico pasmo com a caça aos neologismos. Tudo bem que Sale em vez de Liquidação não seja uma maravilha, mas "est modus in rebus' - há limite para tudo. Eis uma poesia daquele volume, com a necessária atualização.

 

 

...E a caravana passa

 

Ao citar a flor do Lácio, dizem ser inculta e bela,

Brilha em qualquer desfile, sobre qualquer passarela,

Temo ouvir o que diria um fanático purista,

Mas possuo um argumento, e torçamos que resista.

 

Mesmo ao comungar do credo, me ocorre um reparo.

Essa tal ortodoxia muitas vezes custa caro.

Se limpar vocabulário, há de se tornar mania.

O rigor desse excesso leva à xenofobia.

 

Rejeitando, por princípio, uma citação latina,

Sob pretexto de que ofende os ouvidos, a retina,

Se alguém disser “sic transit”, será logo excomungado?

E um “Alea jacta est”, senhores, representa um pecado?

 

“Quousque tandem Catilina” será prova de mau gosto?

Um “Quo vadis”, “Vade retro” serão fonte de desgosto?

Sem haver “Habeas corpus”, que farão os advogados?

Por um “Dura lex” à-toa, ficarão desempregados?

 

O problema se complica, não vivemos isolados.

Os afoitos decretaram fomos já colonizados.

A tal ponto que, de modo totalmente extravagante,

Quem usar neologismos leva estigma de pedante.

 

Ou será que doravante nunca gritaremos Gol!

E diremos ludopédio, abolindo futebol?

Algo acabar em pizza é um termo consagrado.

Até álgebra, senhores, deverá ser evitado?

 

Um ou outro novo termo poderá ser extirpado.

Deletar, até concordo, pode ser eliminado.

Mas o tal “bug do milênio” teve seu lugar ao sol.

E não houve alternativa, só programas em COBOL.

 

Esqueceram, “data venia”, que um “bit” é abreviatura,

Traduzir por “pedacinho” tudo em nome da cultura,

Que supõe que só tem aves que gorjeiam por aqui,

Deixa-nos só as palmeiras, quanto ao resto “C”est fini”

 

PARA ATUALIZAR...

 

Todas essas bizarrices, procurar em ovo pelo

Encontraram um ilustre defensor: Aldo Rebelo

Surge novo integrante da magnífica legião

Um governador de peso : O Roberto Requião

 


*Alexandru Solomon também é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, (´Desespero Provisório`) , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas` e o recente livro de contos e crônicas ´O Desmonte de Vênus. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Pega-sonho (Rua Martinico Prado, 372 – Higienópolis – SP – Tel.: (11) 3668-2107).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Categoria: Poesia
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h58
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Cultura

Ilusões perdidas

 

Para os meus fieis leitores, um esclarecimento. Tentei, ou venho tentando – para quem tolera o uso abusivo do gerúndio – com que o Estadão, através do caderno Cultura fizesse uma resenha de algum dos meus livros. Tarefa ingrata, considerando as centenas de livros publicados mensalmente. Seria como pedir por um milagre estatístico. Estatística existe, porém os milagres são raros. Finalmente, estabeleci contato com os responsáveis do Cultura, e me foi dito que o caminho indicado seria a remessa, através da minha editora, da obra candidata à imortalização. Quod fecit. O que se seguiria – imaginava eu – seria uma análise crítica da obra, e caso fosse considerada merecedora de uma resenha, seria essa publicada nesse nobre espaço, aspiração de qualquer autor.

Após alguns anos de labuta reconhecida através de premiações no Algarve, Sicilia, Basileia e diversos certames locais, imaginei, cúmulo da pretensão, encontrar no jornal do qual sou assinante há 40 anos – mero detalhe – uma acolhida crítica aos meus textos.

Decorrido algum tempo, sem resposta, solicitei novidades através de e mail. Novidades havia e da pior espécie para as minhas pretensões...” com espaço reduzido no caderno Cultura para resenhas e também tínhamos seção fixa relacionada ao Ano de Euclides, evento multimídia do jornal, dedicado a homenagear a passagem do centésimo aniversário de morte do autor de Os Sertões. Com isso, mesmo críticas prioritárias – na avaliação de nossos especialistas – estavam ficando para trás.

Vamos continuar cobrindo, até o fim do ano, com destaque, eventos relacionados a Euclides, mas, para além disso, o volume de próximos lançamentos (estamos às vésperas de mais uma Bienal do Livro) exige, de fato, uma seleção ainda maior. Tudo isso, sem falar que o Cultura, conforme o senhor acompanha, cobre outras áreas além de livros”. Seguia a assinatura do responsável.

Imprensado entre comitês de redação das grandes editoras – repletos de talento e acne juvenil – e as grandes livrarias, cujo comportamento ombreia-se, no trato com seus “fornecedores”, a gigantes éticos como o Carrefour, supus, algo precipitadamente, que encontraria um espaço, por menor que fosse, alguns inestimáveis centímetros quadrados no caderno Cultura. Não seria a revanche do gênio ignorado e sim, uma menção que, desnecessário insistir, seria uma mão na roda. Mão esquerda ou direita, quem iria se importar? Nessas horas, os críticos são ambidestros.

O normal seria, digo isso olhando com veneração meu umbigo, uma vez dada a mostra de gentileza de acolher meu último livro, que se desse alguma sequência ao processo, ou, se fosse o caso que se cortasse pela raiz minha arrogante pretensão. Para que se dispor a receber um livro que não seria lido?

A história foi escrita de maneira diversa.

A opção escolhida foi evitar um não definitivo, algo como: “Não vê que estamos ocupados?” ou, numa concessão à polidez “ Desolados, informamos haver irreconciliável conflito entre nossas intenções e nossos compromissos, não podendo receber seu livro” e que se encerrasse o diálogo. Perfeitamente razoável. Não se impõe coisa alguma a um jornal. Não numa democracia. Ainda estamos numa.

É sempre desagradável dizer não. Melhor optar por evasivas do tipo "é meio dificil'. Quem leu, nos anos sessenta, um livrinho “Brasil para principiantes” – fulminado em editorial do Estadão – há de se lembrar desse pormenor.

Não foi uma enorme surpresa receber após minha justificável insistência, uma resposta afirmando estar a redação assoberbada de tarefas - inclusive ter sido, aparentemente, colhida de surpresa pelo advento do centenário de Euclydes da Cunha – fato que obviamente, constitui um evento totalmente imprevisível. Assim sendo, fui informado que há mais coisas a se fazer do que debruçar-se sobre o mais recente - espero que não o último – trabalho deste petulante autor.

Dissessem isso de início, nada poderia contestar. A pergunta: “Por qual motivo solicitaram o envio do livro?” permanece no ar.

Estava disposto a acolher com bravura uma sentença inapelável do tipo: “ Apesar de insanos esforços, nada encontramos na leitura desse O desmonte de Vênus – nome do livro – que merecesse algo mais que um sorriso piedoso, que dizer uma resenha! Era um risco ao qual meu ego se expôs voluntariamente.

 

Aceitar o livro, para em seguida informar que a Bienal se aproxima encerra um certo toque sádico - involuntário, vá lá que seja.

Passei o final de semana relendo um livrinho interessante “Comment devenir um brillant écrivain alors que rien (mais rien) ne vous y prédispose!

Ou seja: Como tornar-se um escritor brilhante quando nada(mas nada mesmo) o predispõe a tal. Escrito em tom de troça – por um autor que se esconde sob o pseudônimo de Aloysius Chabussot – ele respondeu a dúvidas atrozes e, de certa forma as solucionou.

Não é o caso de exclamar como um Zola dos trópicos: J´accuse. Limito-me a um simples Je proteste contra uma promessa vazia.

 

Alexandru Solomon

 

Moral da história: Só alguém em quem se deposita alguma esperança é capaz de proporcionar uma desilusão.



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 17h43
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Momento Cultural

Testemunho do autor.

Foi uma noite - refiro-me à do lançamento de “O desmonte de Vênus” difícil de esquecer. Digo isso, pois a lembrança daquele frio boreal dá para arrepiar até almas menos sensíveis que a deste escritor. Tudo funcionou com a precisão de um relógio suíço - nada a ver com as imitações com as quais os camelôs assediam inocentes transeuntes na paulicéia e outras metrópoles. Para os distraídos, reitero tratar-se do lançamento do “O desmonte de Vênus”- dizem os especialistas em marketing que o risco de saturar o leitor existe, mas vale a pena arriscar. Arrisquemos, pois, para fixar a imagem do produto.

Devo fazer uma confissão. Em eventos como esse, a preocupação do herói do dia - da noite, vá lá - fica dividida entre a atenção, o carinho e as demonstrações (genuínas) de agradecimento aos abnegados que se dispuseram a comparecer e a contabilização mental das "baixas" - aqueles “infames traidores”, cuja ausência adquire proporções de imperdoável felonia. Caramba, fulano não veio! A frase, na qual basta colocar o nome do "traidor" - traidor é um eufemismo, já que os epítetos destinados aos ... - bem , não vamos exalar veneno, são, quase sempre impublicáveis - martela a mente e dá lugar às eternas dúvidas. "Não vieram porque não puderam ou porque o que escrevi não presta? Poxa, e como ficaram sabendo se não leram?" Esse conflito entre autoflagelação e autocomplacência esgota as energias do distribuidor de dedicatórias. Junte-se a isso o fato da minha obsessão em evitar fórmulas do gênero: "Ao caro (pode ser distinto, dileto, dedicado etc.) amigo, com um abraço (abraço é essencial e politicamente correto) do autor." para entender o cansaço após o agradável reencontro com figuras amigas.

Àqueles que me prestigiaram, meus agradecimentos e aos demais o convite: "Leiam esse “Desmonte” antes que se torne best - seller. Aí já não sentirão a alegria de ter descoberto um talento consagrado pelo fino gosto daqueles que se anteciparam à critica habitualmente tão cega (míope, para ser menos agressivo). Ficarão apenas com o prazer da emoção estética sem a satisfação própria do pioneiro desbravador da selva literária".

***

Vejam bem. A intenção, ao enviar o tal testemunho do autor - terá sido lido até o fim? - não era cutucar amigos. (embora assim possa parecer). Fico angustiado com a postura dos livreiros. Por exemplo, lancei esse "O desmonte de Vênus" na Saraiva do Shopping Higienópolis. O evento foi "uma reussite totale", marcado pela venda de algo como uma centena de livros.

Depois de uma semana, resolvi dar uma passada na livraria - o criminoso voltando ao lugar do crime - e perguntei qual era o paradeiro da “obra”, já que não estava exposta. (nem ao menos numa estante que fosse requerer esforços de contorcionista para localizá-la). Resposta despreocupada do vendedor e do gerente, cuja presença foi solicitada :”Está no estoque”. Ou seja, num cubículo infame, na sobreloja, longe dos olhares ávidos dos eventuais leitores. Não só isso, tem mais. “Estamos recontando para... devolver à editora, e, doravante, quem quiser poderá acessar nosso sítio (ou site, se preferirem). Pergunta que não quer calar: De que jeito algum visitante daquele supermercado - esse altar da cultura não passa disso, a rigor, inclusive com práticas dos Carrefours da vida, quanto a exigências em nome de uma "parceria" que funciona num sentido só - poderá ter, ao menos, a possibilidade de tomar conhecimento de que existe AS e sua (*dele AS) imperecível obra. Se me der na telha, poderia recomprar a edição inteira; e daí? para recolocá-la em livreiros que me escondem? Sabotagem? Incompetência? A lei do menor esforço na sua forma mais repulsiva? Algumas palavras de alguém que se desse ao trabalho de fazer uma resenha, com o risco – aceito - de ser demolido pelo crítico atenuariam o drama? Mencionei a Saraiva, mas trata-se de uma postura geralmente adotada pelas melhores casas do ramo, com variações insignificantes. O destino do “Triângulo” não foi diferente. Então para que fazer um lançamento dentro de uma livraria? Para que o livreiro fique com a parte do leão? Poderia ser em qualquer espaço. Dirão que o evento poderia atrair curiosos - não há falta deles em livrarias e com mais razão em Shoppings. Pasmem. Nos últimos três lançamentos: ”O desmonte...”, “O triângulo...” e “Não basta sonhar”, nenhum ’distraído’ – e não faltaram cartazes - teve a ousadia de comprar. Tempos bicudos! Explicação fraquinha desse desagradável fenômeno, não?

Desde sempre, disse que meu desejo é tornar-me conhecido como escritor. Não serão os amigos abnegados que conseguirão realizar essa proeza. Talvez deva ter mais amigos. Meio tarde para isso. (esse papo do Roberto Carlos “Eu quero ter um milhão de amigos” não convence). Sinceramente, fico constrangido ao “empurrar” trabalhos de cujos méritos chego a duvidar à medida que o tempo passa.

Resta-me perguntar, como o fez o goleiro Ghezzi do Milan, quando da surra aplicada pelo Santos, num inesquecível espetáculo - que misturou o ludopédio com o pólo aquático -, em pleno Maracanã: “Che succede?”

Em tempo! Àqueles que queiram dar uma “espiada” nesse “Desmonte”, entrem no site da editora (www.totalidade.com.br). Eis o convite a boa leitura - com a modéstia da palavra, claro!



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h37
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Momento Cultural

 

´´O Desmonte de Vênus``, de Alexandru Solomon


Neste seu novo trabalho, o autor Alexandru Solomon mostra as qualidades que o caracterizam como um dos escritores mais expressivos da nova geração de ficcionistas brasileiros e que lhe garantiram vários prêmios, inclusive internacionais: o completo domínio desta difícil arte narrativa, que é o conto e a desenvoltura na linguagem, o humor irônico e ácido, usado como instrumento para penetrar fundo na condição humana. Um marco, portanto, numa carreira literária a esta altura consolidada e vitoriosa". , de acordo com o imortal Moacyr Scliar.

Como sempre, as ilustrações de Jo Teodorescu dão um toque sensível aos textos. E, já que se trata de um livro pré-póstumo, vale a pena prestigiar o autor ainda em vida.

 

Sobre o autor

 

Alexandru Solomon nasceu em Bucareste, em 1943, o que o torna um simpático sessentão. No Brasil desde os 17 anos, fez seus estudos no Clégio Rio Branco, graduou-se pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica – e obteve o mestrado em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas. Ao lado de uma sólida carreira empresarial com trânsito internacional, ou talvez por causa disso, o Alexandru passou a se dedicar a uma nova paixão: a literatura. Publicou oito livros: Almanaque anacrônico (2000), Versos anacrônicos (2001), Apetite famélico (2001), Mãos outonais (2003), Sessão da tarde (2004), Desespero provisório (2005), Não basta sonhar (2007) e Um triângulo de bermudas (2008). Teve vários livros e contos premiados no Brasil e Exterior.

Aos poucos, está se tornando ´´o empresário que virou escritor``, mesmo que para tanto tenha escolhido deixar de ser empresário. Como todo maratonista, do alto das mais de 50 maratonas já completadas, acredita no triunfo da persistência. Resta convercer livreiros e leitores, não necessáriamente nessa ordem.

 

Serviço

Editora Totalidade

O Desmonte de Vênus (contos e crônicas)

ISBN 978-85-85293-67-3

Rua Eng. Alcides Barbosa, 29 | Jd. América

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Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 11h57
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Agenda Cultural



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h14
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Opinião

Pesadelo privatista e a CPI da Petrobrás.

 

    De acordo com o autor Jean Sevilla no seu livro "Terrorismo intelectual', existe uma técnica, que, por ser universal, vem sendo usada abusivamente por essas bandas também. Concentram-se virtudes negativas, abomináveis, execráveis etc. e elas são associadas a um rótulo, que logo a seguir passa a ser usado como estigma, descolado da sua origem. Privatista é um deles. O candidato Alckmin que o diga, ao rejeitar, vestindo uma camiseta da Petrobrás a ‘pecha infamante’ de querer privatizar a Petrobrás.

Rótulos blasfematórios não faltam e já são usados de forma mecânica para desqualificar opositores. Privatistas, neoliberais, elites, vendilhões etc. Poucos se lembram de onde partiu o jato de veneno, restou o insulto, revigorado pelo uso contínuo.

Em função disso, desenvolveram-se movimentos demagógicos para movimentar massas de manobra prestes a escandir: Fora FMI, A Petrobrás é nossa – coroando essa hipocrisia com rituais cheios de apelo emocional, como, por exemplo, “abraçar a sede da Petrobrás”. E por que não postos de gasolina? Dentro do repertório de mistificações usadas sobressai-se chamar de “impatriótica” a CPI da Petrobrás, como apontado por José Neumanne (Estado A2 27/5).

Um pouco de reflexão acerca do slogan “A Petrobrás é nossa” mal algum faria. Nossa? De quem? Trata-se de uma empresa por ações que pertence, pois, aos acionistas, sendo o maior dele o Estado. Suponhamos que, cúmulo dos horrores, o Governo venderia parte das ações – como já o fez – mas exageraria na dose , a ponto de ceder o controle a algum grupo econômico, ou a uma massa enorme de acionistas individuais. Qual a grave ameaça que pairaria sobre o indefeso povo, em nome do qual tantos enchem a boca?

Pensemos no pré-sal. Segundo o bem informado diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, 50 bilhões de barris compõem nosso ‘mar de petróleo’.(essa simples declaração sem embasamento justificaria sua demissão) Um senador rápido de contas (A. Mercadante ao debater com o sen. Guerra na globonews) já afirmou que a 60 dólares o barril, isso significa 3 trilhões de dólares. Essa fortuna não está á disposição de quem gritar: Eu quero minha parte – quero meus 15 mil dólares! Será preciso extrair, pelo menos. Nesse ponto, entra o único argumento válido dos adversários da privatização. O ‘timing’ de uma empresa subordinada ao governo pode não ser o mesmo de uma empresa privada. Se é interessante explorar tendo em mente um horizonte de 20, 50 ou 200 anos é, de fato, uma questão sensível. Seria preciso imaginar qual a evolução das cotações desse bem finito, o possível surgimento de substitutos, hoje ainda no estágio de desejos, a utilização dessa riqueza em benefício de causas nobres etc. O 'busilis' é saber se dentro de x anos( e qual será o X?), o petróleo terá a mesma importância de hoje. Não me refiro apenas à utilização na matriz energética, pois é apenas uma questão de tempo substituir o combustível. Mais complicado seria encontrar alternativas para a indústria de plásticos- qual o futuro da petroquímica?-.

Visto sob esse prisma, o problema da administração do uso de um recurso escasso parece decisivo.mas um momento de reflexão nos leva à dúvida:Quem diz que uma estatal, com os vícios, a ela inerentes, acumulados ao longo de TODOS os regimes (agravados com o atual uso irresponsável da Empresa como muleta de uma política"nefelibática'-como diria o outro), saberá fazer melhor? Não nos esqueçamos de que o Governo (qualquer um) será, em tese, suficientemente inteligente para, mesmo em caso de privatização, manter/impor um controle das operações para evitar uma exaustão prematura.

Privatizada ou não, a Petrobrás, Petrobráx (há quem mal consegue conter a fúria ante esse nome sacrílego) ou Entreguista S/A, seja qual for o nome não arrancará, sem custo, das entranhas da Terra esse petróleo e depositará o produto da venda numa conta aberta em nome do “Povo brasileiro e/ou”. Imaginar fantasmas hostis, como as “malditas multinacionais” conspirando contra nós não enriquece a discussão. Afinal a “Maldita multinacional Petrobrás” não irá prospectar petróleo no Mar Negro? Já não o faz em tantos outros lugares?

Haverá um sistema de concessão, partilha ou alguma forma criativa, mas qualquer que seja, haverá um valor enorme composto de receita mais o festival de impostos que irá parar numa rubrica orçamentária. Daí à conta “Povo brasileiro e/ou”, infelizmente, haverá uma distância abissal.

O que seria profundamente lamentável é que diretorias como a “que fura e acha petróleo’ continuem objeto de acordos políticos e que os resultados da atividade de exploração, ao invés de irem para a conta “Povo brasileiro e/ou’ financiem projetos suspeitos, eventos promovidos por ONG´s bizarras e outras variações sobre esse tema – por demais indigesto. E isso, dificilmente aconteceria no caso de prevalecer essa tão detestável privatização que a todos - situação e oposição - parece horripilar.

O assunto merece ser debatido seriamente sem perder de vista que uma fortuna como essa não aparece a qualquer momento. Debate sem gritaria, por favor!

 


Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva e Laselva.

  asolo@alexandru.com.br

 



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 15h22
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Ao mexer na tributação dos fundos, mesmo que o PPS apoie a medida, o problema fica apenas adiado.

Os Gênios da Lâmpada e as cadernetas de Poupança

Novamente, o discurso político ofusca realidades aritméticas, na novela das cadernetas de poupança. Resumindo o drama que se aproxima: Breve, com a continua e bem-vinda redução da taxa SELiC, a caderneta de poupança poderá se tornar a melhor aplicação de renda fixa. E daí? Nada demais, apenas será preciso considerar a possível migração das demais aplicações de renda fixa rumo ao Eldorado redescoberto. Para sair da enrascada, assustados com a grita causada pela possível mexida nas cadernetas – não faltou quem dissesse ser essa medida pior que o confisco do presidente Collor – os gênios entraram em ação e surgiu a sugestão de se diminuir a tributação das aplicações concorrentes: os fundos de renda fixa.

Ao mexer na tributação dos fundos, mesmo que o PPS apoie a medida, o problema fica apenas adiado. Empurra-se com a barriga, para, em seguida, com a queda desejada da taxa SELIC, deparar-se com a volta do imbroglio. Ou, então, admitimos que o objetivo é encontrar um remendo – especialidade da casa – não uma solução.

É fácil verificar que ao estabelecer o teto de 15% de IR, com alíquotas decrescentes em função do tempo, caso a Selic caia mais, ficando na casa de 8-9%, mesmo com a taxa de administração tão falada caindo a ZERO, A ENXURRADA PARA AS CADERNETAS NÃO SERÁ DETIDA. Faz sentido adotar tratamentos fiscais iguais para aplicações financeiras que competem entre si. Mas aí entra em cena esse ser superior – o político. E eis que surge uma idéia brilhante. Pedir ao Leão que ajude, mordendo nas remunerações das cadernetas. Para não deixar a fera solta, os sábios sugerem um tratamento diferenciado. Atacar as contas maiores. Tudo combinado, surge uma dificuldade. Tributar grandes aplicações na caderneta – faltando definir o que é "grande" –, dará margem à mesma gritaria – demagógica ou bem-intencionada, dependendo da coloração partidária . "Mexeram no bolso do povo" – perorarão nossos ilustres representantes, mesmo em se tratando apenas de uma meia-verdade. Todos são 'povo' nessa hora – quando vistos do alto do palanque!

Possivelmente, os políticos sejam avessos à aritmética elementar, preferindo os discursos. No entanto, é preciso alertá-los para o fato de a tributação mais amena dos fundos, ao criar um desequilíbrio na estrutura tributária, abrirá uma caixa de Pandora.

Com efeito, qual será a moral do fisco – admitindo que haja tal preocupação – em tributar aplicações de longo prazo em renda variável? Uma aplicação em Bolsa mantida por 3 anos – por exemplo – pagará mais IR que uma aplicação de renda fixa? Tentem explicar isso, proclamando, ao mesmo tempo, a necessidade de aumento dos investimentos.

Um imóvel, vendido após 5 anos, pagará IR sobre um lucro real, muitas vezes nulo descontada a inflação. Nesse caso nada de mexer nas alíquotas Tributar ganhos nominais é cômodo e ajuda na formação do superávit primário, no nosso ambiente, subitamente isento de inflação – para efeitos de mordidas leoninas.

Finalmente, a remuneração das cadernetas – 6%+TR – fará sentido num contexto de inflação de, por exemplo 4,5% a.a – o famoso centro da meta? Perguntem aos franceses o que acham da remuneração do seu Livret A, inferior a 2% a.a!

De abordagens simplistas, tomadas de afogadilho, o inferno está cheio.

 


Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Disponível nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano.

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Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h57
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O que acontece quando os políticos limitam-se a fazer discursos, sem fazer contas?

O NÓ GÓRDIO PREVIDENCIÁRIO REVISTO

Sempre que surge um problema, há a tendência natural de evitar raciocínios abstratos e tentar encontrar uma solução a partir de analogias com situações conhecidas. Imagina-se um modelo mais simples que retrate a realidade. Uma vez equacionado o problema no ambiente mais simples, volta-se à situação mais complexa que o modelo procurou retratar e, ao fazer o caminho inverso, procura-se aplicar a solução encontrada. Os cuidados que são necessários são óbvios. O modelo deve ser suficientemente simples para que possibilite encontrar uma solução, sem que haja, contudo, um excesso de simplificações que levariam a uma 'perda de aderência'. Vale dizer, é preciso que o modelo reproduza com razoável fidedignidade o fenômeno que se quer estudar. Caso contrário, estaríamos encontrando uma solução aplicável ao modelo, não à realidade. O caso da Previdência não foge à regra. A sociedade se depara com um solene, monumental, majestoso 'abacaxi' de gravidade crescente.

Basta imaginar que tudo se passa como se o sistema fosse um reservatório alimentado pela torneira das atuais contribuições, e desse tal reservatório saem os recursos necessários aos pagamentos dos benefícios através de outras torneiras. Trata-se, no momento, de garantir um jato forte na saída, com a caixa d´ água, quase vazia, ou, para não exagerar, alimentada a conta-gotas. Há várias explicações para justificar o porquê de o reservatório estar vazio. Por melhores que sejam, as interpretações não irão repor o conteúdo faltante.

Na verdade, desta forma não se tem ainda um modelo e sim, apenas uma (triste) metáfora. Mesmo sem migrar do qualitativo para o quantitativo, já se vislumbra a existência de um impasse...

Existe um problema de fluxos, associado a um outro de estoque. Tudo se passa como se as contribuições entrassem num reservatório, em más condições por causa de várias Brasílias, pontes Rio-Niterói, Jorginas e outros 'vazamentos'. Os atuais aposentados contam com o fluxo dos empregados da ativa. Estes, por sua vez, estarão torcendo para que, uma vez na situação de aposentados, possam contar com os aportes da jovem guarda. Justifica-se um olhar de visível preocupação dirigido à deformação da pirâmide etária. Em poucas palavras, com o crescimento insuficiente do emprego e o aumento da expectativa média de vida, chega-se à situação de ter praticamente um empregado na ativa para cada aposentado. Naturalmente, não vamos culpar os velhinhos pela sua teimosa longevidade. Bem que o sistema de saúde tenta ajudar...

Para evitar o colapso, torna-se necessária a presença de uma torneira governamental, irrigando o sistema. A insuficiência de recursos que o Governo compensa nada mais é que o déficit Previdenciário. Pouco importa se, por meio de discursos, se demonstre ser um problema da Previdência ou do Tesouro. Se a torneira do governo deve ser acionada, está caracterizado o déficit.

Caso queiramos separar os problemas, notaremos a existência de dois dramas que “se completam”: o da iniciativa privada e do funcionalismo público.

Não se deve esquecer que na iniciativa privada o empregado recolhe 11% até um teto máximo e o empregador contribui com 20%. A rigor, o valor do teto é irrelevante; percentuais iguais sobre um teto mais alto garantiriam esse último. A paciente ovelha é tosquiada inexoravelmente, enquanto na ativa, o empregador, idem, e a soma entra no jogo desigual que consiste em atender a demanda dos aposentados. Ao longo do tempo, ocorreram algumas “bondades”, tais como reajustar o SM com ganhos reais. Trata-se de uma atitude nobre, que não atentou para os detalhes. Nobreza não combina com detalhismo. A cada elevação do SM os contemplados com a aposentadoria mínima receberam o generoso reajuste. Perfeito! Redistribuição de renda! Palmas! Os demais, por razões que jamais aceitarão – e é normal que assim seja – descobriram por meio de uma conta simples que recebiam um número cada vez menor de SM. Mesmo com esse achatamento o furo nas contas permanece desafiador.

Olhando para a outra categoria, surge uma pergunta óbvia: Qual é a possibilidade de se cumprir o prometido – isto é aposentadoria com valor igual ao último salário – se, diferentemente da iniciativa privada, o Estado não contribui? Se no caso da iniciativa privada há um furo, como imaginar que com menor aporte e maior saída ocorra algum fenômeno diferente? Qual é a mágica atuarial capaz de cobrir o buraco, se não há inflação 'suficiente' para acobertar as falhas do sistema? Imaginar que o Estado poderia imitar a iniciativa privada, passando a recolher um percentual de 20% sobre sua folha de pagamento terá o efeito equivalente a um aumento desta, da ordem de 20%. Poderia ser uma idéia interessante, mas possui a desvantagem de trombar com a salutar disposição de controlar os gastos correntes. Queremos ou não recursos para o PAC? Dirão alguns: Se contratarmos muitos, uma miríade, uma tonelada de funcionários públicos – segundo o presidente do IPEA o nosso estado é raquítico – com seus aportes estará equacionado o problema das aposentadorias. Ocorre que essa solução terá um efeito colateral desagradável: arrombaria as famosas despesas correntes. Coisa de cobertor exíguo...

A rigor, pouco importa se o dinheiro sai do bolso esquerdo ou do bolso direito da viúva. Pior quando a viúva precisar se endividar mais para tirar os caraminguás do bolso do colete. Mesmo que as contribuições de hoje garantissem as aposentadorias de hoje (e isso não ocorre, pois por que razão estaríamos falando na Reforma se não houvesse déficits crescentes?) caminha-se para o desastre, mantidas as regras atuais. Podemos fazer projeções, o papel tudo aceita, como aquela do senhor Khair que fala em equilíbrio por volta de 2050, desde que determinadas variáveis tenham a necessária docilidade de seguir o modelo.

O que o Sr. X funcionário graduado da 'nomenklatura' pinga, não serve para criar um fundo para a aposentadoria dele, X. Serve para pagar a aposentadoria, exagerada ou não, pouco importa neste momento, de Y.

Pelo simples fato de os aportes serem, desde já, insuficientes, fica evidenciada a sinuca de bico na qual se encontra o Estado.

É impossível deixar de lembrar o problema ginasiano do tanque alimentado por uma torneira e esvaziado por duas, com a pergunta do mestre: Em quanto tempo um anão que não saiba nadar poderá passear sem se afogar? No caso, apesar de haver algo politicamente incorreto na pregação: queremos que o anão se afogue. (Ou que aprenda a nadar).

Está em jogo um direito adquirido ao ingressar no funcionalismo, mas os almejados benefícios só se materializarão dentro de condições que hoje não existem. E agora? Ao escolher uma carreira o funcionário público o fez pensando na sua renda quando a inatividade for seu passa-tempo. Agora, apresentar a um cinqüentão, perto da idade da aposentadoria uma planilha e fazer apelo ao seu espírito cívico, juntando até um pedido de desculpas, não parece muito sério.

Foi deixado de lado o problema daqueles contemplados pela Constituição-cidadã com uma aposentadoria de 1SM, mesmo sem jamais terem contribuído. Não se discute se é ou não uma medida socialmente justa. Trata-se apenas de entender um dos porquês do déficit. Nesse ponto entra o discurso, interessante, sem dúvida, de ser esse um problema do Tesouro, não da Previdência. Resta saber de onde o Tesouro arranja recursos. Algum palpite?

Keynes afirmou que 'a longo prazo estaremos todos mortos'; talvez ao comentar a atual situação, ele teria acrescentado. 'A curto prazo, estamos todos fritos'. E, não venham dizer que estamos todos no mesmo barco, pois a maioria está se debatendo fora dele. A reforma da Previdência é necessária. Empurrar com a barriga não resolve. As torneiras não podem continuar do jeito que as vemos! Isso não quer dizer que, de imediato, sejam aceitas as sugestões inviáveis de encanadores demagogos.


Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano (www.siciliano.com.br).

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Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 10h42
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Artigo

A um mês do Dia dos namorados.

 

    É no dia 12 de junho que um pacto prazenteiro recebe sua consagração. Corações apaixonados de todas as idades, batem mais forte, no mesmo ritmo. Na política ocorre fenômeno semelhante. Dizia Oscar Wilde: ‘Os jovens gostariam de ser fiéis e não o são. Os velhos gostariam de ser infiéis e não o conseguem’. Quanto aos políticos, não fazem questão de ser ou não fiéis e ao serem fiéis apenas quando for conveniente, estão muito bem sucedidos, independentemente da idade.

Deixemos os namorados de lado, por um momento – o dia deles deveria se estender por décadas e não apenas por 24 horas, não é? – ainda está distante. A fidelidade não possui prazo de validade.

E na política? O que seria para um político ser fiel? Militar sempre na mesma legenda – aquela que lhe garanta maior exposição na mídia? Aliar-se a outros indivíduos, mesmo que os tenha tratado de infame, escroque, ladrão, incompetente e ter recebido o troco na mesma moeda? (o pior de tudo é que, presumivelmente, a razão está com ambas as partes, antes de serem contagiados pelo tal vírus da conveniente amizade). Segurar a mão do vizinho de palanque e, juntos levantarem os braços, após ter verificado que ambos tem aproximadamente a mesma estatura física e moral? No caso de diferenças físicas, de altura, há algumas fotos simplesmente hilárias.

Por que não? Não está escrito em lugar algum que essa prática é proibida, logo, a partir de um entendimento recente, não estando proibida, é permitida. O amor – na política também, é eterno enquanto dura. Antes de o Vinícius falar em infinito, quem ficou apenas no eterno foi Henri Régnier. (Não estou acusando de plágio).

Portanto, vamos saudar esses ajuntamentos, que tanto podem ser partidos, quanto coligações, alianças, base governista, ou algum substantivo coletivo que possa nos ocorrer. Afinal, não há motivo para criticar esses seres que estão “juntando trapos” de moralidade. Pode ser apenas para um turno, ou seguindo a rotina de antigos campeonatos para o returno também.

Implacáveis adversários políticos de ontem se abraçam carinhosamente nesse jogo de amnésicos. Abraços e tapinhas nas costas são uma atividade em tempo integral, pelo menos durante os poucos dias de labuta. O incapaz de gerenciar um carinho de pipocas abraça afetuosamente o merecedor de prisão e a coisa não para por aqui, ou por aí.

Vale até jeton, passagem aérea, auxílio-paletó, generosa aposentadoria e outras fórmulas criativas para possibilitar uma sólida base material àqueles que imaginam ter recebido carta branca nas urnas.

Estranhamente, mesmo se forem seguindo caminhos diametralmente opostos, ’eles’ afirmam lutar pelo bem do País. Não deixa de ser ridícula essa afirmação. Lutam como? Como boxeadores, como ninjas ou será que apenas participam de um vale-tudo… por dinheiro?

Políticos e partidos compõem a alegre e heterogênea, muitas vezes, mistura. A acompanhá-los, fazendo o maior barulho, na tentativa de se fazerem notados, como um exército de poodles amestrados – com as devidas desculpas aos poodles, que nada têm a ver com isso – os nanicos à procura frenética de alguma sobra de festim dessa tão decantada ação entre amigos. Sua pressa tem razão de ser. Em política, o namoro deu lugar ao ‘ficar’. Uma pequena demora e correm o risco de bajular inadvertidamente um adversário de última hora.

Antes de fazer referência ao Dia dos namorados, é preciso aludir a um evento mais próximo: O dia das Mães. Nada de xingar as genitoras de Suas Excelências. Uma pergunta simples: excelem em quê? Em não deixar passar um dia sem brindar-nos com alguma nova prova de que somos todos imperfeitos?

De acordo, mas precisavam exagerar?


Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano (www.siciliano.com.br).

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Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 16h15
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Era uma vez....

 

Dizem que determinada pequena empresa – PE – resolveu participar de importante concorrência para um grande obra, GO. Com o auxílio de um lobista experimentado, LE – já quase certa do sucesso da empreitada – fez o depósito de um milhão de dólares, requisitados para a habilitação, importância essa que seria devolvida no caso – improvável, de acordo com LE – de não ser declarada vencedora do embate licitatório. A grande empresa – Gr. Emp – nunca roera a corda antes. Disso LE podia se gabar.

O diretor financeiro da estatal Gr.Emp – ia me esquecendo de que se tratava de uma estatal, e na verdade, ser ou não estatal seria irrelevante não houvesse hoje em dia tanta aversão ao neoliberalismo – depositou a importância na conta que mantinha num banco. Estatal, decerto. De posse desse dinheiro, o tesoureiro do banco, transparente como poucos tesoureiros de banco, submeteu ao comitê a sugestão de pagar com esse recurso inesperado a dívida super atrasada ou hiper vencida – como queiram – que o banco tinha com a empresa de manutenção de computadores e de razão social complicada. Com dinheiro na mão, seria tranqüila a dispensa da multa contratual. O cash possui esse efeito em tempos bicudos.

 

 

Felizes com o depósito, tão desejado quanto inesperado, os diretores da MANULOCAMICROCOMP – beleza de razão social – hesitaram entre pagar um prêmio aos funcionários ou adquirir novas e potentes máquinas, para poder prestar serviços de melhor qualidade aos seus clientes. Prevaleceu a segunda opção. “O segredo é investir em momentos de crise”, bramiu o CEO da MANU etc. e tal. Para melhorar o moral dos empregados contou pela milésima vez a balela do ideograma chinês que identifica crise com oportunidade. Todos aplaudiram, se bem que ouvidos mais atentos teriam identificado palavras de baixíssimo calão.

Pelo seu notório saber e por não ter a MANU etc. e tal a rigidez de uma estatal, a escolha do fornecedor de servidores levou o tempo necessário a uma votação por acordo de lideranças em certos países emergentes ou nem tanto.

Eis que o milhão de dólares foi parar nas mãos, digo no caixa – viva mais uma vez a transparência – de uma empresa cujo objeto social era justamente fabricar servidores de alto desempenho. “Dinheiro bem-vindo” – exclamou o patrão da empresa de notório saber e dívida de exatamente um milhão com um exportador chinês, que mandava máquinas já montadas com etiquetas “Made in Brazil” em separado. Malditas etiquetas, maldita grafia, mas são ossos do ofício do mercado cinza.

Eis que o milhão de dólares – a repetição do ‘eis que’ foi proposital – atravessa eletronicamente os mares e pousa numa filial de banco chinês, e daí nas mãos do exportador, que de imediato, emprega esse já famoso milhão para resgatar uma debênture de sua emissão – que de acordo com a Moody´s possuía rating ZZZ (em processo de reavaliação para ZZa-, afinal, a recuperação dos mercados financeiros é um fato).

Por uma feliz coincidência, o detentor desse título semi podre era justamente a Gr. Emp, cujo tesoureiro, vítima de alguma antiga ilusão de óptica, ou de uma dose excessiva de coragem, quando da arrojada compra, não hesitou um instante em dar um “fechado” na proposta que, sem mais nem menos, acabava com uma longa série de noites mal dormidas, por causa de um excesso de otimismo e falta de cuidado na aplicação, num passado já nem tão recente assim.

Surge um pequeno problema, totalmente inesperado. Um pouco de paciência.

Sabedor do drama da tesouraria da Gr. Emp, – detentora do tal ativo tóxico – o astuto LE imaginara uma forma de resgate do tal papel podre a partir de uma sofisticada operação envolvendo algum superfaturamento da PE – candidata à grande obra – GO. O valor correspondente ao tal “plus a mais” seria cobrado da PE por uma empresa de fachada, EF – com sede numa gaveta de escrivaninha em *** onde o ISS é bem baixinho – a título de prestação de assessoria para eventos culturais. Depois, de acordo com os grampos habilmente vazados na imprensa, EF compraria serviços de EF1, cliente de EF2 , fechando-se parte do circuito em EFn. EFn compraria serviços de uma “empresa quase séria”, EQS1, cliente de EQS2, sendo que, em função da seriedade crescente nessa cadeia – oops – EQSn poderia já ser considerada uma “empresa séria”, ES. Esquecendo-se, por uma fração de eternidade, da condição de ES – voltando a ser quase séria –, ES adquiriria a famosa debênture podre, pondo fim à já mencionada série de pesadelos do aflito tesoureiro. Como demonstram as leis da Física, nesse trajeto, haveria perdas, destinadas a remunerar os integrantes da tal cadeia – oops, de novo. Possivelmente, alguns tostões imperfeitamente contabilizados financiariam alguma campanha eleitoral. Impossível afirmar. As informações grampogeradas foram mais uma vez incompletas. De qualquer maneira, uma onda de calma indignação se ergueu pouco antes de o esquecimento ou as férias não remuneradas de Mnemósine devolverem a tranquilidade à sociedade.

Qual o pequeno problema, então?

Calma.

Com o “desequilíbrio interno” resolvido, ao anunciar os resultados da concorrência, Gr.Emp surpreendeu LE. Esse pediu desculpas a PE – infeliz segunda colocada, com direito a uma medalha de prata e a um certificado de participação – que recuperou, um tanto desapontada, o valor da garantia, sem nada pagar a um tristonho LE.

Ou seja, o famoso milhão voltou são e salvo, deixando atrás de si uma onda de júbilo, causada pela sua passagem, e à exceção do LE e da cadeia – oops, pela terceira vez – das empresas de seriedade duvidosa, os demais ficaram felizes para sempre. E quanto aos grampos? Bem. Quem disse que são infalíveis?

Alexandru Solomon, empresário, escritor, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura, Saraiva, Laselva e Siciliano. | E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Categoria: Política
Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 12h45
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Faixa de pedestres, refúgio virtual

 

Dizem ser o futebol uma caixinha de surpresas. A vida, também.

Para não fugir dos cânones consagrados pelas mais reputadas oficinas literárias, vamos localizar a ação no espaço e no tempo. Cabe também informar tratar-se de história real. Em sendo assim, toda semelhança com pessoas reais é absolutamente intencional.

Tudo começou e terminou minutos depois, por volta das 10 horas da manhã de terça-feira, dia 10 de março, no cruzamento das ruas Maranhão e Itacolomy.

Trajava eu imponente terno, por causa de um compromisso social - esses compromissos para os quais a beleza interior perde em importância ante a embalagem. No cruzamento, havia um fluxo de carros, bem como de pedestres. Imagine, caro leitor, pouco familiarizado com o local, duas fileiras paralelas de carros, descendo a rua Itacolomy, em direção à avenida Higienópolis. Caminhava eu tranquilo e resolvi atravessar, fato comum na vida de qualquer ser humano desejoso de alcançar a calçada oposta. Atravessar, dizem, é uma das formas conhecidas de passar de uma calçada para a outra. Minha intenção estava me levando na mesma direção dos carros, porém no sentido oposto. Eis uma bela ilustração da diferença entre direção e sentido, que ofereço, graciosamente, aos autores de manuais didáticos. Não aos que colocam dois Paraguais no mapa.

Ao abrir o sinal, o motorista da fila da direita - a mais distante de mim - “fechou” o carro da fila da esquerda e, zelando pelo próprio bólido - um Meriva insignificante, antes fosse BMW, pela beleza da coisa - acelerou e fez a conversão. Diria que não se tratou de manobra aplaudida pelo nosso Código de Trânsito, mas trata-se de vulgar mito refiro-me ao Código - assim como a tal invulnerabilidade do pedestre na faixa a ele destinada...

Munido de minha calma proverbial, mesmo tendo intuído as más intenções do carro ou de seu condutor - no caso uma infeliz, minha educação proíbe-me usar outros termos bem mais incisivo - continuei meu atravessar majestático. Se saísse correndo, feito vulgar trombadinha, nada teria ocorrido. Estaria sem assunto e sem dores. Acelerei um pouco, por via das dúvidas. Ela, também, movida por misteriosos desígnios.

Vendo o perigo, esbocei uma corridinha.

Em vão! Troppo tarde, diria Dante! Talvez Pirandello dissesse o mesmo se chamado da dimensão na qual reside para comentar a cena..Too late!

Fui colhido e arremessado para o alto feito vulgar pacote no centro de distribuição dos Correios.

A lei da gravidade fez o resto.

Bati no chão. Minha musculatura perfeita, meus 65 anos (claro, aparento bem menos, não?) e minha caixa torácica levaram a pior. Faltou a voz tranqüilizadora: Ao asfalto voltarás!

Não me lembro muito bem dos detalhes da queda, mas de algo me recordo com exatidão. Veio-me a mente a lembrança do pugilista João Henrique, que por quatro vezes tentou a coroa mundial na sua categoria, perdendo nas quatro oportunidades. Duas vezes de Bruno Arcari, uma, de Nicolino Locce e a quarta, bem, podem procurar no Google! Anos depois, vitimado por um desastre numa batida de ônibus na Dutra, ele ajudou a retirar as vítimas e... pouco depois morreu de hemorragia interna. Embalado pelar recordações pugilisticas, levantei, de pronto, sem esperar que a contagem chegasse a 10, e dirigi-me para a sucessora da Lella Lombardi - aquela da F!.

Ela havia parado, diga-se a bem da verdade. Uma jovem senhora, no esplendor de sua idade indefinida, algo em volta daquela consagrada por Balzac. Fiz uma pergunta idiota, mas considerando o susto pelo qual acabara de passar, mereço alguma indulgência:

- Como pode fazer uma coisa dessas, indaguei com meu fleuma britânico, sempre presente em tais ocasiões..

- Desculpe - viu, viu.... quem disse que não há modos no trânsito? - não o vi. Só faltava ter dito que se tratava de uma tentativa de aumentar a renda per capita do Brasil - iniciativa salutar nesses tempos de marolinha exagerada - através da diminuição do denominador da fração.

Lancei um olhar desolado para meu terno - algo fora de combate - porém a decepção cedeu lugar a uma onda de incontido júbilo. Sim, senti uma imensa satisfação interior: meu regime de emagrecimento surtira efeito. Mesmo às 10 da matina, eu era praticamente invisível.

Juntou-se um bando de curiosos. Algo desapontados com a falta de dramaticidade da cena, afastaram-se logo em seguida. Permaneceram os protagonistas do incidente, bem como a motorista do veículo que levara a tal “fechada”... Um coro de buzinas, vindo de seres igualmente apressados e insensíveis encurtou o diálogo tão rico em plasticidade.

Fiquei com os dados da Senhora M.M - seria senhorita?- e com a promessa de que ao menos os danos materiais seriam cobertos. Não valia a pena esperar sentado - ou deitado - a vinda da Polícia com as chateações inerentes à feitura de um B.O.

Até hoje, decorridos oito dias, tanto a senhora M.M - vamos preservar-lhe o anonimato, por enquanto - quanto o advogado dela, esquivam-se com maestria.

Sobra a pergunta que não quer calar. Qual a possibilidade de tal evento suceder em Paris, Roma, ou Brasília? Onde está a educação no trânsito? Prometi uma pergunta e formulei duas. Peço perdão.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e o recente livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 09h16
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cela va sans dire.

Metáforas

 

    Após ter sobrevivido a um atropelamento, – prova disso é que redijo essas linhas – participei de uma importante reunião na qual um economista merecedor de apreço dissecou a conjuntura econômica. De imediato reparei ser ele mais um dos adeptos das metáforas para interpretar o atual apuro. Assim, para descrever as medidas necessárias para sair do presente enrosco, afirmou estarem nossas autoridades diante de uma maratona, não de uma corrida de 100m rasos, querendo com isso dizer ser imprudente sair a plena velocidade e decidir atabalhoadamente, já que se trata de uma prova longa. Ninguém na platéia indagou se o tiro de largada já havia sido dado, ou apenas, anunciado.

Por que seria maratona e não uma prova de 3000m com obstáculos, o palestrante não esclareceu. Pena, porque essa prova de steeplechase, por alternar corridas e saltos tem mais a ver com a atual quadra.

Essa inocente mania de imaginar que a complexidade do assunto precisa de uma ilustração virou mania nacional, fruto da globalização, cela va sans dire. Será que nas platéias preponderam atletas e não seres dispostos a assimilar afirmações, sem o suporte de imagens tiradas da vida comum?

Desde há muito, firmou-se o conceito de serem os executivos seres ocupados, além de um tanto limitados, contudo esforçados em assimilar rapidamente informações complexas – sem tempo para perder com conceitos áridos – com o auxílio de figurinhas, como as bobagens do indefectível Power Point?

E por que minsistir com maratonas? Como participante de 52 provas desse tipo, hei de reconhecer que a metáfora faz algum sentido, embora jamais tivesse participado de uma competição de 100m rasos, ou de 100m com barreiras, para poder melhor assimilar o tropo. É grande a quantidade de desmaios depois de qualquer uma dessas provas, vale dizer. Esse ponto em comum fragiliza aparentemente o impacto oratório do famigerado recurso.

O renomado economista não está só. Edgar Allan Poe já dizia que uma metáfora fortalece um argumento, embelezando a descrição. Todavia, Kundera adverte: “As metáforas são perigosas. Todo amor começa com uma”.

Há inúmeras possibilidades, uma vez decretado o ‘liberou geral’ das metáforas.

Nosso ilustre presidente Lula, pilar do moderno pensamento ocidental, falou em marolinha e, de imediato, veio o complemento dessa imagem sugestiva, com nossa empedernida e valorosa oposição afirmando tratar-se na verdade de um tsunami. Ah, bom! Falar em ressaca pecaria pelo duplo sentido.

Continuando nessa linha infantil, não custaria dizer que esse combate à crise, marolinha, recessão etc., tudo tem de uma luta de boxe a ser decidida por pontos, sendo o nocaute uma feliz, embora remota possibilidade. Collor, morador da casa da Dinda, falava em ippon. Grande Collor! Levou um Osoto-gari e o resto já é sabido.

Poder-se-ia dizer que os ativos tóxicos necessitam de um purgante institucional, já que os laxantes proporcionados pelo FED não foram suficientes, e dar graças a Deus ter ocorrido o episódio Lehman Brothers a tempo para evitar que os pacotes criativos tivessem saído da nossa alfândega. Era só uma questão de meses, digam o que quiserem Aracruz, Votorantim, Sadia e outros criativamente apressados!

Não poderá faltar o futebolês – viva o ludopédio – para se afirmar que é necessário um forte sentido de equipe para se alcançar a vitória. Ou que é preciso de um bom meio de campo para se impor ao fim da peleja. Que tal falar na utilidade dos ‘coringas’ – metáfora de segundo grau, uma vez que antes da Economia, o futebol a tomou emprestado dos jogos de cartas – para executar as tarefas inerentes à solução dos graves problemas conjunturais. Um amador de palavras cruzadas estará pronto a concordar que é preciso achar a palavra correta para preencher o 45 vertical – Austeridade fiscal. ( por que diabo fui falar em 45?)

Um biólogo não se dará por satisfeito enquanto não se mencionar o levantamento do código genético da crise. Sem contar que um simples caixa de banco poderá discorrer sobre a importância de fechar o caixa diariamente – coisa que muito banco nem sempre consegue, para evitar problemas.

Antes de mencionar a opinião de um farmacêutico, para o qual o importante é fornecer a remédio correto, ou na falta dele o genérico (obrigado, José Serra), diria que o terreno é extremamente fértil.

Demonstrou-o o renomado Dr. DOOM, Nouriel Roubini – meteorologista nas horas vagas, ao que tudo indica – que já falava em procela em tempos menos bicudos. Quanta plasticidade nos seus dizeres, citados sem muito rigor por este escriba: “Quando o paciente está na UTI, importa salvá-lo, para depois explicar-lhe as vantagens de uma alimentação sadia e da atividade física”.

Tudo isso para concluir que a palestra que presenciei foi interessante e que ficou claro que na minha próxima maratona, dia 5 de abril, não devo sair feito boi bravo.

Ironias de lado, a palestra foi muito boa, embora tenha se mantido na atmosfera rarefeita (pronto, critiquei, critiquei e apelei também para uma metáfora) das generalidades, quando talvez, aos presentes, teria agradado mais saber qual o rumo do barco Economia Brasileira (que coisa, outra metáfora!).

Aos sobreviventes desse naufrágio econômico (decididamente, é difícil falar sem metáforas), as batatas – de acordo com a famosa dieta do Bruxo do Cosme Velho, mais conhecido como Machado de Assis – mesmo se a batata em questão estiver quente.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, é autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar` e o recente livro/peça ´Um Triângulo de Bermudas`. (Ed. Totalidade). Confira nas livrarias Cultura (www.livrariacultura.com.br), Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Laselva (www.laselva.com.br) e Siciliano (www.siciliano.com.br).| E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br



Escrito por Alexandru Solomon, escritor às 09h04
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